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O projeto foi desenvolvido na Estância Turística de Pereira Barreto-SP, abrangendo a Rede de Atenção Básica composta por oito equipes de Estratégia de Saúde da Família. A estratificação de risco é fundamental para o manejo eficaz de hipertensão arterial e diabetes mellitus, condições que figuram entre as principais causas de morbimortalidade local. Tais patologias são fatores de risco para desfechos graves, como doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, insuficiência renal e amputações. A iniciativa integra o Projeto Planifica SUS, focado na revisão dos processos de trabalho na Atenção Primária. O município possui um diferencial estratégico: um sistema de saúde digital consolidado há mais de 10 anos, com base de dados completa e compartilhada. Identificamos que os profissionais tinham dificuldade em distinguir rapidamente quais pacientes já haviam sido estratificados. Paralelamente, a gestão carecia de ferramentas para monitorar o progresso das metas. Para organizar o cuidado e otimizar a tecnologia disponível, o projeto estabeleceu novos fluxogramas e ferramentas de identificação visual. O objetivo é tornar a classificação de risco acessível a toda a equipe multiprofissional, permitindo priorizar os casos graves e garantir a eficiência e equidade no atendimento do SUS.
Geral: Implementar a estratificação de risco para pacientes diabéticos e hipertensos adaptando recursos já disponíveis do sistema de saúde digital municipal. Específicos:Identificar e organizar a lista de doentes crônicos por microáreas. Sinalizar visualmente no prontuário eletrônico os pacientes que aguardam classificação. Reduzir complicações e hospitalizações por meio do monitoramento intensivo dos grupos de alto risco.
A metodologia seguiu um fluxo estruturado e desenvolvido considerando passo a passo desde a chegada o paciente na Unidade até o término do atendimento utilizando o sistema de saúde digital (MV-Consulfarma Sigss). O processo iniciou-se com a extração de relatórios nominais de pacientes com hipertensão e diabetes do e-SUS, segmentados por equipe. Para sanar a dificuldade de identificação, implementou-se uma sinalização visual no prontuário eletrônico: ícones coloridos (Laranja para Diabetes e Azul para Hipertensão) contendo a letra E, indicando Estratificação Pendente. Essa sinalização permitiu a identificação imediata do público-alvo, tanto em consultas agendadas quanto em demandas espontâneas. Durante o atendimento, médicos e enfermeiros utilizaram uma calculadora de riscos integrada ao sistema para classificar o paciente em baixo, médio ou alto risco. O registro foi padronizado via método SOAP, com a inserção do CID/CIAP correspondente e de um código de procedimento específico criado para o monitoramento da produção. Ao final da consulta, a recepção atualizava o status do paciente, substituindo o ícone de pendência por etiquetas definitivas de risco. Em casos de comorbidade dupla, utilizava sinalização de cor dupla. Esse fluxo garantiu que a estratificação se tornasse um processo contínuo e visível para toda a equipe multiprofissional, otimizando o monitoramento e a gestão do cuidado.
A análise inicial da base de dados filtrou 4.379 pacientes hipertensos e 1.600 diabéticos com vínculos ativos no município. A implementação da marcação visual com o ícone E permitiu a estratificação oportuna: o aproveitamento da presença do usuário na unidade para fins de classificação, sem a necessidade de convocações específicas ou abertura de agendas exclusivas. Essa estratégia otimizou o fluxo de trabalho, integrando a estratificação aos atendimentos de rotina por meio da identificação visual rápida de pendências no prontuário eletrônico. Os dados parciais demonstram o impacto da intervenção: até o momento, foram estratificados 845 diabéticos (52,8% da meta) e 1.823 hipertensos (41,6% da meta). A gestão, por sua vez, passou a utilizar relatórios dinâmicos de acompanhamento que detalham a produção por unidade de saúde e por equipe. Essas ferramentas permitem visualizar não apenas o alcance das metas quantitativas, mas também o perfil epidemiológico local, quantificando o número de pacientes em cada nível de risco (baixo, médio ou alto). Observou-se que a visibilidade dos dados transformou a gestão clínica, migrando de um modelo reativo para um monitoramento proativo. A capacidade de identificar quem são os pacientes de alto risco, de forma nominal e por microárea, conferiu maior precisão às intervenções da Estratégia de Saúde da Família e permitiu ajustes rápidos nas unidades com menor desempenho.
A integração da estratificação de risco ao sistema de saúde digital demonstrou ser uma ferramenta estratégica para a gestão clínica, garantindo que o paciente crônico receba um olhar qualificado em qualquer ponto de contato com a rede. A utilização da sinalização visual por ícones cadastro do usuário superou barreiras de comunicação entre a equipe multiprofissional, tornando o cuidado compartilhado uma realidade prática. A robustez da base de dados municipal, consolidada há mais de uma década, foi o alicerce para que o Projeto Planifica SUS alcançasse resultados expressivos em curto espaço de tempo. Conclui-se que a tecnologia, quando aliada a fluxos de trabalho bem definidos, otimiza os recursos públicos ao permitir que a gestão identifique e priorize os casos de maior vulnerabilidade. Espera-se que a continuidade desta metodologia resulte priorização dos recursos aos pacientes que mais precisam e no fortalecimento da longevidade e qualidade de vida da população. Este modelo reafirma o papel do sistema de informação como indutor de equidade e eficiência no SUS.
Saúde Digital, Gestão de crônicos, atenção basica
PRISCILA DA SILVA, PEDRO HENRIQUE CARLOS BELLINI, VANESSA APARECIDA DA SILVA ROSA, SUZANA PRONI DE OLIVEIRA