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Dados demográficos recentes indicam que a população idosa é a que mais cresce no Brasil, sendo que em 10 anos, a população com mais de 60 anos passou de 11% para 14%, conforme indicado pelo IBGE. Em Santana de Parnaíba o envelhecimento da população segue a mesma tendência. Dados apontam que a população a partir de 60 anos subiu de 17.291 pessoas em 2010 para 38.207 em 2022. Essa nova demografia muda as demandas de Saúde. Cuidar desta população é importante, pois a falta de atenção pode gerar sobrecarga de cuidados nas atenções especializadas da saúde. As estratégias de Promoção de Saúde aos idosos para melhorar a qualidade de vida, prevenir doenças e promover um bom envelhecimento tem resultados no cuidado integral do idoso, pois reduz o impacto de doenças crônicas, melhora a autonomia e o bem-estar geral desta faixa etária. O grupo Valorizando a Vida na USA Pq. Santana nasceu da ideia de que a atenção a idosos era primordial para desafogar outras demandas da unidade e considerar o território como um lugar de vinculação e pertencimento. Era comum idosos procurarem os profissionais com queixas relacionadas à falta de relações interpessoais que provocavam movimentos poliqueixosos, sentimento de solidão e por vezes tratados como quadros depressivos. O acesso ao Centro de Convivência do Idoso, na região central, pode ser difícil pelo escasso acesso na mobilidade de parte da população, enquanto o uso da unidade de saúde por idosos é constante, criando um senso de pertencimento.
O grupo tem o objetivo de fortalecer a rede de apoio à população idosa no território e na rede de Saúde em que são acolhidos, que geralmente busca cuidados para questões de adoecimento. A proposta visa proporcionar qualidade de vida a esta população, através de momentos de convivência grupal, a fim de ampliar as trocas de experiências e favorecer ainda a vivência de um estado de bem-estar físico, emocional e social dos participantes, promovendo a manutenção da capacidade funcional e da autonomia. Desta forma, o objetivo maior desta proposta foi contribuir para um envelhecimento ativo e saudável, com o empoderamento desses sujeitos, proporcionando um ambiente onde os idosos se sintam valorizados, respeitados e conectados. Outro objetivo visado estava relacionado ao processo de fortalecimento da capacidade dos idosos de gerenciar melhor sua saúde, reduzindo visitas desnecessárias aos serviços de emergência e consultas médicas.
O grupo acontece às segundas-feiras às 10 horas com duração de 1 hora na unidade de saúde. O horário foi pensado para não interferir na dinâmica de almoço, que notou ser um horário muito importante para os integrantes do grupo. A estratégia proposta foi de grupo aberto, onde qualquer profissional do serviço pudesse encaminhar os usuários e a frequência dependia do desejo e interação dos participantes, deste modo visava-se formar um espaço onde as pessoas pudessem se reunir, para interagir, compartilhar interesses comuns e estabelecer conexões sociais de forma inclusiva e acolhedora. O grupo é conduzido por dois profissionais, sendo uma Assistente social e uma Psicóloga. A proposta era reduzir pausas por férias ou licenças, para garantir a constância e assim garantir a participação regular dos participantes, o acompanhamento próximo das demandas de saúde e a continuidade dos vínculos sociais produzidos. Para a realização do grupo foi necessário a utilização de uma sala com espaço amplo, com cadeiras e mesas, além de recursos que envolvem artesanato e material gráfico. As atividades possuíam o intuito de estimular o raciocínio verbal, visual e numérico, com o fortalecimento da imaginação e da criatividade, da memória curta e de longa duração, além de exercícios para as funções motoras. O grupo também contou com parcerias contínuas com outros profissionais, como é o caso da psiquiatria, nutrição e a geriatria, resultando em um trabalho conjunto.
O caso da Sra. R. mostra-se emblemático quando pensamos na relevância deste espaço. A Sra. R. de 72 anos havia mudado de município em 2021 para morar próximo a uma de suas filhas -após quadro de AVC e perda de algumas habilidades como a de administrar seu dinheiro por morar junto com um filho dependente de drogas. Ao chegar em Santana de Parnaíba, estava sem rede ampliada de apoio, o que a fez deprimir muito. As medicações psiquiátricas já não eram suficientes. O psiquiatra a encaminhou para o grupo. No início de seu processo encontrava-se poliqueixosa, desesperançosa, com sentimento de impotência, não conseguia circular pelo município sozinha. Passou a frequentar o Grupo e foi criando uma rede de amizades. Recebeu orientação sobre como tirar a carteirinha de transporte e foi acompanhada de uma amiga que fez nos encontros. Demonstrou uma melhora considerável de seus sintomas de modo que o psiquiatra conseguiu reduzir a quantidade de medicações prescritas. Sentindo-se potente, decidiu retornar para o município que residia, porém quando retornou, sofreu abuso por parte do ex-companheiro. Retornou à Santana de Parnaíba desolada, não contou nada a sua filha, com quem a relação sempre foi instável. Conseguiu compartilhar seu sofrimento com o grupo, que prontamente acionou a rede, agendou consulta com ginecologista, ofertou suporte emocional e social. O Grupo foi imprescindível para garantir os cuidados em saúde de forma integral desta senhora e de muitos idosos atendidos.
O processo de envelhecimento acarreta mudanças na vida da pessoa, em partes devido às perdas que são promovidas com o avanço da idade. Tais mudanças podem estar associadas a um sentimento de improdutividade que ocorre com a aposentadoria, ou ainda pelo próprio declínio de suas capacidades funcionais, o que compromete a sua autonomia. Junto da velhice vem um sentimento de solidão resultante das perdas pessoais promovidas na vida, seja por uma viuvez, por afastamento de filhos, ou pelo distanciamento de ambientes em que a interação social era mais recorrente. Todas as alterações no processo de envelhecimento acabam por promover uma ruptura na percepção de identidade, em que o sujeito envelhecido não se identifica mais com o seu corpo e as suas habilidades, deixando-o deslocado. O suporte emocional e as atividades de estímulo podem contribuir para o bem-estar dos idosos, reduzindo o isolamento social e o risco de depressão, o que por sua vez pode diminuir a busca por serviços de saúde e desempenhar papel importante na prevenção de doenças por facilitar a identificação precoce, o encaminhamento para serviços especializados e a coordenação do cuidado se necessário, contribuindo assim para uma rede de saúde mais eficiente e resiliente.
idosos, promoção e prevenção, grupo
Isabela Ana de Freitas Quero Fonseca, Mariangela de Oliveira Maciel Mocsányi, Solange Rodrigues Rossone, Valquiria de Conto, Lucia Maria Pissolatti da Silva, Maria Silvia de Almeida Mello, José Carlos Misorelli