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Ao longo da história muito se estudou acerca da importância da infância e do brincar, que passou a ser entendido de um simples ato de lazer para um relevante processo do desenvolvimento psíquico, motor, cognitivo, afetivo, cultural e social. O ato de brincar auxilia a criança a elaborar experiências, expressar sentimentos agradáveis ou desagradáveis e reproduzir hábitos de vida. O brincar produz uma realidade própria e singular possibilitando modificar o cotidiano na infância. As crianças em idade pré e escolar apresentam grande desafio em termos de promoção à saúde, pois é necessário utilizar estratégias lúdicas que estimulem a participação e a aquisição de conhecimento, levando à adoção de comportamentos saudáveis (Juzwiak, 2013). Considerar a criança como sujeito de direitos e reconhecê-la enquanto ser humano que também tem voz e é capaz de ser participativo e protagonista no seu processo de construção histórico, cultural e de direitos foi o ponto inicial para elaborarmos um projeto alinhado a atual Constituição Federal Brasileira e ao Estatuto da Criança e do Adolescente. A ideia de desenvolver prática interdisciplinar entre Serviço Social e Nutrição no momento da sala de espera da pediatria da Unidade de Saúde da Família se deu com finalidade de qualificar o cuidado em saúde das crianças e estimular o protagonismo na participação social e para tal utilizamos o ato de brincar para o desenvolvimento das crianças do território adstrito.
Objetivo geral Criar um espaço lúdico de promoção de saúde e participação social. Objetivos específicos Promover acolhimento às crianças e famílias no espaço de uma unidade de saúde; Observar como as crianças se relacionam a partir dos brinquedos e brincadeiras e a relação dessas experiências para a construção de sujeitos de direitos; Valorizar o ato de brincar e o brinquedo enquanto recursos educativos e terapêuticos; Incentivar à leitura infantil.
A proposta inicial foi de realizarmos atividades onde o aprender brincando possa proporcionar a construção do conhecimento de forma atrativa e divertida, ressaltando que o brincar e a ludicidade são fundamentais para o desenvolvimento motor, estímulo dos sentidos, socialização, estímulo da imaginação e criatividade durante a infância. Foram desenvolvidas atividades e ações lúdicas com crianças de 03 a 12 anos conduzidas pelos profissionais assistente social e nutricionista da e-Multi Centro e pelos estagiários dos cursos de graduação em Nutrição e Serviço Social da UNIFESP/BS, com periodicidade quinzenal, na sala de espera da pediatria da USF Martins Fontes. A atividade também conta com o apoio da dentista da unidade de saúde da família para conduzir a prática sobre saúde bucal. As temáticas trabalhadas foram de encontro ao tema central dos direitos das crianças, em especial direito à saúde, direito ao lazer e cultura, ao direito humano à alimentação adequada (DHAA) e ao respeito às diferenças e à diversidade. Outros temas sensíveis a infância, como obesidade infantil, prevenção ao abuso sexual na infância e bullying, foram recentemente incorporados ao projeto atendendo a uma demanda do território. As estratégias lúdicas adotadas nos encontros foram: contação de história, desenhos para colorir, jogos e brincadeiras tradicionais e populares, oficina de plantio, dobradura e confecção de brinquedos com materiais recicláveis.
Partindo da ideia inicial de construção de um questionário que conseguisse determinar vulnerabilidade social e insegurança alimentar das crianças atendidas na USF Martins Fontes, verificamos que o intuito era insuficiente para compreensão da infância num território de inúmeras fragilidades. Como mensurar resultados quantitativos quando a descontração, o corpo livre e o sorriso das crianças assumem o protagonismo frente à rigidez dos procedimentos nos serviços de saúde? Atravessados por esta pergunta entendemos que a eficácia das ações se dá para além dos dados estatísticos. As anotações num diário de campo, que compreenderam as falas das crianças e as observações realizadas pelos profissionais envolvidos na atividade, foram utilizadas para realizar uma avaliação subjetiva das ações desenvolvidas. A qualidade dos dados depende da maneira como a interação social entre o pesquisador e os pesquisados se estabelece, levando em consideração a relação de proximidade e confiança, baseada em princípios éticos (Cunha, 2022). Durante a observação participante foi possível verificar que as crianças expressaram uma melhora na interação interpessoal com os profissionais de saúde e em como o aprender-brincando pode ter valor na construção de cidadãos participativos na compreensão dos direitos da infância.
Uma vez que o brincar, que é a principal ocupação da infância e permeia todo o seu cotidiano, é o meio pelo qual a criança desenvolve as suas potencialidades, habilidades físicas, emocionais e psíquicas, a brincadeira passa a ser uma importante ação de promoção de saúde e de participação social. A construção da autonomia dos indivíduos em relação ao seu cuidado em saúde ocorre por meio da atribuição de significados e sentidos às experiências vividas. Nessa perspectiva, o brincar aparece como um modo da criança se expressar no dia a dia. Por meio do projeto Uni Duni Tê, as crianças frequentadoras da unidade de saúde da família tiveram a oportunidade de vivenciar que o equipamento de saúde não é só um local para tratamento de doenças, e sim um espaço de promoção de saúde e de participação social. O projeto fortalece a integração ensino-serviço-comunidade com a valorização da criança frente ao seu cuidado de saúde, fazendo com que as ações lúdicas propostas sejam fonte de aprendizagem transformadora para todos os envolvidos. Ressalta-se que reconhecer a criança como sujeito de direitos traz a oportunidade da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e com cidadãos participativos do processo político democrático.
Direitos Humanos, Proteção da Criança, Infância
VIVIAN LEMOS LOPES DE CICCO, LUCIANA MACHADO WERNECK, TATIANA DO NASCIMENTO CARVALHEIRA MONTEIRO