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O Aedes aegypti é vetor de arboviroses como dengue, zika e chikungunya, constituindo relevante problema de saúde pública no Brasil e no estado de São Paulo, com impacto na morbimortalidade, custos assistenciais e sobrecarga dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O controle do vetor depende principalmente da eliminação de criadouros no ambiente domiciliar e comunitário, demandando corresponsabilização da população e atuação intersetorial. A mobilização social, especialmente de crianças e adolescentes, é estratégia prioritária da Vigilância em Saúde, considerando seu potencial como multiplicadores de informação no território. A territorialização das ações fortalece a vigilância participativa, em consonância com a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS) e a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). Estratégias educativas lúdicas e participativas promovem protagonismo juvenil, aprendizagem significativa e mudança de comportamento. A experiência configura inovação em vigilância e tecnologia social de baixo custo, sustentável, replicável e alinhada às diretrizes do SUS, justificando-se como estratégia estruturante de educação em saúde e fortalecimento da vigilância territorial.
Relatar a experiência de mobilização social, educação em vigilância e comunicação em saúde em uma escola do município de Bastos, por meio de gincana educativa voltada ao combate do Aedes aegypti, sensibilizando estudantes para inspeção, identificação e eliminação de criadouros no domicílio, na escola e na comunidade. Fortalecer ações preventivas territorializadas no SUS, estimular protagonismo juvenil, vigilância participativa, corresponsabilização comunitária e articulação intersetorial, com potencial de replicabilidade, sustentabilidade e institucionalização como tecnologia social no âmbito da PNVS e PNAB, estimulando a adoção da metodologia por outras escolas do território.
A ação foi desenvolvida a partir de fevereiro de 2025, por meio de parceria intersetorial entre o Setor Municipal de Vigilância em Saúde, Atenção Básica, Agentes Comunitários de Saúde e a Escola São José, envolvendo alunos do ensino fundamental. A metodologia seguiu princípios da PNVS e PNAB, com abordagem territorializada, participativa e educativa. Os estudantes foram organizados em sete grupos e participaram de gincana temática com atividades educativas sobre ciclo de vida do vetor, identificação de criadouros, territorialização do risco, vigilância participativa e práticas de eliminação de focos. Cada grupo produziu vídeo educativo com mensagens preventivas, divulgado em redes sociais como estratégia de comunicação em saúde e tecnologia social digital. Os critérios de avaliação incluíram número de visualizações, criatividade, conteúdo técnico e participação comunitária, com incentivos pedagógicos aos vencedores para estimular engajamento. As gravações ocorreram em domicílios, escola e espaços comunitários, com apoio dos Agentes Comunitários de Saúde, fortalecendo a integração entre vigilância, atenção básica, educação e comunidade. A estratégia utilizou recursos existentes, com custo operacional mínimo, favorecendo sustentabilidade, escalabilidade e replicabilidade.
Os estudantes apresentaram elevado engajamento, protagonismo juvenil e participação ativa na produção dos vídeos educativos, ampliando a percepção de risco e o conhecimento sobre prevenção das arboviroses. O vídeo vencedor na categoria maior número de visualizações alcançou 10.300 acessos, sendo incorporado como material educativo pela comunidade escolar, equipes de saúde e ações territoriais de vigilância. O vídeo vencedor na categoria criatividade também foi utilizado em atividades educativas, estimulando inovação em comunicação em saúde. Observou-se maior envolvimento de estudantes, familiares e comunidade escolar na inspeção e eliminação de criadouros, fortalecendo a corresponsabilização comunitária. A iniciativa estimulou outras escolas do município a iniciarem apresentações de vídeos educativos produzidos por crianças, com exibição na escola e para os pais, ampliando o alcance da mobilização social e da vigilância participativa. A metodologia demonstrou alta replicabilidade, simplicidade operacional, baixo custo e potencial de institucionalização no SUS.
A gincana escolar demonstrou-se estratégia eficaz de mobilização social, educação em vigilância e comunicação em saúde, promovendo protagonismo estudantil, participação comunitária e disseminação de informações preventivas no território. A articulação intersetorial entre Vigilância em Saúde, Atenção Básica, Educação e Agentes Comunitários ampliou o alcance das ações, alinhando-se aos princípios do SUS e às diretrizes da PNVS e PNAB. A experiência evidencia que metodologias participativas e lúdicas configuram inovação em vigilância, com potencial de sustentabilidade, institucionalização e replicação em outros territórios, especialmente em municípios de pequeno e médio porte. A iniciativa contribui para a vigilância territorial participativa, integrando educação, atenção básica e controle vetorial em abordagem intersetorial inovadora e custo-efetiva.
Mobilização Social; Aedes aegypti; Intersetorial
AMELIA CRISTINA JOANETO DE ALENCAR, ANDREIA GUIRAU DE OLIVEIRA, LEILTON PEREIRA DOS SANTOS