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A qualificação do cuidado em saúde requer práticas equitativas e inclusivas alinhadas aos princípios do Sistema Único de Saúde. No município de Santo André-SP, especialmente na região central, observa-se grande diversidade populacional e expressiva presença de pessoas trans e travestis, o que evidencia a necessidade de preparo técnico e sensível das equipes da Atenção Primária à Saúde (APS). Identificaram-se dificuldades relatadas por trabalhadores relacionadas à abordagem adequada, uso de linguagem inclusiva e encaminhamento para serviços de referência, incluindo o Ambulatório Travessias, serviço destinado ao processo transsexualizador. A experiência foi proposta pela coordenação da APS para fortalecer o letramento das equipes e qualificar o cuidado multiprofissional, ampliando o acesso e reduzindo barreiras institucionais. As ações envolvem trabalhadores de diferentes categorias e unidades, impactando diretamente a qualidade do acolhimento e da assistência prestada à população.
•Qualificar trabalhadores da APS para o atendimento humanizado e inclusivo de pessoas com diversidade de gênero; •Ampliar conhecimentos conceituais, éticos e práticos sobre identidade de gênero e cuidado em saúde; •Fortalecer práticas de acolhimento e comunicação respeitosa nos serviços; •Reduzir dificuldades e barreiras institucionais no acesso e encaminhamento para serviços de referência; •Estimular reflexão crítica sobre preconceitos estruturais e práticas discriminatórias; •Promover atuação multiprofissional integrada no cuidado à população LGBTQIAPN+; •Contribuir para a consolidação de práticas alinhadas aos princípios de equidade, integralidade e universalidade.
A iniciativa consiste em capacitações presenciais in loco realizadas mensalmente nas unidades de saúde, favorecendo adesão e contextualização das práticas. Os encontros são conduzidos por facilitadores com experiência na temática e estruturados com exposições dialogadas, rodas de conversa, estudo de casos e atividades reflexivas. Até o momento, todas as categorias profissionais da APS foram contempladas, incluindo equipes assistenciais, administrativas e de apoio. Os conteúdos abordam conceitos fundamentais, aspectos clínicos e psicossociais, comunicação inclusiva, fluxos assistenciais e encaminhamentos para a rede de atenção, dificuldades e aplicabilidade prática.
Observou-se ampliação do conhecimento e da segurança dos trabalhadores para o atendimento, evidenciada por avaliações formativas e relatos qualitativos. Destacam-se melhora na comunicação com usuários, maior uso do nome social, aumento da sensibilidade no acolhimento e maior clareza sobre fluxos de encaminhamento, especialmente para serviços de referência. As equipes relataram redução de inseguranças práticas e fortalecimento da atuação multiprofissional. Como impacto institucional, a experiência estimulou discussões sobre protocolos e organização do cuidado. Indiretamente, percebeu-se fortalecimento do vínculo entre usuários e serviços e maior percepção de ambiente acolhedor.
A experiência demonstra que ações de educação permanente realizadas no local de trabalho constituem estratégia efetiva para qualificar práticas assistenciais e promover mudanças institucionais. As capacitações mensais em diversidade de gênero fortaleceram competências profissionais, reduziram barreiras de acesso e contribuíram para construção de serviços mais inclusivos. Destaca-se o potencial de replicabilidade em outros territórios pela metodologia acessível e adaptável. Como perspectiva, prevê-se continuidade das ações, ampliação para outros pontos da rede e monitoramento sistemático dos impactos no cuidado ofertado.
Diversidade de gênero, Educação permanente.
MARCIO RENEI SILVA SANTOS, ROSEMEIRE DE ALMEIDA E SILVA CATALDI, ANA PAULA MOINO JANOTI