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A vigilância em zoonoses é componente estratégico da saúde pública no SUS, voltada para identificação, monitoramento e controle de agravos que transitam entre animais e humanos, com potencial impacto na saúde da população. Entre as zoonoses urbanas prioritárias estão a raiva e a leishmaniose, doenças de alta letalidade ou morbidade, cuja prevenção depende de vacinação sistemática, monitoramento laboratorial e vigilância ambiental contínua. Em São Manuel/SP, essas ações são estruturadas pela Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) e pelo programa ZooAção, um programa municipal contínuo e integrado, que articula: vacinação antirrábica, castração de cães e gatos, orientação técnica à população, resgate de animais silvestres, recolhimento de cadáveres e controle de sinantrópicos. O ZooAção atua de forma territorializada, priorizando áreas com maior vulnerabilidade epidemiológica, consolidando a UVZ como política permanente e estruturante de saúde pública. O Ministério da Saúde reforça que a vigilância permanente e territorializada é essencial para reduzir riscos sanitários, promover equidade no acesso a serviços e fortalecer a atenção primária. Nesse contexto, o ZooAção representa estratégia replicável de vigilância integrada, combinando dados epidemiológicos, ações de campo e gestão territorial para prevenção de zoonoses urbanas, o que justifica esse estudo.
Descrever a experiência do município de São Manuel/SP nas ações contínuas de vigilância em zoonoses, implementadas pela UVZ e pelo programa ZooAção, com foco em: Consolidar a vigilância de raiva e leishmaniose como política municipal permanente; Promover a territorialização das ações de vigilância, garantindo equidade no acesso; Integrar dados epidemiológicos, manejo populacional e atenção primária à saúde; Fortalecer a prevenção e controle de zoonoses de relevância urbana com enfoque replicável.
Trata-se de estudo descritivo da implementação de ações de vigilância em zoonoses em São Manuel/SP, de fevereiro a dezembro de 2025. As ações foram conduzidas pela UVZ, articuladas ao programa ZooAção, e integraram atenção primária, vigilância epidemiológica e territorialização. As atividades foram planejadas e executadas com base em dados epidemiológicos e identificação de áreas de risco, conforme recomendações do Ministério da Saúde.(gov.br) Principais ações do ZooAção e da UVZ: Vacinação antirrábica de cães e gatos em unidades e pontos estratégicos; Castração de animais como estratégia de manejo populacional; Coleta e encaminhamento de materiais para exames de raiva e leishmaniose; Orientações técnicas à população, conforme protocolos de vigilância; Recolhimento de cadáveres e remoção de sinantrópicos; Atendimento individual de cães e gatos, integrando manejo e monitoramento. Os dados foram registrados em planilhas padronizadas e analisados de forma agregada por tipo de ação e territorialidade, permitindo avaliação do alcance e efetividade do programa.
Durante o período estudado, as ações da UVZ e do ZooAção resultaram em: – Vacinação antirrábica: 2.567 doses aplicadas; – Exames laboratoriais: 23 materiais para raiva; 37 para leishmaniose; – Orientações à população: 1.046 atendimentos; – Recolhimento de cadáveres: 648 eventos; – Atendimentos individuais: 141 animais; – Castrações: 1.194 procedimentos. Estes indicadores demonstram cobertura territorial ampla, continuidade das ações e consolidação do programa como política municipal permanente, promovendo redução de riscos epidemiológicos, integração à atenção primária e equidade no acesso aos serviços de saúde preventiva.
A experiência de São Manuel/SP evidencia que a vigilância em zoonoses territorializada e estruturada é estratégica para a saúde pública, alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde e aos princípios do SUS. O programa ZooAção se destaca como instrumento permanente e replicável, integrando vacinação, castração, monitoramento epidemiológico, controle ambiental e educação sanitária, garantindo equidade no acesso, redução de riscos e sustentabilidade das ações. A consolidação da UVZ e do ZooAção fortaleceu a vigilância em saúde, demonstrando que políticas municipais contínuas são essenciais para prevenção de zoonoses urbanas e proteção da saúde humana, podendo servir de modelo para outros municípios.
Zoonoses, Territorialização, Equidade
EDUARDA GIMENES CORRÊA DE BARROS, RENATA APARECIDA MORAES ROSOLIN, LEONILDO APARECIDO RODRIGUES, OSCAR CORRÊA SANCHEZ