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A sífilis gestacional persiste como um grande desafio na saúde pública no Brasil, devido ao seu elevado potencial de transmissão vertical. De acordo com o painel Sífilis em Gestantes do Ministério da Saúde, o estado de São Paulo apresenta o maior número de notificações, totalizando 144.982 casos entre 2007 e 2023. Em seguida, os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais com 102.588 e 45.587 casos, respectivamente. Nacionalmente, a maior incidência ocorre na faixa etária de 30 a 39 anos (373.006 casos), com predominância da sífilis latente (35,01%) e primária (27,43%). A distribuição dos diagnósticos por trimestre gestacional, no estado de São Paulo indica maior prevalência no primeiro trimestre (54%), seguido pelo segundo (24%) e terceiro (19%). Em resposta ao obstáculo da sífilis em gestantes e visando reduzir a transmissão vertical, o Laboratório Municipal de Sorocaba implementou um monitoramento ativo de gestantes infectadas. O controle consiste no envio de alertas individualizados através de e-mails para o Programa CMAE (Centro Municipal de Atenção Especializada) das gestantes com titulação positiva para sífilis, consideradas como “casos críticos”. Através da análise do histórico das pacientes, é possível identificar novos casos e reinfecções pela doença, possibilitando, a orientação das unidades de saúde na busca ativa, e reforçando a importância do acompanhamento adequado e oportuno das gestantes, a fim de prevenir complicações materno-infantis.
Objetivo Geral: Intensificar o monitoramento da sífilis em gestantes pelas unidades de saúde, através da vigilância laboratorial realizada pelo Laboratório Municipal. Objetivos Específicos: •Monitorar as gestantes diagnosticadas com sífilis, identificando novos casos e possíveis reinfecções. •Enviar notificações individualizadas para as unidades de saúde e para o Programa CMAE dos casos críticos. •Facilitar a busca ativa das gestantes com aumento de titulação no VDRL (Venereal Disease Research Laboratory), garantindo intervenção oportuna. •Contribuir para o aprimoramento das estratégias de vigilância laboratorial na prevenção da sífilis congênita.
O estudo baseia-se no monitoramento laboratorial de gestantes diagnosticadas com sífilis no município de Sorocaba, com foco na identificação precoce de novos casos e reinfecções para prevenir a transmissão vertical. A avaliação dos critérios é constituída a partir do histórico de exames registrados no sistema do Laboratório Municipal, no qual, permite a detecção de gestantes com aumento de duas ou mais titulações no VDRL, sendo indicativo de possível reinfecção ou falha terapêutica. Os casos considerados críticos são comunicados individualmente por e-mail às unidades de saúde responsáveis e ao Programa CMAE, garantindo que as equipes multiprofissionais sejam alertadas a realizar a busca ativa e o acompanhamento adequado das pacientes. Esse processo possibilita intervenções oportunas, assegurando que as gestantes recebam tratamento adequado no momento correto. A metodologia empregada, reforça o papel da vigilância laboratorial no enfrentamento da sífilis congênita, contribuindo para o fortalecimento das ações de controle e prevenção da doença.
No último quadrimestre de 2024, foram realizados 3.783 exames em gestantes no Laboratório Municipal de Sorocaba, resultando em 150 notificações de sífilis. Destas, 10 gestantes (6,67%) apresentaram aumento de duas titulações no VDRL, indicando possível reinfecção ou falha no tratamento. No mesmo período, foram notificados 61 lactentes com titulação reagente para a doença. Dentro desses, 1 paciente (1,64%) apresentou titulação de 1/16, 3 pacientes (4,92%) apresentaram a titulação de 1/8, 15 (24,59%) apresentaram 1/4, 17 (27,87%) obtiveram titulação de 1/2 e 25 (41%) manifestaram titulação de 1/1. Embora o estudo ainda esteja em fase inicial, os dados evidenciam a importância do monitoramento laboratorial na identificação precoce de casos de sífilis em gestantes e lactentes. O acompanhamento contínuo permitirá, futuramente, avaliar o impacto dessa estratégia na redução da transmissão vertical da doença.
O monitoramento laboratorial das gestantes com sífilis pelo Laboratório Municipal de Sorocaba tem se mostrado uma estratégia fundamental para a vigilância e prevenção da transmissão vertical. A análise dos exames permitiu identificar casos de possível reinfecção, possibilitando a comunicação imediata às unidades de saúde e ao programa CMAE para a busca ativa e intervenção precoce. Os resultados preliminares indicam a relevância desse acompanhamento, especialmente diante do número de gestantes notificadas e da variação nas titulações observadas em lactentes. No entanto, por se tratar de um estudo em fase inicial, ainda não é possível avaliar seu impacto na redução da transmissão vertical. A continuidade dessa abordagem, aliada ao fortalecimento da notificação e do acompanhamento das pacientes, pode contribuir significativamente para o controle da sífilis congênita. Estudos futuros serão essenciais para avaliar a efetividade dessa estratégia na redução de novos casos.
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