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Nos últimos tempos, observou-se o aumento de eventos associados aos desastres, seja de natureza ambiental, ou tecnológico, resultando em impactos e danos para a sociedade, saúde e o meio ambiente. Em 2022, foi instituído o programa VIGIDESASTRE, pelo Ministério da Saúde (Portaria nº 4.185) com a finalidade de implementar as ações de vigilância em saúde relativas à gestão de riscos de emergências em saúde pública por desastres. No Sistema Único de Saúde (SUS), as ações de vigilância em saúde para a gestão de riscos de emergências devem focar na preparação, monitoramento, alerta, comunicação, resposta e reabilitação. Garantindo uma resposta eficaz e coordenada, minimizando os impactos na saúde pública. A gestão de risco de desastres requer um trabalho intersetorial e orientado por práticas integradas, como forma de responder ao programa vigidesastre e contribuir para práticas de cuidado, prevenção e resposta no âmbito do SUS. O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) implementou o monitoramento do programa VIGIDESASTRE por meio do uso do Sistema de Acompanhamento e Gestão de Riscos Urbanos (SIAGRU) em parceria com a subsecretaria da Defesa Civil municipal. Este projeto tem a finalidade demonstrar o fortalecimento da integração entre equipes de saúde, defesa civil e comunidade através do acompanhamento sistemático de riscos como alagamentos, enxurradas, incêndios, inundações, movimentação de solo e acidentes por produtos perigosos em Guarulhos.
Promover respostas mais rápidas e efetivas frente às emergências por desastres; Fortalecer a capacidade do SUS em atuar de forma dinâmica e conectada às necessidades dos territórios; Detectar em tempo oportuno os eventos monitorados pela Defesa Civil.
Após algumas reuniões de alinhamento com a Subsecretaria de Defesa Civil, o CIEVS Guarulhos iniciou o acesso a plataforma SIAGRU em fevereiro de 2025. O trabalho foi desenvolvido a partir da análise das atividades de monitoramento realizadas pelo programa VIGIDESASTRE utilizando a plataforma SIAGRU da Subsecretaria da Defesa Civil. O sistema possibilita o acompanhamento de eventos de risco ambiental, permitindo a coleta de dados em tempo real, organização por tipo de ocorrência e georreferenciamento dos territórios afetados. A análise foi realizada pela estratificação de risco como: alagamento, enxurrada, incêndio, inundação, acidentes com produtos perigosos e movimentação de solo. Após a seleção por tipologia de risco é possível identificar cada ocorrência registrada pela Defesa Civil, por: status, endereço, descrição da ocorrência, fotos do incidente e inclusive ter acesso aos relatórios de vistoria. A partir deste acesso o CIEVS reclassifica estas ocorrências de acordo com a Avaliação de Dados de Agravos Notificados (ADAN) par que possa ser realizadas as ações “in loco” de resposta e reabilitação. Os resultados demonstrados neste trabalho são do período de fevereiro a setembro de 2025.
Dentre os casos analisados, foram identificados riscos associados a eventos de alagamento, enxurradas, inundações, incêndios e acidentes de trabalho por produto químico. Todos os casos foram encaminhados paras vigilâncias regionais do município, conforme a área de ocorrência para dentro do território, para conhecimento e providências em relação as ações de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA). Foram instruídas a fazer interlocução com as Unidades Básicas de Saúde do bairro atingido, Ação Social, Companhia de Água e Esgoto para conhecer a situação atual e alinhar ações em saúde. Ações estas de: orientações em saúde, profilaxias de doenças, notificações de surtos e investigação epidemiológica/inspeção sanitária. Com atenção as necessidades em saúde das famílias afetadas, às gestantes, crianças, idosos e portadores de deficiência e outros grupos prioritários. Para além disso, também foi solicitado verificar as condições higiênico/sanitárias dos abrigados. O desdobramento das ações para dentro do território foram além da intersetorialidade com a Defesa Civil. Ocorreram interface com a Vigilância Sanitária e também inspeções da Saúde do Trabalhador.
O monitoramento em tempo real permitiu maior precisão na identificação de áreas vulneráveis, agilidade na emissão de alertas, articulação rápida com as equipes locais de saúde e defesa civil, bem como favoreceu o acompanhamento em saúde da população afetada e acesso aos serviços de saúde do território, além de uma resposta mais efetiva e oportuna da vigilância em saúde do trabalhador, demonstrando ser uma ferramenta eficaz no monitoramento e na resposta aos desastres. A experiência do monitoramento de riscos ambientais por meio do SIAGRU, no âmbito do programa VIGIDESASTRE, evidencia como o SUS se mantém em movimento, respondendo de forma ágil e articulada às necessidades dos territórios. O acompanhamento sistemático dos desastres possibilita prevenir agravos, reduzir impactos e promover a saúde em situações de vulnerabilidade, reafirmando a saúde como processo dinâmico e vivo. O trabalho ressalta a importância da tecnologia aliada à gestão pública, fortalecendo a vigilância em saúde, a capacidade de resposta intersetorial e a resiliência das comunidades.
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FERNANDA NUNES DA MATTA CARMO, INGRID RAMOS VILAS BOAS LAUANDE, MAGDA CARVALHO DE OLIVEIRA