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O crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes impõe novos desafios ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente diante da naturalização do dispositivo e da falsa percepção de segurança. No município de São Bernardo do Campo, a Vigilância em Saúde assumiu papel protagonista na produção de diagnóstico territorial para qualificar ações preventivas no ambiente escolar. A experiência foi desenvolvida em 2025, em escola pública estadual do território da UBS Leblon, envolvendo o Núcleo em Vigilância em Saúde (NEVS), a Atenção Básica e a gestãoescolar. Participaram 485 estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, com idade entre 11 e 20 anos. Ao integrar produção de dados locais, educação em saúde estruturada e planejamento intersetorial, a iniciativa fortalece a gestão municipal do SUS, promovendo integralidade, equidade e participação institucional no enfrentamento de agravos emergentes.
Estruturar estratégia municipal intersetorial de prevenção ao uso de cigarro eletrônico entre adolescentes de 11 a 20 anos, articulando Vigilância em Saúde, Atenção Básica e rede estadual de ensino. Produzir evidências locais por meio de questionário padronizado, identificar padrão de iniciação ao uso e percepção de risco, subsidiar planejamento territorial e consolidar modelo replicável de atuação no ambiente escolar. Fortalecer a governança intersetorial e a capacidade do SUS municipal em responder a fenômenos emergentes que impactam a saúde de adolescentes.
A experiência foi conduzida pelo NEVS em parceria com a UBS Leblon e gestão escolar, mediante pactuação institucional prévia. Foram realizadas aulas dialogadas com uso de recursos visuais (apresentação multimídia, imagens ilustrativas, dados epidemiológicos e problematizações), abordando riscos, aspectos legais e impactos do uso precoce do cigarro eletrônico. Na sequência, aplicou-se questionário anônimo estruturado a 485 estudantes do Ensino Fundamental II e Médio, com faixa etária entre 11 e 20 anos. Os dados foram tabulados, analisados e estratificados, compondo diagnóstico situacional do território. Realizou-se devolutiva formal à escola, apresentando os resultados obtidos e propondo continuidade das ações preventivas com monitoramento periódico.
Dos 485 estudantes, 28,24% relataram experimentação do cigarro eletrônico. Embora haja reconhecimento parcial dos prejuízos à saúde, identificou-se minimização dos riscos e exposição precoce ao produto. A análise evidenciou circulação ativa do dispositivo entre adolescentes de 11 a 20 anos, revelando necessidade de intervenção estruturada no território. A devolutiva institucional qualificou o planejamento escolar e consolidou a parceria com a saúde, ampliando o compromisso com ações contínuas de prevenção. A experiência reposicionou a Vigilância em Saúde como produtora de evidências estratégicas para tomada de decisão no âmbito municipal.
A experiência demonstra que a Vigilância em Saúde, quando integrada à Atenção Básica e à educação, pode ultrapassar o papel tradicional de monitoramento e assumir função estratégica na indução de políticas locais de prevenção. Ao articular aula estruturada com recursos visuais, produção de dados, devolutiva institucional e proposta de continuidade, a iniciativa consolidou modelo de intervenção territorial baseado em evidências. Apresenta viabilidade técnica, baixo custo operacional e alto potencial de replicação em outras unidades escolares, configurando prática alinhada aos princípios do SUS e às diretrizes da gestão municipal.
VIGILÂNCIA EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA MUNICIPAL
MARLI DE ALMEIDA RODRIGUES, FABIANA APARECIDA TONETO PANIAGUA, IMARA MARTINS DOS SANTOS