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A tuberculose é uma doença infectocontagiosa milenar que ainda causa impactos significativos em vários países. Ocupando o ranking das dez principais causas de morte mundial. No Brasil, ainda é endêmico, que causa grande preocupação nos órgãos de saúde no sentido de buscar seu controle e eliminação. Este agravo é fortemente influenciado pelos determinantes sociais, apresentando relação direta com a pobreza e a exclusão social, afetando muitas vezes grupos populacionais em situações de maior vulnerabilidade. Entre os grupos de maior risco para a doença está a População em Situação de Rua, na qual o risco chega a ser 56 vezes maior quando comparado ao da população em geral. O atendimento a essa população, quando portadora de tuberculose, permeia diversos outros agravantes, como o uso de substâncias psicoativas, coinfecção com HIV, falta de alimentação, entre outros. A Atenção Básica é o local privilegiado para o diagnóstico e tratamento da grande maioria dos casos de tuberculose, pois é a porta de entrada dos usuários ao SUS, além de ser a coordenadora do cuidado em saúde. A Estratégia de Saúde da família (ESF) possui uma Equipe de profissionais que conhece o seu território e sua população adscrita, possibilitando o vínculo e o acolhimento necessários para garantir um cuidado integral aos pacientes com tuberculose. No entanto, encontra muita dificuldade no acompanhamento e manejo de pessoas que se encontram em situação de rua.
Dessa maneira, o estudo teve como objetivo descrever a experiência da parceria da UBS e Consultório na Rua no cuidado a uma paciente em situação de rua com diagnóstico de tuberculose no município de Diadema/ SP.
Trata – se de um relato de experiência com abordagem qualitativa descritiva, visto que o relato de experiência é considerado um tipo de estudo metodológico que permite descrever experiências vivenciadas pelos autores. Esta é uma experiência dos profissionais da UBS e Consultório na Rua no acompanhamento de uma paciente com diagnóstico de tuberculose em situação de rua no município de Diadema/SP. A experiência iniciou durante a necessidade de atendimento da paciente identificada neste estudo como Luana (nome fictício), 36 anos, em situação de rua, dependente química. Mãe de quatro filhos, 2 abrigados e 2 com a guarda da avó materna. Os resultados deste relato serão apresentados por meio de texto descritivo e narrativo, listando ao final as dificuldades enfrentadas durante a assistência à saúde da paciente e a importância do trabalho em rede e dos diversos atores institucionais envolvidos
Em fevereiro de 2023 Luana procura a UBS com sintomas de tosse e febre. Baciloscopia diagnosticou tuberculose. Equipe seguiu com busca ativa diária para a entrega da medicação, com muita dificuldade, chegou a encontrar a paciente em área de mato do território, muitas vezes agressiva, em atividade sexual e em uso de drogas. Visto a complexidade do caso foi tentado outras estratégias, como entrega de cesta básica do programa da tuberculose para vizinha que possui vínculo com Luana, e que se voluntariou a entregar além da medicação um prato de comida diariamente. O manejo se mostrou cada vez mais difícil, devido seus episódios de agressividade. Dessa forma, após reunião de matriciamento foi entendido que o CnaR, juntamente com a UBS assumiria o Tratamento supervisionado da usuária. Esta equipe foi construindo vínculo e observando o melhores horários e locais para encontrá-la. Conseguiram realizar outras baciloscopias na paciente e em seus comunicantes, e garantir o acompanhamento com o pneumologista. Foi verificado avanço significativo após o CnaR em parceria com a UBS, assumir o tratamento. A entrega diária da medicação e do Kit lanche, a emissão da segunda via do Registro Geral (RG) através do Centro POP, almoço gratuíto no restaurante BOM PRATO do território, além da administração dos anticoncepcionais injetáveis. Também enfrentaram desafios, todavia com a experiência do CnaR na abordagem desta população, foi possível conduzir o tratamento. Luana voltou a frequentar a casa
A população em situação de rua se apresenta, historicamente, excluída dos equipamentos sociais e de saúde, desprovida dos mais diversos recursos básicos (alimentação, vestuário, residência, etc), aumentando seu risco de negligência nos cuidados a saúde e conseqüente adoecimento, em especial por doenças infecto-contagiosas, tal qual a tuberculose. O estigma e o preconceito podem interferir na busca do paciente com tuberculose à UBS e em sua adesão ao tratamento. Destacou-se a importância desta parceria entre UBS e CnaR para a integralidade do cuidado, para além do âmbito da saúde, que o trabalho em equipe e em rede são primordiais para o acolhimento. É importante que as equipes de saúde que irão acompanhar o tratamento, seja colaborativa, organizada, humanizada e tecnicamente preparada para cuidar das pessoas em situação de rua com tuberculose. Por fim, verifica-se que para fortalecer o vínculo, promover educação em saúde e auxiliar a adesão ao tratamento, utilizar de práticas socioeducativas envolvendo seus pares e/ou a comunidade executando a ampliação do cuidado para a rede formal e informal podem ser efetivas.
consultório na rua, UBS, cuidado em rede
Diego Lagatta, Francisca Freitas, Rita Lia Gouveia, Ana Carolina Untem