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As Metas Internacionais de Segurança do Paciente, estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), orientam a organização dos processos assistenciais com foco na redução de riscos, prevenção de eventos adversos e promoção de um cuidado seguro e de qualidade. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a adoção dessas metas contribui para a qualificação da assistência e para o fortalecimento da cultura de segurança nos serviços de saúde. A Policlínica Leonil Cre Bortolosso integra a rede de atenção especializada do SUS no município de Osasco e realiza, mensalmente, cerca de 700 Endoscopias Digestivas Altas (EDA). Esses procedimentos envolvem sedação, condição que pode ocasionar instabilidade postural, redução do nível de consciência e prejuízo temporário das funções motoras, aumentando o risco de quedas e outros eventos adversos durante a locomoção do paciente. No fluxo assistencial previamente adotado, o deslocamento do paciente da sala de realização do exame para a sala de recuperação pós-anestésica ocorria, em alguns casos, com apoio manual da equipe, o que representava um fator de risco tanto para o paciente quanto para os profissionais. Diante dessa realidade, identificou-se a necessidade de reestruturar o processo de transporte intraunidade, alinhando-o à Meta 6 de Segurança do Paciente — redução do risco de lesões e danos — por meio da adoção sistematizada do uso de cadeira de rodas como estratégia de prevenção de quedas e promoção de um cuidado mais seguro e human
Implantar o uso sistematizado de cadeira de rodas para o transporte de pacientes sedados da sala de realização de exames para a sala de recuperação pós-anestésica, com o objetivo de reduzir o risco de quedas, prevenir lesões e fortalecer as práticas de segurança do paciente no serviço público de endoscopia.
A experiência foi desenvolvida a partir de julho de 2024, no Centro de Diagnóstico da Policlínica Leonil Cre Bortolosso, envolvendo a equipe de Enfermagem, a responsável técnica da unidade e o Núcleo de Educação Continuada. Após análise do fluxo assistencial e identificação dos riscos relacionados ao transporte de pacientes sedados, definiu-se a adoção obrigatória do uso de cadeira de rodas para o deslocamento do paciente da sala de exame até a sala de recuperação pós-anestésica. A estratégia foi incorporada ao cuidado assistencial do serviço, garantindo que todo paciente submetido à sedação fosse transportado exclusivamente por meio da cadeira de rodas, com acompanhamento da equipe de Enfermagem. Paralelamente, foi realizada orientação da equipe multiprofissional, abordando as Metas Internacionais de Segurança do Paciente, com destaque para a Meta 6, além da discussão sobre prevenção de quedas, ergonomia e segurança no ambiente assistencial. A ação educativa teve como finalidade sensibilizar os profissionais quanto à importância da padronização das práticas, do uso de barreiras de segurança e da corresponsabilização no cuidado ao paciente sedado.
Após a implantação do uso sistematizado da cadeira de rodas, observou-se melhoria significativa na segurança do transporte intraunidade de pacientes submetidos à Endoscopia Digestiva Alta. A medida contribuiu para a redução do risco de quedas e de instabilidade postural no período pós-sedação, especialmente durante a transição entre os ambientes assistenciais. Verificou-se maior segurança para os pacientes e para os profissionais de saúde, reduzindo esforços físicos inadequados da equipe e promovendo melhores condições ergonômicas no processo de trabalho. A padronização do transporte fortaleceu a adesão aos protocolos de segurança do paciente e ampliou a vigilância da equipe quanto aos riscos associados à sedação. A orientação realizada favoreceu o engajamento da equipe multiprofissional, estimulando a reflexão crítica sobre práticas cotidianas que, embora culturalmente aceitas, apresentavam riscos assistenciais. Observou-se fortalecimento da cultura de segurança, com maior compreensão da importância de medidas preventivas simples e efetivas na redução de danos evitáveis.
A adoção do uso de cadeira de rodas para o transporte de pacientes sedados mostrou-se uma estratégia simples, de baixo custo e altamente efetiva para o fortalecimento da Meta 6 de Segurança do Paciente em um serviço público de atenção especializada. A experiência evidenciou que a reorganização de fluxos assistenciais e a padronização de práticas contribuem significativamente para a prevenção de quedas e outros eventos adversos. O envolvimento da equipe de Enfermagem, da gestão e da Educação Continuada foi fundamental para o sucesso da implantação, reforçando a importância do trabalho colaborativo e da educação permanente em saúde. A iniciativa promoveu melhorias na qualidade do cuidado, maior segurança para pacientes e profissionais e consolidação de práticas assistenciais alinhadas às diretrizes de segurança do paciente no SUS. Dessa forma, a experiência pode servir de referência para outros serviços de saúde que realizam procedimentos com sedação, demonstrando que intervenções simples no processo de trabalho podem gerar impactos relevantes e sustentáveis na segurança do cuidado.
SEGURANÇA DO PACIENTE, META 6, HMANIZAÇÃO
YVONE APARECIDA DE SOUZA CAMPOS, FERNANDA PEREIRA TRINDADE DA SILVA, CAMILA ATHAYDE RAIMUNDO, NELSON MARTINS RODRIGUES