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A dengue é uma doença de grande impacto na saúde pública no Brasil, com elevado potencial epidêmico. Em 2024, o país registrou 6.563.561 casos prováveis da doença com 6.321 óbitos. É transmitida ao homem pelo mosquito Aedes aegypti. Se infectado com o vírus, o mosquito permanece nessa condição durante toda vida, além da transmissão para os ovos pela fêmea infectada. O ciclo de ovo até mosquito adulto é de 7 dias. O mosquito voa até 100m de distância do seu criadouro, que está intra ou peridomicílio. Para se bloquear a transmissão do vírus da dengue são realizadas duas ações principais a partir da notificação de casos suspeitos ou confirmados da doença: o controle de criadouros (CC) e a nebulização (NEB). No primeiro, se remove os ovos e as larvas do mosquito e, no segundo, se elimina os mosquitos adultos. Essas ações ocorrem em área de voo do mosquito e onde ocorre a ovoposição. Para se delimitar a área onde devem ocorrer os trabalhos de CC e NEB, eram realizados círculos, com régua e compasso nos mapas a partir do caso notificado, calculando 150m de raio, e as áreas a serem realizadas as ações eram demarcadas. A epidemia de 2024 mostrou que essa operação manual era ineficaz, pois demandava tempo e uso de recursos humanos, sendo criado um sistema que fizesse esse papel. A proposta desta experiência, vigente desde fevereiro de 2025, é delimitar as áreas onde serão realizados os trabalhos de maneira informatizada, usando georreferenciamento.
Objetivo principal •Diminuir a transmissão da dengue no município Objetivos secundários •Conter a transmissão de chikungunya, •Agrupar o maior número de casos possíveis para o trabalho a ser realizado •Trabalhar maior número de casos confirmados e prováveis das doenças •Diminuir o tempo gasto na delimitação de casos de maneira manual
Os casos notificados são classificados de acordo com os critérios de definição de casos suspeitos e confirmados e a distância de um caso a outro entre: confirmados; muito prováveis (quando além de preencher o critério de caso suspeito, apresenta uma distância menor ou igual a 150 metros com um caso confirmado); prováveis (atende a definição de caso suspeito, mas não atende a distância de 150 metros de um caso confirmado); pouco suspeito (não preenche o critério de definição de caso suspeito) e descartado (por definição de caso descartado). Os casos notificados são georreferenciados e aqueles confirmados, muito prováveis e prováveis são agrupados. São traçadas áreas de 100m em torno de cada caso, formando aglomerados de círculos. Esses desenhos formam polígonos ao se desenhar as ruas em torno que serão percorridas pelos Agentes de Combate a Endemias (ACE). Em situações quando são formados muitos polígonos, para se definir quais priorizar, esses aglomerados são classificados por valores: caso suspeito de Chikungunya (valor 20); caso confirmado de dengue (valor 5) caso muito provável (valor 1). Deste modo, quanto maior o valor de um polígono, indica que a transmissão é mais importante neste local e esta área deve ser priorizada.
Em 2024, foram notificados 155.492 casos da doença, com 98.238 casos positivos. Em 2025 foram notificados 40.167 sendo 5.566 casos positivos. Em 2024 foram notificados 284 casos de Chikungunya com 133 positivos. Em 2025 foram notificados 307 casos de Chikungunya com 44 positivos. Em 2024, dos 155.492 casos notificados por suspeita de dengue, 12.819 casos foram trabalhados pelos ACE (8,24%). Considerando os casos positivos, 98,238 casos, foram trabalhados 12.819 (13,05%). Em 2025, dos 40.167 casos notificados, 9.010 casos foram trabalhados (22,43%). Dos positivos, foram trabalhados 2.979 casos (53,52%). Em 2024, dos 284 casos notificados suspeitos de chikungunya, 183 foram trabalhados pelos Agentes. Dos casos positivos, 99 (74,44%). Em 2025, dos 307 casos notificados, foram trabalhados 183 (59,61%); dos positivos, 22 (50,00%).
Os resultados demonstraram queda acentuada no número de casos de dengue e Chikungunya em 2025 em relação a 2024. Contribui para a dengue a quantidade de mosquitos vetores e de criadouros, susceptibilidade ao vírus transmissor além de índices pluviométrico e temperatura ideais. A epidemia de 2024 apresentou circulação maciça de DENV1 e DENV2. No final daquele ano iniciou-se a circulação do DENV3. O ano de 2025 também se mostrou epidêmico, mas com número de casos bem inferior a 2024. Isto pode ter ocorrido pela imunidade cruzada que permanece por 6 a 8 meses após a infecção com um sorotipo em relação a outro. Portanto, a queda observada de casos no município pode ter esta contribuição, além do trabalho realizado. Porém, considerando-se que a quantidade de vetores influencia na quantidade de casos da doença, sendo a proporção de casos trabalhados notificados, 2,7 vezes maior que em 2024 e 4 vezes maior em relação aos casos positivos, este método teve sua contribuição. Em relação a Chikungunya, em 2024 houve uma busca ativa dos casos com sorologia para dengue negativa pelo Instituto Adolfo Lutz. Os casos positivos foram trabalhados posteriormente ao resultado explicando a porcentagem trabalhada maior naquele ano em relação a 2025.
dengue, chikungunya, mosquito, georreferenciamento
TEREZA MONTEIRO RIBEIRO CARDOZO, JULIANA VIEIRA ROCHA RODRIGUES MARTINS, DIEGO PINTO DO AMARAL, VALQUIRIA ACACIA DE OLIVEIRA RIBEIRO URIAS, GEORGE LUCAS ZENHA DE TOLEDO