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O Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso (HMPB) vem enfrentando um aumento contínuo no número de pacientes que necessitam de terapias renais substitutivas, especialmente a hemodiálise. Atualmente, esse tratamento é realizado principalmente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que sobrecarrega tanto os recursos quanto a equipe dedicada ao cuidado de pacientes críticos. Essa situação não apenas compromete a eficiência do atendimento na UTI, como também reduz a disponibilidade de leitos para os cuidados intensivos. Outro fator agravante é que, frequentemente, um leito da UTI é reservado exclusivamente para a realização de hemodiálises, o que limita ainda mais a capacidade de atendimento. Além disso, os pacientes internados em outras áreas do hospital precisam ser transferidos para a UTI para dialisar, aumentando a pressão sobre uma unidade que já opera no limite de sua capacidade. Nesse contexto, a criação de uma sala de hemodiálise voltada especificamente para pacientes que não requerem cuidados intensivos tornou-se uma necessidade premente. Essa iniciativa visa otimizar o fluxo de atendimento, aliviar a sobrecarga sobre a UTI e melhorar a eficiência na utilização dos recursos hospitalares. A ausência de vagas ambulatoriais adequadas reforça ainda mais a urgência de uma solução interna. Com essa nova estrutura, inaugurada em 05 de agosto de 2024, com 3 leitos, será possível oferecer um atendimento mais ágil e adequado aos pacientes, garantindo a qualidade do tratamento.
O HMPB, classificado na área de saúde 4 da SMS de Guarulhos, atende hospitalarmente e no pronto-socorro a população de Pimentas, Bonsucesso, Cumbica, Inocoop e Jardim Presidente Dutra, além de moradores de Itaquaquecetuba e Arujá. A falta de vagas ambulatoriais para hemodiálise no Brasil faz com que muitos pacientes venham de outras regiões em busca desse tratamento. Mesmo com a demanda excedendo a capacidade, o número de pacientes que precisam de terapia renal substitutiva é elevado, gerando internações. Além dos crônicos, pacientes graves na UTI e casos agudos também necessitam hemodiálise. Assim, propôs-se a criação de uma unidade dialítica para pacientes internados fora da UTI.
Os dados revelam uma demanda crescente por hemodiálise entre pacientes não elegíveis para terapia intensiva, mostrando que a realização deste tratamento apenas na UTI não atendia às necessidades de qualidade assistencial. A situação se agravou com análises da Coordenação Médica e de Enfermagem, que levantaram a hipótese de que a transmissão cruzada de germes multirresistentes, antes restrita à UTI, estava se expandindo para pacientes clínicos dialíticos que estavam sendo encaminhados à unidade. Diferentes atores corroboraram essa necessidade, mobilizando a Diretoria do Hospital e níveis de Gerência. Após reuniões com a empresa Diaverum, responsável pela hemodiálise, foi acordada a criação de uma sala específica para pacientes não críticos internados no hospital. O planejamento seguiu algumas etapas: 1.Identificação e mensuração da demanda. 2.Localização de um espaço adequado no hospital, com pontos de água, esgoto, pia para higienização, espaço para macas e máquinas de diálise, e área de armazenagem, sem incorrer em gastos financeiros elevados que poderiam inviabilizar o projeto. 3.Elaboração de um planejamento financeiro e de necessidades após a seleção do local. 4.Reforma do setor realizada pela equipe do hospital. 5.Implementação de um plano de gerenciamento da qualidade da água e revisão dos procedimentos operacionais padrão. 6.Capacitação da equipe. 7.Definição de responsabilidades e dimensionamento da atenção aos pacientes em parceria com a Diaverum.
A implementação de um acolhimento mais eficaz para os pacientes é fundamental para criar um ambiente de cuidado que prioriza o bem-estar e a segurança dos atendidos. A satisfação das equipes da Diaverum e do Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso (HMPB) representa uma conquista significativa, refletindo o comprometimento em proporcionar conforto e segurança aos pacientes. Essa colaboração entre as instituições fortalece a qualidade dos serviços oferecidos e assegura uma experiência positiva para todos os envolvidos. A adoção de uma política rigorosa para bloquear a transmissão cruzada de germes multirresistentes traz benefícios claros para a saúde pública. Essa medida contribui para a contenção de infecções hospitalares, criando um ambiente de cuidado mais seguro. A unidade foi implantada em conformidade com as diretrizes de segurança estipuladas nas portarias vigentes, respeitando os manuais de boas práticas para a terapia hemodialítica. Esse compromisso com os padrões de qualidade é essencial para garantir que os procedimentos realizados sejam eficazes e seguros, atendendo às expectativas de cuidados dos pacientes e às exigências regulatórias. Com a criação da nova sala, em um mês, 14 diálises foram realizadas na UTI, enquanto 137 foram realizadas na nova sala, resultando em uma impressionante redução de 93% nas diálises dentro da UTI, promovendo assim o descongestionamento necessário e melhorando a assistência aos pacientes em estado crítico.
As oportunidades de melhoria nascem onde os problemas se manifestam, e a percepção, envolvimento e compromisso da equipe de saúde podem transformar diretamente a vida de muitas pessoas e famílias. O esforço para melhorar a ambiência e as condições de hemodiálise no HMPB só foi possível graças à mobilização conjunta da Diretoria, Gerentes, Coordenações, Diaverum e CCIRAS. A união desses setores permitiu a construção de uma estrutura mais adequada e eficiente para atender a demanda crescente de pacientes que necessitam de terapia renal substitutiva. Esse resultado, além de ser um marco significativo, será duradouro, pois reflete o trabalho contínuo e comprometido de toda a equipe. Saímos da nossa zona de conforto e, ao lado dos pacientes, nos tornamos protagonistas dessa transformação, garantindo um atendimento mais humanizado, seguro e eficiente, impactando positivamente não apenas os pacientes, mas também suas famílias e a comunidade ao redor.
Hemodialise SUS dialise terapia renal substitutiva
MARCOS JOSÉ MONTEIRO LEMOS, ADALBERTO PEREIRA, VANESSA DOMINGUES IMAMOTO, BEATRIZ DUARTE, LINDIANE SANTOS SOUZA, CRISTIANE FÉLIX DE OLIVEIRA