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Em 2017, o Brasil lançou o “Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública”, que estabelece metas adaptadas ao cenário nacional para a redução da incidência, do número de mortes e do custo catastrófico por Tuberculose (TB), a serem alcançadas até 2035. A Organização Mundial de Saúde, destaca que em 2024 a TB provavelmente voltou a ser a principal causa de morte por um único agente infeccioso no mundo, após três anos em que foi substituída pela doença do coronavírus, apontando que mais de 10 milhões de pessoas adoecem por TB no mundo, anualmente, com um aumento contínuo desde 2021. Dados preliminares do Ministério da Saúde indicam que em 2023,foram identificados 80.012 casos novos de TB no Brasil, correspondendo a uma incidência de37,0 casos por 100 mil hab. O coeficiente de mortalidade por TB que vinha decrescendo, aumentou com a pandemia da covid-19. Em 2021, o Coeficiente de Mortalidade de TB no Brasil foi 2,40 óbitos/100 mil hab. e, em 2022, 2,72 óbitos por 100 mil hab. Em 2022, o MS Pregistrou coeficiente de incidência de 54,9 casos por 100 mil habitantes, enquanto em 2023esse valor passou para 59,3 casos. Em 2024, com dados parciais coletados até novembro, o coeficiente é de 51,4 casos por 100 mil habitantes. Conhecer o perfil epidemiológico dos casos diagnosticados pelos serviços de saúde da região da Supervisão Técnica de Saúde da Penha (STS-Pe) é importante para nortear ações de planejamento para a redução e controle da doença.
Descrever o perfil epidemiológico dos casos de tuberculose notificados no ano de 2024 pelas Unidades de Saúde da STS-Pe.
Estudo documental descritivo quantitativo, realizado pela Unidade de Vigilância em Saúde Penha (UVIS-Pe), que utilizou os dados provenientes do programa TBWeb – Sistema de Notificação e Acompanhamento dos Casos de Tuberculose. A UVIS-Pe recebe a notificação de todos casos de TB atendidos pelos serviços de saúde da região da STS-Pe e digita os dados no Sistema TBWeb, sejam eles residentes ou não na região. Segundo o Censo de 2022 a região da STS-Pe tem população de 472.757 habitantes, e possui 9 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 8 Unidades em que está implantada a Estratégia Saúde da Família (ESF), 3Unidades Integradas (UBS e Assistência Médica Ambulatorial – AMA), 1 Hospital Dia, 1 Centro de Referência em DST/AIDS, 3 unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA), 1 hospital público de pequeno porte e 2 hospitais privados, totalizando portanto 28 Equipamentos de Saúde. Todos estes equipamentos de saúde realizam diagnóstico de TB, e fazem a notificação do caso, utilizando ficha padronizada pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Para este estudo foram selecionados todos casos notificados como tuberculose (todas formas),pelas Unidades de Saúde da Penha no ano de 2024.
No período delimitado para o estudo 335 casos de tuberculose foram notificados, sendo o SAE DST/AIDS Penha, a unidade notificadora com maior número casos (46 – 13,7%). Dos casos notificados 94 (28,1%) tiveram diagnóstico realizado por serviços de outra região. Houve 80 (23,9%) notificações provenientes de Hospitais, e dos notificados 223 (66,6%)residem na área da STS-Pe. Houve predomínio do sexo masculino com 236 (70,4%)notificações, a raça cor autodeclarada preta e parda foi referida por 202 (60,3%). A faixa etária de 20 a 39 anos concentrou 152 (40,4%) dos casos, a média de idade foi de 38,9 anos, sendo que a menor idade de 1ano e 1mês, e a maior 91 anos. A escolaridade não foi informada para92 (27,5%) e dos que informaram 98 (40,0%) tem até 7 anos de estudo. Entre os maiores de14 anos (317 notificados,) não há informação sobre o trabalho para 56 (17,7%), e entre os que informaram, 64 (20,2%) se declararam desempregados. Dos 320 casos que informaram ter realizado testagem para HIV, 49 (14,6%) foram positivos. Do total de casos 256 (76,4%) foram novos, 301 (89,8%) TB pulmonar, destes 90,0% tiveram diagnóstico com confirmação laboratorial. Não fizeram raio X 108 (35,9%). Em relação as comorbidades 91 (27,2%) referiram uso Drogas. Foram identificados 865 contatos, sendo que 393 (45,4%) foram avaliados. Dos casos notificados 288 (89,7%) manifestaram intenção de TDO no início do tratamento. Dos174 casos com encerramento 78 (44,8%) tiveram cura
Os casos de tuberculose em sua maioria tiveram diagnóstico nas Unidades da própria região, sendo um quarto diagnosticados em Hospitais. Predominou entre os casos notificados, o sexo masculino, os adultos jovens, a raça cor preta e parta. corroborando com a epidemiologia da doença. Um elevado número de casos sem informação quanto ao trabalho e escolaridade interferem na análise destas variáveis. Apesar da recomendação do Ministério da Saúde detestar HIV para 100% dos casos, isso não ocorreu, o exame dos contatos também ficou aquém das recomendações; já intenção de TDO está em consonância com as metas do Programa de TB. Este estudo permitiu identificar o perfil epidemiológico dos casos de TB notificados, podendo ser utilizado como instrumento para elaboração do planejamento de ações locais no enfrentamento da doença.
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, TUBERCULOSE
ROSÂNGELA ELAINE MINÉO BIAGOLINI, ALINE CASTANHEIRO RIBEIRO, IVANI XAVIER MENDES