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É notório o avanço das tecnologias da informação que vem revolucionando os meios de interação social e mudando sua forma de consumo, tanto em produtos, como serviços. Organizações que não se habituarem a uma cultura de tomada de decisões voltada a dados estarão em desvantagem. Choo(2002) fala sobre organizações inteligentes, que produzem informação de forma alinhada aos seus propósitos, até alcançar o plano estratégico. A Coordenadoria de Gestão de Pessoas — COGEP, da Secretaria Municipal de São Paulo — SMS, não está alheia às essas transformações. Programas e projetos desenvolvidos pelas diretorias da COGEP, como contratação e pagamento de profissionais, projetos relacionados à qualidade de vida no trabalho, capacitações e gestão da vida funcional de seus funcionários, impactam diretamente na força de trabalho na rede de saúde municipal e, por isso, o uso estratégico da informação deve ser considerado basal e precisa ser aplicado visando a economicidade do erário público, a adoção de práticas sustentáveis, incentivo à transparência e, sobretudo, a qualidade na prestação destes serviços à população. Assim, o presente trabalho visa relatar o desenvolvimento de um data warehouse – DW (um grande repositório de dados) com a finalidade de agrupar, conferir governança e tornar os dados produzidos pela COGEP acessíveis às suas diretorias, e possibilitando que os gestores tenham assertividade na tomada de decisão, contribuindo para uma maior qualidade no atendimento da rede.
Sendo a COGEP responsável pela gestão da vida funcional dos profissionais efetivos que atuam na Secretaria Municipal da Saúde do município de São Paulo, e entendendo que uma de suas atribuições é dar diretrizes e prestar orientações técnicas às unidades descentralizadas de gestão de pessoas, o objetivo do presente trabalho é apresentar o processo de melhoria da prestação de serviços públicos em saúde através do uso estratégico da informação. O desenvolvimento de um alicerce robusto de armazenamento de dados possibilitou que todos os dados produzidos pela COGEP ficassem disponíveis e acessíveis para seus diretores para a tomada de decisão.
O trabalho consistiu no desenvolvimento de um DW que unifica todos os dados produzidos pela COGEP em um repositório, por meio de banco de dados relacionais, planilhas estruturadas ou sistemas diversos. A fundação do DW é, segundo Kimball e Caserta (2004), um processo chamado de Extract, Transform and Load – ETL, o qual força os dados a terem um padrão de qualidade e consistência. A primeira etapa do ETL consiste na extração dos dados dos sistemas de origem de forma bruta para uma área do DW chamada de staging. Os sistemas de origem considerados foram o Sistema de Informação de Recursos Humanos – SISRH, Sistema Integrado de Gestão de Pessoas e Competencias – SIGPEC, Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde – CNES, entre outros subsistemas utilizados por diretorias específicas, como o sistema de voluntários e estagiários. Com os dados já no DW, foram realizadas reuniões de articulação e entendimento junto às áreas para levantamento das necessidades das diretorias para então modelar um ou mais data marts – DM, uma espécie de miniatura do DW, focado nas necessidades de cada diretoria. O desenvolvimento dos DMs usou padrão de esquema estrela, defendido por Ralph Kimbal (2004). Todo processo de ETL foi realizado utilizando ferramentas gratuitas, pensando na continuidade e automatização do processo.
Com pouco mais de oito meses do início do projeto, o DW já está sendo utilizado pelas duas divisões do Departamento de Educação em Saúde da COGEP: a Divisão de Desenvolvimento de Carreiras e Qualidade de vida no trabalho -DDCQVT e a Divisão de Desenvolvimento e Informações Estratégicas de Gestão de Pessoas – DIGEP. As divisões já possuem ferramentas de análise de dados consumindo a partir do DW, com o objetivo de nortear a tomada de decisão de seus gestores. Na DIGEP, com o auxílio de um painel em formato de dashboard, é possível acompanhar a entrada e saída de profissionais na rede, assim como o processo de atualização do sistema SISRH de forma contínua, possibilitando que seus gestores regionais desenvolvessem ações para situações que antes não eram mapeadas, concebendo uma diminuição de inconsistências de 65% em comparação a junho de 2022. Já na DDCQVT, foi possível gerenciar os contratos dos estagiários e voluntários e seus respectivos encerramentos, de forma que o gestor agora consegue se antecipar no momento da abertura de uma nova vaga, atuar antecipadamente nos contratos que estão sendo encerrados ou quando há rescisão contratual.
O desenvolvimento do DW descrito neste trabalho representa a fundação para que os gestores possam fazer uso da informação de maneira estratégica e em benefício das políticas públicas em saúde no município de São Paulo. Todas as organizações estão produzindo dados o tempo todo, e, tão importante quanto produzir, é fazer uso dessa informação em caráter estratégico, ou seja, na resolução de problemas, no reconhecimento de padrões e comportamentos e na tomada de decisão dos gestores. Com o desenvolvimento do DW, foi possível perceber nas diretorias que já o utilizam uma mudança de mentalidade em relação aos projetos e programas que gerenciam. Além do uso da informação estratégica, o DW também automatizou atividades e rotinas que antes dependiam de trabalho manual, como a exportação de relatórios customizados juntos aos interlocutores de cada projeto ou a extração periódica de dados que possibilitaram às diretorias responderem aos órgãos de controle ou aos munícipes que utilizam da Lei 12.527/11, popularmente chamada de Lei de Acesso à Informação, de forma mais rápida e diminuindo os erros.
SISRH, informação, estratégica, extração, saúde
Raphael Werneck Ikuno, Rubens Kawabata, Elton Cristino Leal, Marcio Pompeo