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As Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) fazem parte da Rede de Atenção às Urgências e Emergências, tendo como finalidade concentrar os atendimentos de saúde de complexidade intermediária, compondo uma rede organizada em conjunto com a atenção primária a saúde, atenção hospitalar, atenção domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. A Vigilância Epidemiológica, por sua vez, fornece orientações técnicas permanentes para os profissionais de saúde, que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos, tornando disponíveis informações atualizadas sobre a ocorrência dessas doenças e agravos, bem como sobre os fatores que a condicionam, numa área geográfica ou população definida. Diante do cenário epidemiológico de arboviroses no Brasil, que demonstra um aumento expressivo de números de casos de dengue, com registro de mais de 200 mil casos no ano de 2024, sendo 37 mil do Estado de São Paulo, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN, a Secretaria de Saúde de Santos vem se preparando para o enfrentamento à epidemia de dengue no município. Considerando que a Rede Urgência e Emergência é a porta de entrada para casos que podem apresentar sinais de alarme, ou seja, sinais e sintomas que podem evoluir para complicações e agravar o quadro, a VE do município decidiu se aproximar das unidades de pronto atendimento de Santos: UPA Central, UPA Zona Leste e UPA Zona Noroeste.
• Aproximar a vigilância epidemiológica (VE) das unidades de pronto atendimento (Upas) do município de Santos; • Apresentar aos gestores das Upas de Santos medidas estratégicas na assistência para enfrentamento de uma possível epidemia; • Sensibilizar os gestores quanto à importância da notificação de todo caso suspeito de arbovirose, especialmente de dengue devido quadro epidemiológico atual da dengue no país, bem como alinhar os fluxos de atendimento de casos suspeitos, casos graves e óbitos; • Garantir a notificação de todo caso suspeito atendido nas Upas de Santos, com vistas à mitigação das subnotificações de casos suspeitos de dengue e de outras arboviroses; • Qualificar o atendimento de casos suspeitos de dengue nas Upas de Santos, preparando os profissionais de saúde para o enfrentamento à epidemia de dengue no município.
Em 30 de janeiro de 2024, a equipe de arboviroses se reuniu com gestores da vigilância epidemiológica (VE) de Santos para uma análise do panorama das arboviroses no município. No entanto, em relação às unidades de pronto atendimento, percebeu-se um número baixo de notificações de arboviroses no primeiro mês do ano. Realizando uma busca ativa no sistema por Cid A90 – Dengue, e por número de atendimentos nas Upas de Santos, foram identificados 103 atendimento no mês de janeiro de 2024, contudo, a VE havia recebido apenas 5 notificações das Upas de Santos. Diante dos dados apresentados, a equipe de arboviroses se reuniu com gestores das Upas de Santos, onde estiveram presentes diretores, gerentes assistenciais e representantes do serviço de controle de infecção hospitalar, do núcleo de qualidade e segurança do paciente e do núcleo de educação permanente das Upas, para fins de alinhamento de fluxos de arboviroses, bem como esclarecimento de dúvidas a respeito das notificações. A VE enfatizou sobre a necessidade de notificar toda e qualquer suspeita de arbovirose, atentando para os casos graves e óbitos, quando a notificação deverá ser realizada de forma imediata (24 horas), conforme a portaria de doenças e agravos de notificação compulsória (Portaria GM/MS n.º 217 de 1 de março de 2023). Diante do exposto, os gestores das Upas se comprometeram em rever os casos atendidos no mês de janeiro de 2024 e notificar todos os casos que estivessem subnotificados.
Após a sensibilização dos gestores das unidades de pronto atendimento de Santos quanto à importância da notificação de todo caso suspeito de dengue, em poucos dias percebeu-se que alguns indicadores melhoraram consideravelmente no que cerne ao aumento do número de notificações de arboviroses das Upas. Isto foi evidenciado através da captação das fichas de notificação realizada pelo visitador sanitário da vigilância epidemiológica de Santos, nas primeiras semanas do mês de fevereiro de 2024. Um dos fatores que mereceu destaque foi a receptividade dos gestores em receber a equipe de arboviroses da vigilância epidemiológica para uma discussão técnica sobre o atendimento de casos suspeitos de dengue, favorecendo a troca de saberes entre as equipes das unidades de pronto atendimento e a equipe da vigilância epidemiológica de Santos. Outrossim, com a realização das visitas técnicas da vigilância epidemiológica às unidades de pronto atendimento de Santos, observou-se que os profissionais de saúde estão cada vez mais atentos aos sinais de complicações dos casos, o que pode diminuir consideravelmente número de óbitos por dengue no município.
Considerando os níveis de alerta de dengue em Santos, tais como índice de infestação, número de casos notificados e/ou confirmados, casos graves e com sinais de alarme e óbitos, embora a cidade ainda não esteja na fase vermelha da doença, o município segue intensificando as ações de prevenção e controle vetorial, de acordo com o Plano de Contingência Municipal das Arboviroses Urbanas. A aproximação entre a VE e a UPA pode ser um “divisor de águas” neste momento para melhoria da assistência em saúde, além de reduzir a subnotificação dos casos de dengue na cidade. Neste sentido, como desafio, aponta-se para uma perspectiva de capacitação/qualificação de todos os profissionais de saúde das unidades de pronto atendimento, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipe especialmente de enfermagem da classificação de risco, no âmbito do manejo clínico e vigilância das arboviroses, preparando os profissionais para o enfrentamento a uma possível epidemia de dengue no município.
dengue, vigilância epidemiológica, UPA.
FABIANA LOYDE WAKAI JORGE PINHO, LUCIANA SOUZA DA ASSENÇÃO DE JESUS, WILLIAN MARQUES FIORATTI, CAROLINA OZAWA, ANA PAULA NUNES VIVEIROS VALEIRAS, ASHLEY RAQUEL VELOSO DOS SANTOS, ELOISA SANTANA DA SILVA