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O presente trabalho foi iniciado em novembro de 2023 e é fruto da experiência profissional de farmacêutica, enfermeira e técnicos de enfermagem do CAPS AD ZOI (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), em Santos-SP. Esta unidade é a única da modalidade Álcool e Drogas no município, atendendo toda a população, independente do território. De acordo com a OMS, o uso irracional ou inadequado de medicamentos é um dos principais problemas em nível mundial. Os psicofármacos são importantes no tratamento de diversas patologias e devem ser utilizadas, porém é um grande desafio promover o seu uso racional e evitar o abuso, demandando um esforço conjunto de toda a equipe técnica. A partir do processo de informatização de prontuários no município, a retirada de medicamentos no CAPS começou a ser monitorado pela equipe de farmácia e enfermagem da unidade, inicialmente focados nos pacientes com perfil de abuso de medicamentos psicotrópicos que foram convidados a algumas ferramentas de gestão compartilhada da tomada de medicamentos. Entre as principais estão: atendimentos de farmácia clínica e inclusão em processo de fracionamento de dispensação e/ou medicação assistida por equipe de enfermagem. Considerando o contexto do uso de múltiplas drogas, lícitas e ilícitas, vemos na prática a necessidade de articular um melhor uso das substâncias a fim de obter resultados melhores no tratamento e na vida dos usuários.
O objetivo desta ação é promover o uso racional de medicamentos e evitar o abuso destes por parte dos pacientes do CAPS AD ZOI em diversas condições sociais, econômicas e de saúde.
A metodologia utilizada foi relato de experiencia de prática profissional dos próprios autores no CAPS AD ZOI Santos. Foram sistematizados processos de fracionamento de medicamentos anteriormente feitos de forma intuitiva e rudimentar e adicionadas medidas de verificação em várias etapas. Os medicamentos ficam separados e armazenados na farmácia, em caixas identificadas com os dados dos pacientes (nome, prontuário, referência técnica e médica, e data de nascimento) e dos medicamentos (nome, dose, lote e validade). Foram criados ainda documentos para registrar a prescrição e a entrega. As administrações diárias são separadas em sacos selados, divididos por horário de tomada e identificados com etiquetas computadorizadas. Pacotes individuais são enviados para a enfermagem aos pacientes assistidos diariamente. Aos pacientes que levam as medicações para uma quantidade maior de dias, os pacotes são separados em quantidade suficiente para o período combinado, e enviado para a enfermagem no dia da retirada. Todos os pacientes participantes são acompanhados de perto pela equipe de enfermagem e pela farmacêutica, que fazem um cuidado conjunto.
Como resultado, logo de início já verificamos a diminuição do risco de erros na administração dos medicamentos. Observamos ao longo do processo a diminuição dos relatos de reações adversas, efeitos colaterais, e diminuíram as evidências de interação entre as diversas substâncias utilizadas. Em consequência disso, é visível a melhor organização tanto do tratamento quanto da vida social dos usuários. Os impactos das ações passaram por diferentes esferas da assistência aos pacientes do CAPS. Logo de cara notou-se um aumento dos pacientes indicados pela equipe para o cuidado medicamentoso acompanhado, mas também a possibilidade de abertura do diálogo entre a equipe para desmistificar o tema e aprofundar os conhecimentos de toda a equipe multidisciplinar sobre o efeito dos medicamentos e seus reais potenciais terapêuticos. Consequentemente houve uma ampliação da quantidade e qualidade das conversas sobre o tema com as pessoas atendidas, com aumento da aposta de gestão compartilhada da medicação. A preocupação com a assistência medicamentosa dos pacientes, no âmbito clínico e psiquiátrico se fortaleceu, melhorando conversas em rede com outras unidades de acompanhamento de saúde, como o Centro de Controle de Doenças Infectocontagiosas, UBS\\\\\\\\\\\\\\\\s e USF\\\\\\\\\\\\\\\\s. Começamos a perceber padrões de prescrições duplicadas, conflitantes e interações medicamentosas. A presença de sistemas digitais possibilitou brevidade no rastreio de exames com alterações causadas por intoxicação medicamentosa.
O sistema de informatização demonstrou-se uma eficaz ferramenta não só no controle de estoque dos medicamentos, processo já utilizado há bastante tempo pelo município, mas também no auxílio e melhoria do processo de gestão do tratamento do paciente como um todo, ajudando a diminuir o sofrimento dos usuários dos serviços de saúde da rede. Durante os atendimentos diários realizados pela equipe de enfermagem na tomada de medicamentos dos usuários são identificados prejuízos para o autocuidado, o que acabou levando ao acesso aos demais acompanhamentos de saúde, extrapolando o âmbito dos medicamentos, principalmente para pessoas atendidas que apresentam menor grau de autonomia. À medida que os atendimentos diários eram realizados foram percebidas necessidades de consultas, procedimentos cirúrgicos, auxílio em agendamentos de exames e procedimentos, e acompanhamentos em outras unidades de saúde e intersetoriais.
Uso racional, gestão compartilhada, monit. digital
ANA VIRGINIA PINHEIRO TABARELLI, TAMIRIS BRAGA NATAL, GENILZA MARIA DOS SANTOS, ALEF CARVALHO BRUM