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: Visão de equipe multidisciplinar sobre evolução clínica de paciente pediátrico com múltiplas comorbidades e em internação prolongada após uso de tratamento com canabidiol. Equipe entendia que o paciente mesmo em uso de múltiplas medicações para controle sintomático do quadro neurológico epilético e do autismo ainda apresentava crises epiléticas, estereotipias, autoagressão, falta de interação social, associados ainda a períodos de sedação excessiva e piora respiratória. Neste contexto, havia necessidade de melhor controle sintomático e qualidade de vida. Tendo em vista os bons resultados com o uso fitoterápico do óleo de canabidiol na literatura científica, o tratamento foi indicado como tratamento complementar e utilizado para melhora clínica. O uso de canabidiol no contexto hospitalar brasileiro e no SUS ainda é escasso. Ainda que a literatura comprove sua eficácia e existam países que utilizam corriqueiramente em seus hospitais públicos, citando Israel como exemplo. Seu uso no SUS ainda não é uma rotina e há carência de estudos brasileiros a respeito do tema destacando a importância deste trabalho. O período de tratamento foi de 06/2024 até 01/2025, no Hospital municipal de Guarapiranga, indicado por médicos com pós-graduação em medicina endocanabinóide e acompanhado por equipe multidisciplinar. Este relato é inédito em serviço do SUS no país, os benefícios evidenciados corroboram com outros estudos e evidenciam melhora sintomática e na qualidade de vida.
: Relatar um caso de sucesso no uso de canabidiol como tratamento em um paciente pediátrico com encefalopatia crônica não evolutiva, transtorno do espectro autista e broncodisplasia em internação prolongada.
: Este tratamento consiste em um relato de caso clínico, baseado em dados extraídos de prontuário, avaliação da evolução do paciente por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeuta, além da análise de sinais vitais, prescrições médicas e exames complementares. O tratamento com canabidiol foi iniciado em 06/2024, com uma dose inicial de 2,7 mg/kg/dia, administrada via sublingual em duas doses diárias. O acompanhamento foi realizado de forma periódica. A evolução foi monitorada por meio de observação clínica contínua, avaliação dos sintomas e ajustes nas dosagens, conforme a resposta clínica do paciente. O tratamento foi autorizado pela família que foi previamente orientada, com dúvidas sanadas e acompanhamento periódico. Além de que, tal estudo teve anuência da direção hospitalar e está de acordo com normas ética.
Acompanhamento do caso clínico de NCS, de 10 anos e 5 meses de idade ao início do tratamento, peso de 18.9 quilos, diagnosticado com encefalopatia neurogênica não evolutiva, transtorno do espectro autista, neuropatia crônica relacionada ao parto e broncodisplasia. Em uso de traqueostomia relacionado a complicações deste diagnóstico, além do uso de gastrostomia com alimentação exclusiva por esta via. Fazia uso das medicações: risperidona 1mg 12/12 horas, diazepam 2.5mg 12/12 horas, levopromazina 4% 3 gotas a noite e midazolam 0.1mg/kg (durante crises epiléticas). Os sintomas mais frequentes apresentados antes do início de tratamento fitoterápico foram: autoagressão, crises convulsivas reentrantes, falta de interação social, ausência de foco social, broncoespasmos, além de sedação excessiva devido ou uso de anticonvulsivantes e antipsicótico. A fitoterapia com óleo canabidiol sublingual 2.7mg/kg/dia iniciou 06/2024, administrada de 12/12 horas. A composição do óleo era de menos de 0.3% de THC e 100mg/ml de CBD. Após início do tratamento, houve maior controle do quadro epilético e respiratório, assim como, dos sintomas relacionados ao autismo e interação social. Após 2 meses, as medicações neurolépticas foram retiradas, e o controle dos sintomas e de doenças de base foram realizados apenas pelo tratamento com canabidiol. Outras melhoras: redução da decanulação, melhora da complacência pulmonar, menor utilização de insumos relacionados a aspiração, menor utilização da ventilação
: Este acompanhamento evidenciou que o tratamento com canabidiol foi eficaz na melhora clínica de um paciente pediátrico com encefalopatia crônica não evolutiva e múltiplas comorbidades, incluindo transtorno do espectro autista e broncodisplasia. A evolução positiva no controle de crises epiléticas, sintomas respiratórios e interações sociais, aliado à redução do uso de medicações convencionais, reforça a viabilidade e os benefícios do tratamento endocanabinóide. A implementação dessa abordagem terapêutica em pacientes com características semelhantes é plausível, e o estudo contribui para a discussão sobre a inclusão de tratamentos baseados em canabidiol no sistema público de saúde no Brasil. A continuidade de pesquisas nessa área, com mais estudos clínicos controlados, é essencial para expandir a utilização segura e eficaz dessa terapia.
CANABIDIOL, PEDIATRIA, SUS, ENCEFALOPATIA CRONICA
MARCIO BRUNNO NOVAES, FERNANDA DANIELE DEMICHILI PITOMBO, ELAINE MENEZES DE ALMEIDA, RENAN PEREIRA DE SOUSA, VICTOR HUGO PARRILHA PANOUT