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Os acidentes de trabalho são agravos de notificação compulsória e importantes indicadores das condições laborais no território. Em municípios de pequeno porte, a fragmentação entre Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária pode comprometer a investigação e a implementação de ações preventivas. Em Bastos (SP), município com economia fortemente vinculada ao agronegócio e à avicultura, as notificações registradas no SINAN não desencadeavam, de forma sistemática, inspeções sanitárias nos ambientes de trabalho, limitando a atuação da Vigilância em Saúde e a prevenção de novos eventos. Diante desse cenário, implantou-se um fluxo integrado entre Pronto Socorro, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária, visando qualificar o monitoramento, a investigação e a intervenção nos acidentes de trabalho, fortalecendo a gestão do SUS municipal.
Implantar, consolidar e avaliar um fluxo integrado entre Pronto Socorro, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária para qualificar o registro, o monitoramento, a investigação e a prevenção dos acidentes de trabalho no município de Bastos (SP). Busca-se fortalecer a articulação intersetorial, aprimorar a comunicação entre os serviços, ampliar a realização de inspeções sanitárias nos ambientes laborais e utilizar as notificações como instrumento estratégico de planejamento, intervenção e tomada de decisão em Saúde do Trabalhador, contribuindo para a redução de riscos ocupacionais e o fortalecimento da gestão municipal do SUS.
Relato de experiência com abordagem quantitativa e caráter interventivo, desenvolvido de janeiro a dezembro de 2025. Realizou-se diagnóstico situacional das notificações de acidentes de trabalho de 2024, identificando fragilidades no fluxo de comunicação entre os serviços. A partir desse diagnóstico, estruturou-se e pactuou-se um fluxo integrado entre Pronto Socorro Municipal, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária, com definição de responsabilidades, prazos e instrumentos de monitoramento. Uma enfermeira da Vigilância Epidemiológica foi responsável pela digitação, qualificação e monitoramento das notificações no SINAN, com apoio de um escriturário que controla o recebimento das fichas do Pronto Socorro. Na Vigilância Sanitária, a equipe de visitadores sanitários realizou investigação dos casos, inspeções nos ambientes de trabalho e contato com empresas e trabalhadores acidentados, com registro das ações no SIVISA. A coordenação do Pronto Socorro apoiou a qualificação das notificações por meio de orientações técnicas e sensibilização da equipe assistencial. O fluxo foi monitorado por indicadores de processo e resultado.
Em 2024 foram registradas 212 notificações de acidentes de trabalho, das quais apenas 27 (13%) resultaram em investigação pela Vigilância Sanitária, evidenciando baixa integração entre os setores. Após a implantação do fluxo integrado, em 2025 foram notificadas 305 ocorrências, representando aumento de 43% em relação ao ano anterior, indicando maior sensibilidade da rede assistencial e qualificação do processo de notificação. Destas, 130 (42,6%) desencadearam inspeções sanitárias nos ambientes de trabalho, com orientação às empresas, identificação de riscos ocupacionais e proposição de medidas corretivas. Observou-se fortalecimento da articulação entre Vigilância Epidemiológica e Sanitária, maior rastreabilidade dos casos e ampliação da capacidade de resposta institucional. O monitoramento sistemático permitiu acompanhar indicadores de processo e resultado, consolidando a notificação como instrumento efetivo de intervenção e prevenção em Saúde do Trabalhador.
A implantação do fluxo integrado qualificou a atuação da Vigilância em Saúde ao transformar a notificação de acidentes de trabalho em dispositivo estratégico de intervenção, planejamento e prevenção. A definição de responsabilidades, a padronização de rotinas e o monitoramento sistemático dos indicadores ampliaram a integração entre Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária e assistência, fortalecendo a governança local da Saúde do Trabalhador. A experiência demonstrou que a organização dos processos e a articulação intersetorial são estratégias viáveis e sustentáveis em municípios de pequeno porte, com impacto direto na ampliação das investigações e na adoção de medidas corretivas nos ambientes laborais. Trata-se de prática exitosa, com potencial de institucionalização e replicabilidade no âmbito do SUS municipal.
Vigilância em Saúde; Saúde do Trabalhador;
AMÉLIA CRISTINA JOANETO DE ALENCAR, NATANAEL DA SILVA VIEIRA, JÉSSICA CRISTINA DOS SANTOS NASCIMENTO, VÂNIA APARECIDA VICENTE, ANDREIA GUIRAU DE OLIVEIRA