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Envelhecer bem não é só viver mais. É viver com autonomia, acesso e cuidado contínuo. Nesse cenário, a vacinação entra como uma proteção simples, mas que depende de algo nada simples: organização do serviço, confiança e acesso no território. Na prática, a cobertura vacinal em idosos não é apenas um número. Ela reflete se o SUS conseguiu chegar onde precisa, do jeito certo, sem deixar alguns bairros, famílias ou grupos para trás. Este trabalho parte de uma pergunta bem pé no chão: quando a vacinação não alcança o idoso, isso acontece por falta de oferta, por falha de rotina, por perda de oportunidade dentro da UBS, ou porque o idoso não aceita? A auditoria proposta dá um caminho objetivo para responder isso, com indicadores e evidências que podem ser checadas. E esse trabalho visa experiências que mostrem gestão e cuidado no SUS com equidade, a partir da realidade município. A conclusão que orienta o estudo é direta: apesar do esforço para aumentar a adesão, ainda existe receio entre idosos, mas a história recente também indica que, em anos anteriores, a 1ª dose já cobriu a maioria, o que reforça que o SUS tem potência quando reduz barreiras e não desperdiça oportunidades.
Avaliar, por auditoria, a vacinação de idosos para Covid-19 na Atenção Primária, considerando cobertura, perda de oportunidade e equidade territorial, alinhado ao tema “O SUS e o Envelhecer: estratégia para uma longevidade digna e com equidade”. •Estimar a cobertura vacinal de idosos no município de São Paulo •Identificar a perda de oportunidade para vacinação.
Estudo avaliativo do tipo auditoria em saúde, Análise de dados: análise de registros de vacinação, estimando cobertura. Também se estima perda de oportunidade usando uma janela operacional: idoso elegível que teve contato com a UBS no período analisado e não recebeu a vacina, apesar de haver condição de oferta.
A auditoria evidenciou que a cobertura vacinal em idosos em 2024, sugerindo que o resultado final depende tanto da adesão quanto da capacidade da UBS de não perder oportunidades. A vacinação aparece integrada ao cuidado: checagem de carteira em consultas, vacinação em qualquer contato e uso de listas nominais para orientar ações no território. Onde isso falha, surgem gargalos clássicos: horários pouco acessíveis, pouca integração entre equipe e sala de vacina, e busca ativa irregular. População residente de idosos ≥60 anos no município de São Paulo em 2000-2025 2.097.642 idosos Referência: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/dhdat.exe?bd_pni/cpnibr.def Doses aplicadas em idosos em 2024: 97.370 idosos 1 dose Referência: Vacinometro COVID-19 Cobertura da primeira dose em 2024: 97.370/2.097.642= 4,60% Um ponto importante é que o problema não se resume a “idoso que não quer”. O estudo reforça que ainda existe receio relacionado à vacina Covid-19, mesmo após campanhas amplas. Isso aparece como barreira real, especialmente quando falta conversa simples, escuta e orientação consistente. Ao mesmo tempo, a série histórica analisada indica que, em anos anteriores, a 1ª dose alcançou a maioria da população idosa, mostrando que o sistema já teve boa capacidade de captação e entrega. Na prática, isso sugere que há um caminho factível: fortalecer rotinas de oportunidade zero perdida, combinar busca ativa com microplanejamento e ajustar comunicação conforme o território.
O que este trabalho mostra, em poucas palavras, é que equidade em vacinação não acontece por acaso. Ela aparece quando o serviço organiza oferta, protege o idoso de barreiras invisíveis e assume que território importa. Mesmo com uma grande ação para estimular a vacinação contra Covid-19 em idosos, o receio persiste. Isso exige menos discurso pronto e mais conversa real: orientar, acolher dúvidas, e criar um ambiente onde o idoso se sinta seguro para decidir. Por outro lado, os anos anteriores mostram que a 1ª dose já alcançou a maioria dos idosos, então não estamos falando de algo impossível. O SUS já demonstrou força quando combina acesso, oportunidade bem aproveitada e estratégia territorial. No ano de 2024 foi de 4,60%, que se soma aos outros anos. Como mensagem final para o COSEMS, fica a ideia prática: auditoria não é caça às bruxas. É um jeito honesto de enxergar onde o processo falha, corrigir o que é simples e proteger o que é essencial: uma longevidade digna, com equidade, começando pelo básico bem feito.
Idosos; Vacinação; Auditoria; Equidade; APS
HENRIQUE OTI SHINOMATA, LICIA LOPES FIGUEREDO, MARTA MARTINS TEIXEIRA, MEIRE LUMI YAMANAKA, ANTONIO CARLOS FRANCO, BENEDICTO ACCACIO BORGES NETO