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O aumento da expectativa de vida do brasileiro já é uma realidade expressiva, esperando-se que até 2026 tenhamos um quarto da população com mais de 60 anos, refletindo na necessidade de políticas e intervenções que otimizem a qualidade de vida, redução de comorbidades, impactos econômicos e sociais 1,2,3. Ainda segundo o Ministério de Saúde, embora aponte melhoria no índice de saúde, aponta dados da fragilização da população idosa inversamente proporcional á sua renda, ou seja, os idosos com menores recursos financeiros apresentam maior exposição aos riscos de desenvolver comorbidades, somando-se a fatores de baixa escolaridade e rede familiar fragilizada, encontramos em nosso território um público que corrobora com os apontamentos, refletindo em necessidade imediata de intervenção. Centralizando o tema, é basilar que políticas públicas acompanhem e essa crescente demanda, com ofertas de prevenção e tratamento acessíveis, simples e eficazes, onde seus efeitos impliquem na melhoria da qualidade de vida, autonomia, segurança e saúde do usuário.
O objetivo da pesquisa é demonstrar que o uso do Tai Chi Pai Lin e da auriculoterapia na atenção básica tem expressividade positiva na prevenção, monitoramento, controle e prognóstico dos pacientes idosos da unidade. O Tai Chi Pai Lin e a auriculoterapia são técnicas, mostram eficácia pela fidelização dos pacientes à unidade, amenizando sintomas de doenças psicossomáticas, isolamento social, limitações funcionais, promovendo orientações de alimentação saudável, incentivando a frequencia nos espaços de promoção de saúde do território e reduzindo consequentemente os agravos oriundos do processo de senescência.
Através da aplicação do instrumento de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI), é possível identificar fatores biopsicossociais que implicam direta ou indiretamente nos fatores de risco para o idoso. Neste âmbito, a equipe técnica da Unidade Básica de Saúde Águia de Haia adotou a utilização das Práticas Integrativas Complementares em Saúde (PICS) com duas frentes: O grupo semanal de Tai Chi Pai Lin 1x semana que promove a atividade física e longevidade equilibrando corpo, mente e espírito; e Auriculoterapia 10 sessões: Terapia individual e direcionada ao tratamento por estimulação de pontos específicos na orelha, não invasivo e personalizado a cada indivíduo. Para quantificar o impacto, foram realizadas no mês de dezembro/25 no grupo de Tai Chi Pai Lin participando há mais de 6 meses, 5 perguntas norteadoras dos resultados com perguntas de respostas sim ou não (1. Percebeu melhora de condição física, da dor, movimentos do dia-dia? 2. Percebeu melhora psicológica, humor, pensamentos, ansiedade ou depressão? 3. Percebeu melhora nas relações sociais e/ ou familiares? 4. Percebe melhora na percepção do futuro da saúde, e prevenção de agravos? 5. Recomendaria para outras pessoas e gostaria de mais grupos com esta proposta?), e os resultados da auriculoterapia coletados de maio a dezembro/ 25 através de registro em prontuário eletrônico. Neste levantamento, não houve uso de dados sensíveis, apenas mensuração de rotina introduzida na prática habitual do serviço
No grupo de Tai Chi Pai Lin foram 68 entrevistados entre 01/12/2025 e 15/12/2025, participantes do grupo há mais de 6 meses. 59 apresentaram melhora na autopercepção de suas condições física, 54 psicológica, 62 social, 63 relataram prevenção de agravos ou redução de uso dos serviços de urgência e emergência, e 100% recomenda a outras pessoas e gostariam de mais opções de grupos. Entre 26 pacientes que frequentaram a auriculoterapia com no mínimo 8 sessões, 22 relataram melhora do sintoma satélite, 17 melhora sono ou ansiedade, 14 melhora dos sintomas associados, 25 recomendam a outras pessoas. Estes resultados traduzem o que se acompanha na linha de cuidado longitudinal: melhora da adesão aos cuidados de saúde, satisfação com o serviço ofertado, apropriação sobre os temas de saúde e acompanhamento, prevenção de agravos e consequente melhor qualidade de vida e autonomia do indivíduo. Estes fatores imprimem o princípio de saúde pública, com técnicas acessíveis, que geram resultados palpáveis e perceptíveis ao individuo, o que a longo prazo incide na menor fragilização, reduzindo comorbidades e o gasto público, melhorando a produtividade e o autocuidado numa sociedade que envelhecendo de maneira mais digna e autosustentável.
Com o perfil epidemiológico levantado através da AMPI, verificou-se a necessidade de criar vínculo com a população pelos espaços comunitários, incentivo e benefícios de hábitos de vida saudáveis e assistência continuada em casos avaliados como saudáveis, pré frágeis ou frágeis. O recurso de ferramentas em atendimento coletivo é comum no âmbito da atenção básica, tornando o acesso rápido e direcionado as demandas. Os grupos de práticas integrativas foram estruturados como semanais, para não somente direcionar os pacientes a efeitos de curto prazo, mas fidelizar a população ao cuidado longitudinal, trabalho de educação continuada e preventiva, acompanhamento semanal, intervenção sensível e efetiva na diversidade de sinais e sintomas tratados, combatendo sedentarismo, dores crônicas, isolamento social, doenças associadas, depressão e ansiedade. Considera-se a importância de aumentar a quantidade de profissionais qualificados para otimizar as ofertas em PICS na promoção de saúde para mensurações futuras mais aprofundadas e maximizar os efeitos positivos do estudo, contudo, a saúde pública tem dado passos valiosos na aproximação e humanização do atendimento, fazendo os contornos desafiadores se tornarem possíveis e alcançáveis.
HUMANIZAÇÃO DO SERVIÇO e QUALIDADE DE VIDA
ÉRICA ARAÚJO DA SILVA