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A Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) é um serviço residencial transitório da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), criado pela Portaria nº 121/2012. Funciona 24 horas, oferecendo cuidados contínuos em saúde para pessoas com necessidades relacionadas ao uso de drogas, de ambos os sexos, em situação de vulnerabilidade social ou familiar, que demandam acompanhamento terapêutico e protetivo por até seis meses. O CAPS é responsável pela indicação do acolhimento, elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS), acompanhamento especializado, planejamento da alta e articulação intersetorial para reinserção social. A UAA promove a reapropriação do espaço residencial, construção de habilidades para a vida diária (autocuidado, alimentação, higiene), fortalecimento de vínculos afetivos e inserção na rede social (trabalho, lazer, educação). O habitar é central no processo de reabilitação psicossocial, visando autonomia, participação social e exercício de direitos de pessoas com sofrimento psíquico devido ao uso de substâncias. Em Presidente Prudente, as ações de Atenção Psicossocial foram introduzidas com a implantação do CAPS e outros equipamentos da RAPS, substituindo progressivamente o modelo centrado em internações psiquiátricas.
Este relato tem como objetivo demonstrar a construção de ações de cuidado com os usuários, levando em conta suas singularidades visando ações de reabilitação psicossocial através do preparo dos alimentos para a realização das refeições na unidade. Propor estratégias de cuidado em saúde humanizadas e com os recursos disponíveis.
A Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) de Presidente Prudente-SP, implantada em 2016, é um serviço da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que oferece cuidado transitório para pessoas em situação de vulnerabilidade devido ao uso de substâncias. Inicialmente, a equipe contava com 8 cuidadores em saúde (2 por turno de 12hx36h). Em 2019, foram incluídos 1 enfermeira e 1 psicóloga (turno diurno de 12hx36h em dias alternados) para fortalecer as ações de cuidado. Desde sua criação, as práticas na UAA são construídas e reavaliadas em conjunto com usuários, equipe técnica, cuidadores e o CAPS AD III, referência do serviço. Este relato descreve a evolução das atividades de vida diária e prática como estratégia de reabilitação psicossocial, destacando a introdução do preparo de refeições na unidade. Inicialmente, as refeições eram preparadas pela cozinha do CAPS AD III ou fornecidas por terceiros aos finais de semana. A partir de 2021, com a mudança para um local mais amplo, foi implementada a cozinha terapêutica, visando ressignificar o cuidado, promover autonomia, convivência e habilidades cognitivas (atenção, memória, função executiva). As atividades incluem escolha, higienização, armazenamento e preparo dos alimentos, supervisionadas por cuidadores e equipe técnica. Iniciadas aos finais de semana, hoje ocorrem diariamente, incluindo eventos comemorativos, como aniversários e almoços especiais, fortalecendo vínculos e ressignificando o uso de substâncias.
A cozinha terapêutica, proporcionou, através das ações que envolvem o preparo dos alimentos, o aprendizado de novas habilidades, autocuidado, convivência, resgate do convívio interpessoal ( por meio do ato de sentar-se à mesa), estímulo de aspectos cognitivos (atenção, concentração, memória, função executiva) , desenvolvimento e fortalecimento da autonomia além de propiciar a significação e ressignificação de situações emocionais através da prática do cozinhar. Também favoreceu uma oportunidade de vivenciar novas formas de prazer sem o consumo de substâncias psicoativas ( principalmente nas datas comemorativas), tendo impacto positivo na saúde e rotina dos acolhidos.
Verifica-se que, através das ações que envolvem o ato de cozinhar, é possível trabalhar estratégias de cuidado em saúde com o objetivo de reabilitação visto que esta atividade permitiu desde o auticuidado através da alimentação, convívio, construção de vínculos através do ato de sentar-se reunidos à mesa para realizar refeição, bem como, a significação e ressignificação quanto ao uso de substâncias psicoativas ( aprender a obter prazer sem precisar fazer o uso de substâncias seja nas refeições diárias sejam nas situações especiais, como churrascos, almoços de domingo, festas de aniversários, etc). Além disso, a habilidade de cozinhar auxilia no retorno para casa ou nova casa e cria possibilidade de geração de renda como em um caso específico onde o acolhido iniciou venda de doces preparados por ele.
Unidade de Acolhimento, reabilitação psicossocial.
ELAINE CRISTINA CARVAJAL, LEILA FERNANDA PASQUINELLI ESPERANÇA MARTINS