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A intoxicação está entre as possíveis causas de acidentes trabalhistas e domésticos, representando risco tanto em crianças quanto em adultos. Dos possíveis agentes envolvidos nessas intoxicações, os produtos de limpeza estão entre as principais causas. Como exemplos de produtos utilizados para essa finalidade, podemos destacar a água sanitária, desinfetantes em geral, limpadores multiuso, desodorizadores de ambiente, polidores, dentre outros. Dentre as principais situações que podem causar intoxicação, podemos citar a mistura de 2 ou mais produtos para formar uma solução de limpeza mais “efetiva”, o acondicionamento dos produtos em embalagens que não são as originais (como garrafas PET) e a utilização de produtos de fabricação clandestina, que representam um importante problema relacionado a intoxicações no ambiente doméstico e do trabalho. No ano de 2022 foram registrados pela Seção de Controle de intoxicação( Secoi) 309 casos atendidos por intoxicação da classe dos agentes domissanitários contra 440 em 2023. Diante do aumento considerável, em Junho de 2023 a equipe do Secoi e Sevrest se uniram a CISTT (Comissão Intersetorial do trabalhador e da trabalhadora) e elaborou um projeto com enfoque na classe de trabalhadores da limpeza e conservação para contribuir no processo de prevenção aos acidentes por intoxicação através da educação permanente.
Objetivo Geral: Constituir um programa de Vigilância com foco na prevenção de intoxicação no ambiente de trabalho Objetivo Específico: -Tornar esse projeto, como um programa fixo de orientação e prevenção aos acidentes por intoxicação no Departamento de Vigilância em Saúde. – Diminuir o número de casos de acidentes por intoxicação no ambiente de trabalho – Promover palestras e debates sobre a temática para trabalhadores públicos e privados – Divulgar informação sobre compra e venda de produtos clandestinos – Expandir o programa para outras classes de trabalhadores de risco
A motivação do projeto veio pelo fato do grande número de trabalhadores da área de limpeza e conservação que temos no município de Santos e a baixa visibilidade dessa classe trabalhadora pela sociedade. Notamos que grande parte desses trabalhadores eram de edifícios, por isso, foi estabelecido a parceria entre o Sindedif, Secoi e Sevrest e a partir de reuniões em Junho de 2023 na CISTT com representantes do conselho municipal de saúde e dos sindicatos de outras categorias, estabelecemos o cronograma de eventos com foco na saúde do trabalhador e intoxicação nesse cenário. Em julho de 2023 ocorreu o primeiro evento com participação expressiva dos trabalhadores de limpeza de uma prestadora de serviços públicos e em Novembro do mesmo ano, ocorreu o segundo evento com público-alvo os trabalhadores de limpeza de condomínios, zeladores, síndicos e outras classes de sindicatos. Os eventos contaram com palestras de um profissional farmacêutico abordando os riscos dos produtos químicos clandestinos, um médico do centro de intoxicação com foco no comprometimento da saúde aos produtos saneantes, uma enfermeira trazendo os dados de acidentes de trabalho e como prevenir e uma psicóloga finalizando com auto valorização dessa classe de trabalhadores. Ao fim desses eventos, percebeu-se a necessidade de manter esse projeto e expandir para outras classes de trabalho.
Participaram do primeiro evento 69 trabalhadores de limpeza da prestadora de serviços públicos e no segundo evento 56 trabalhadores de edifícios. Compreendemos que essa ação educativa embasada na problematização do processo de trabalho em saúde, tem como objetivo a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho, tomando como referência as necessidades de saúde das pessoas e das populações, sendo assim, entendemos que os resultados serão observados com o tempo, pois toda mudança gera respostas a médio e longo prazo.
Concluimos que para garantir a proteção do trabalhador, é necessário conhecimento e informação. É imprescindível que o ambiente profissional seja seguro e que medidas preventivas sejam adotadas para minimizar os riscos e preservar a saúde dos colaboradores. Por isso, consideramos que o programa seja mantido e expandido a fim de ampliar o olhar dos trabalhadores e seus empregadores o que gradativamente resultara em menos casos de intoxicação acidental no ambiente de trabalho.
Intoxicação, saúde do trabalhador, vigilância
Letícia Preti Schleder, Janaina Silva do Nascimento, Arthur José de Farias e Souza, Ana Paula Nunes Viveiros Valerias, Rosemeiry de Lima Nemetz, Devanir Paz, Gabriela Lyra Rosa Brandalise, Marcos Estevão Calvo, Marcelo Simões Pereira