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A raiva é uma zoonose viral aguda grave, que acomete mamíferos, inclusive o ser humano, caracterizada por uma encefalite progressiva e aguda, com letalidade próxima a 100%. O agente etiológico é um vírus do gênero Lyssavirus, família Rhabdoviridae. No Brasil, a raiva urbana transmitida por cães e gatos, causada por variantes típicas de cães (AgV1 e AgV2), foi drasticamente reduzida graças à vacinação em massa e ao controle de focos em todo o país. O último caso de raiva em cão doméstico por AgV1 foi registrado em 2017, no Mato Grosso do Sul, e por AgV2 em 2019, no Maranhão. Hoje, a raiva em cães e gatos por essas variantes está sob controle. No entanto, cães, gatos e seres humanos ainda podem ser infectados por variantes silvestres do vírus, transmitidas por morcegos, raposas, saguis e outros mamíferos silvestres, sendo o morcego o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre. No caso dos gatos domésticos, estes são considerados como risco para a transmissão do vírus da raiva de linhagem silvestre aos humanos, principalmente devido ao seu comportamento predatório, que os expõe a morcegos. Considerando a situação epidemiológica da Raiva no estado de São Paulo, a Deliberação CIB nº 169, de 15 de dezembro de 2021, determinou o fim das campanhas de vacinação antirrábica em cães e gatos, com manutenção da vacinação em modelo de posto fixo, e reforçou a importância da manutenção da vigilância passiva de morcegos em áreas urbanas como estratégia de prevenção da do
Relatar a atividade de vigilância para detecção da circulação do vírus rábico no município de Barueri e ações desencadeadas para controle e prevenção da Raiva.
Permanentemente, o Departamento Técnico de Controle de Zoonoses de Barueri (DTCZ) realiza a vigilância de Raiva em morcegos através do recolhimento de morcegos em condições atípicas (caídos ou voando dentro de edificações). Nos anos de 2024 e 2025, foram recolhidos e enviados para diagnóstico laboratorial da Raiva, seguindo os critérios de captura mencionados, 41 e 53 quirópteros, respectivamente. Além da coleta de morcegos em condições atípicas, o DTCZ encaminha para diagnóstico laboratorial de Raiva amostras de Sistema Nervoso Central (SNC) de outros mamíferos silvestres (sagui, saruê, capivara, entre outros) que são encontrados em óbito, bem como amostras de SNC de cães e gatos que vêm a óbito apresentando sintomas neurológicos. A equipe responsável pelas atividades de vigilância da Raiva no DTCZ é composta de cinco médicos veterinários e cinco agentes de controle e prevenção às endemias, que se revezam entre as demais atividades do setor.
Nos meses de janeiro de 2024 e janeiro de 2025, o DTCZ acolheu notificações de óbito de 02(dois) morcegos em cada ano, sendo que: em 2024, 01(um) deles encontrado caído no Parque Ecológico de Barueri e 01 (um) caso em empresa no Jd. Belval; em 2025, 01(um) caso em residência no Jd. Reginalice e 01(um) caso em residência na Aldeia da Serra. A equipe técnica realizou a captura dos quirópteros e os encaminhou para o Setor de Diagnóstico da Raiva da Divisão de Vigilância em Zoonoses de São Paulo, onde as amostras resultaram positivo para o vírus da raiva. A última detecção de morcego positivo para o vírus rábico no município havia ocorrido no ano de 2016. O fato desencadeou ações preventivas, como: vacinação contra raiva de cães e gatos possíveis contactantes com os morcegos; encaminhamento para esquema vacinal pós-exposição das pessoas que manipularam esses morcegos (dois funcionários da empresa e moradores de uma das residências); bem como ação educativa casa a casa no entorno dos casos (raio de 200 metros do foco); palestras sobre o tema em escola nos dois bairros onde os morcegos foram capturados em residência; palestra para os funcionários da empresa foco do morcego positivo; elaboração de texto de alerta sobre o caso para a população para ser divulgado nas mídias oficiais da prefeitura, com ênfase no cuidado para evitar contato com morcegos, tanto de pessoas como de cães e gatos, e no esclarecimento quanto à gravidade da doença e à disponibilidade de medidas de prevenção.
A vigilância em zoonoses e a manutenção da interlocução com as demais áreas de vigilância e assistência à saúde são de fundamental importância para a saúde pública, pois favorece a detecção precoce da circulação de patógenos nos animais permitindo a implementação, em tempo hábil, das ações preventivas e de controle em humanos. No entanto, ainda encontramos algumas dificuldades na execução dessa atividade, principalmente devido a entraves e demora na publicação de textos técnicos para divulgação de alertas de risco à população quando da detecção da circulação de um agente patógeno, bem como alcance limitado dessa informação ao público. Lidamos com desafio de conscientizar a população, que se expõe ao risco de forma voluntária e espontânea ao manipular morcegos por curiosidade. Em janeiro de 2026, o Setor de Diagnóstico de Raiva da Divisão de Vigilância em Zoonoses do munícipio de São Paulo, laboratório oficial para o qual encaminhamos as amostras para diagnóstico de Raiva, limitou o número de amostras enviadas pelo município de Barueri para 05(cinco) amostras semanais, seja de mamíferos silvestres ou domésticos. O Instituto Pasteur, outro laboratório oficial e referência nacional para o encaminhamento de amostras, apresenta grande
Raiva, Vigilância de Zoonoses, Saúde Pública
PAULA DE SOUZA NUNES, LEONARDO PEIXOTO JACON, MARTA CHAVES PEREIRA DE LIMA, VICTOR LOPES DA SILVA