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A adesão correta ao tratamento medicamentoso é um desafio frequente entre idosos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. A polifarmácia, o esquecimento de horários, a dificuldade na leitura de prescrições e a falta de rotina estruturada aumentam o risco de eventos adversos, internações, descompensações e piora das condições crônicas. Na APS, o acompanhamento territorial contínuo permite identificar precocemente essas dificuldades e implementar intervenções de baixo custo, porém de alto impacto. Durante visitas domiciliares, uma idosa apresentou importantes dificuldades para organizar e utilizar adequadamente seus medicamentos, relatando insegurança sobre doses e horários. O território possui 604 moradores, incluindo 85 idosos, dos quais cerca de 80% encontram-se em situação de vulnerabilidade, fator que potencializa erros terapêuticos e prejuízos à saúde. O contexto do distrito do Campo Limpo também contribui para a vulnerabilidade, ocupando a 87ª posição entre 96 distritos. A baixa oferta de serviços e indicadores sociais fragilizados aumentam a necessidade de estratégias de cuidado acessíveis, seguras e adaptadas ao cotidiano da população. Diante disso, optou-se pela utilização de uma caixa organizadora semanal de medicamentos, recurso simples e amplamente indicado para pessoas com dificuldades de manejo terapêutico.
Promover segurança terapêutica e adesão medicamentosa por meio do uso de caixa organizadora no cuidado domiciliar de idosos vulneráveis.
A intervenção seguiu cinco etapas principais: 1. Identificação da demanda – Visita domiciliar da ACS à idosa em janeiro de 2025 – Observação de esquecimentos, dúvidas e risco terapêutico. – Registro em prontuário e discussão com a equipe. 2. Caracterização do território – Microárea com 604 moradores. – 85 idosos, sendo cerca de 80% em vulnerabilidade social. – Distrito com baixa colocação no Mapa da Desigualdade 2023, indicando riscos ampliados. 3. Intervenção com caixa organizadora – Disponibilização de caixa organizadora semanal de baixo custo. – Orientações detalhadas sobre dias, horários e identificação visual. – Organização inicial feita pela ACS junto à idosa e cuidadora. – Educação sobre riscos de erros, importância da adesão e manutenção da rotina. 4. Acompanhamento multiprofissional – Monitoramento periódico pela ACS, verificando preenchimento e adesão. – Encaminhamento para equipe farmacêutica, garantindo suporte técnico. – Ajustes na rotina conforme necessidades da idosa. 5. Avaliação e possibilidade de expansão (2025) – Observação de evolução clínica e autonomia. – Identificação de outros idosos com risco semelhante para possível implantação futura.
A intervenção resultou em melhorias rápidas e significativas na segurança terapêutica. A idosa passou a administrar corretamente os medicamentos, com redução de esquecimentos e organização clara da rotina medicamentosa. O uso da caixa organizadora proporcionou maior autonomia, diminuindo a dependência constante da família para lembrar horários e doses. A cuidadora e familiares relataram aumento da tranquilidade e diminuição do medo de erros. O vínculo entre ACS e paciente foi fortalecido, permitindo monitoramento mais efetivo e comunicação facilitada sobre dúvidas. A atuação conjunta com a equipe farmacêutica garantiu ajustes seguros e profissionais na organização da farmacoterapia. A caixa organizadora demonstrou ser uma tecnologia leve, acessível e de grande impacto, especialmente em territórios vulneráveis. A experiência também despertou interesse de outros idosos com dificuldades semelhantes, indicando potencial de expansão da estratégia para toda a microárea, contribuindo para um cuidado mais seguro e equitativo.
A introdução da caixa organizadora de medicamentos mostrou-se uma solução simples, de baixo custo e altamente eficaz para aumentar a segurança terapêutica e promover autonomia em idosos vulneráveis. A intervenção reduziu erros, fortaleceu o uso racional de medicamentos e melhorou a adesão ao tratamento. A atuação da ACS foi fundamental, desde a identificação do problema até o acompanhamento contínuo e articulação com a equipe farmacêutica, evidenciando a importância do cuidado territorial na Atenção Primária. A experiência, concluída em junho de 2025, demonstra que pequenas tecnologias podem gerar grandes transformações no cuidado domiciliar, ampliando segurança, qualidade de vida e confiança no serviço de saúde. A proposta será estendida para outros idosos com dificuldades semelhantes.
Segurança terapêutica; idoso; cuidado domiciliar
PATRICIA LEILA DE OLIVEIRA COSTA