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A temática gravidez na adolescência – bem como a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis – constitui um substancial problema de saúde pública e social persistente ao longo dos últimos anos, mesmo com a implementação de práticas de educação sexual em ambiente escolar. Dentro das estratégias de saúde da família, é percebida pouca demanda em relação à saúde sexual dos usuários dessa faixa etária, o que pode estar ligado às barreiras relacionadas ao acolhimento da própria equipe, bem como àquelas advindas do próprio paciente – que não costuma frequentar o serviço, ou que ao demandar do atendimento devido à outras queixas, não sente-se confortável ou acolhido o suficiente para discutir sobre essa questão com a equipe.
Faz-se, então, necessário extrapolar os limites físicos da estratégia de saúde da família para alcançar esse público, visando diminuir a incidência de gravidez na adolescência e ISTS, bem como discutir demais aspectos relacionados à sexualidade desses usuários, uma vez que são um dos os agravos de saúde mais significativos e impactantes nas suas vidas nessa faixa etária.
Pautando-se diante dessa necessidade, foi realizado trabalho em conjunto com a equipe escolar do municipio, que constitui na elaboração de um questionário on-line, preenchido de forma anônima pelos alunos dos últimos anos do ensino fundamental e ensino médio, no qual foram coletadas informações a respeito de seus conhecimentos e experiências quanto à sexualidade, métodos contraceptivos e infecções sexualmente transmissíveis. Também foi solicitado que os estudantes enviassem dúvidas a respeito do tema que poderiam ser discutidas posteriormente. Após preenchimento do questionário, foi realizada reunião com profissionais médico e de enfermagem em âmbito escolar, onde foram abordados os temas: sexualidade e consentimento, gravidez na adolescência, infecções sexualmente transmissíveis, e também, respondidas as questões enviadas pelos próprios alunos, bem como dados estatísticos relacionados às respostas enviadas anteriormente.
: Foram obtidas 253 respostas, de alunos de 11 a 18+ anos, sendo a maioria deles (64,7%) entre 11 e 13 anos; Desses alunos, 54 (21,3%) já tiveram relações sexuais, sendo que 18 alunos não usaram preservativo – desses, a maioria referiu “não querer” ou “preferir não utilizá-lo”. Sobre demais métodos contraceptivos, obtivemos 20 respostas positivas quanto ao uso de segundo método, sendo o uso de pílula e os anticoncepcionais injetáveis os mais utilizados – apenas uma paciente referiu usar DIU. Das 20 usuárias de métodos contraceptivos, menos da metade – apenas 8 – foram orientadas por profissional da saúde, sendo que a maioria referia ter optado pelo método por conta própria, ou com a orientação de amigos e/ou familiares. 25 usuários referiram ter atividade sexual, mas que não utilizavam métodos contraceptivos, sendo a maioria das respostas advinda de medo de os pais descobrirem o uso do método, ou falta de orientação e/ou desconhecimento. Quanto à ISTs, a maioria dos estudantes referiu ter conhecimento, sendo HIV e sífilis as mais lembradas. Destaca-se que, dos 253 entrevistados, 88 alunos (34,8% do total), referiu que não falava com ninguém sobre sexualidade, gravidez e ISTs, sendo que dos que costumavam conversar a respeito do assunto, 80 (31,6%) discutiam o tema com amigos, e 74 (29,2%), com familiares. Apenas 6 alunos (2,4%), discutiam com profissionais da saúde; e parte significativa – 35% dos alunos – também refere que já recebeu informação errada a respeito do tema.
As respostas obtidas através do formulário corroboram a premissa de que urge a necessidade de intersetorialização do cuidado quanto à saúde sexual dos adolescentes, uma vez que há distanciamento dos mesmos com as equipes de saúde nas estratégias. É necessário que a atenção básica esteja presente também no ambiente escolar e demais locais onde os adolescentes se inserem, sendo essencial dar voz e ouvidos à esses indivíduos. Adolescentes muitas vezes por tabu, ou por desconhecimento quanto aos seus direitos e autonomia quanto usuários do SUS, têm dificuldade e até mesmo são negligenciados em relação à sua saúde sexual, o que expressa-se pela dramática da gravidez precoce, bem como o acometimento por ISTs.
gravidez; adolescência; IST; promoção; tecnologias
RENATA AMARO DO NASCIMENTO SANTOS, LILIANE LOPES FRITSKY DE SOUZA, MARTA PATRICIA STONIS DA COSTA