Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Unidade de Vigilância em Saúde (UVS) de São Mateus, reconhecendo o ambiente escolar como espaço estratégico para a promoção da saúde, desenvolveu uma ação educativa focada na prevenção de arboviroses e controle de animais sinantrópicos. A justificativa reside na necessidade de fortalecer o SUS municipal através de ações intersetoriais (Saúde e Educação) que transformem a percepção da comunidade sobre os riscos ambientais. A experiência ocorreu em outubro de 2025 na EMEF Coelho Neto, abrangendo 120 crianças na faixa etária de 09 a 11 anos. A escolha deste público-alvo é estratégica, pois crianças nesta fase possuem alto potencial de replicação de conhecimento em seus domicílios. O projeto justifica-se pela relevância epidemiológica da região e pela necessidade de métodos pedagógicos ativos que envolvam o território, beneficiando não apenas a comunidade escolar, mas todo o entorno da unidade, ao reduzir potenciais focos de proliferação de vetores e incidentes com animais sinantrópicos.
Capacitar estudantes para a identificação e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti; Promover o conhecimento sobre o ciclo de vida e riscos de animais sinantrópicos. Sensibilizar os alunos sobre a corresponsabilidade no cuidado com o território; Demonstrar de forma prática a biologia de animais sinantrópicos para prevenção de acidentes; Formular o pensamento crítico sobre a relação entre saneamento, meio ambiente e saúde pública; Transformar os alunos em agentes multiplicadores de boas práticas sanitárias em suas residências e na comunidade de São Mateus.
A ação foi conduzida pela equipe de Vigilância Ambiental da UVIS São Mateus na EMEF Coelho Neto. A metodologia dividiu-se em três etapas integradas: 1) Exposição Dialogada e Demonstrativa: Utilização de mostruário biológico de animais sinantrópicos, permitindo que as 120 crianças visualizassem as características físicas e comportamentais de vetores e animais de importância em saúde; 2) Oficina de Prevenção: Debate sobre o ciclo do Aedes aegypti e os perigos da dengue, zika e chikungunya, com orientações lúdicas sobre cuidados domiciliares; 3) Vistoria Prática Preparada: Sob supervisão técnica, as crianças participaram de uma caça aos focos nos ambientes da escola. Durante a atividade, aprenderam a identificar recipientes inservíveis, acúmulos de água e realizaram a eliminação direta de criadouros ou o isolamento dos mesmos. A atividade contou com o apoio pedagógico dos professores da unidade escolar e agentes de combate a endemias.
A ação resultou na capacitação direta de 120 alunos, que demonstraram domínio técnico na identificação de criadouros durante a vistoria escolar. Observou-se um elevado engajamento qualitativo: os estudantes relataram surpresa ao identificar focos em locais antes ignorados. Quantitativamente, a escola passou por uma varredura completa, eliminando potenciais riscos de infestação. O resultado mais significativo foi o fortalecimento do vínculo entre a UVIS e a comunidade escolar, estabelecendo um fluxo de comunicação para vigilância participativa. A avaliação pós-atividade indicou que os alunos compreenderam a diferença entre animais da fauna urbana e os riscos associados à falta de manejo ambiental. A experiência demonstrou que a educação em saúde é uma ferramenta de baixo custo e alto impacto na redução de indicadores de infestação predial a longo prazo.
A experiência na EMEF Coelho Neto reafirma a importância da Vigilância Ambiental atuar além da fiscalização, focando na educação preventiva. Conclui-se que o envolvimento de crianças de 09 a 11 anos é eficaz, pois o aprendizado prático (aprender fazendo) gera uma mudança de comportamento imediata. As reflexões durante o processo destacaram a necessidade de continuidade dessas ações intersetoriais para manter a escola como um território livre de focos. As expectativas para o futuro incluem a expansão deste modelo para outras unidades da rede municipal de ensino em São Mateus e a criação de um calendário fixo de vistorias lideradas pelos próprios alunos (Vigilantes Mirins). A vivência demonstrou que o SUS se fortalece quando a vigilância ocupa os espaços sociais e promove a autonomia da população no cuidado com o seu habitat, transformando a teoria epidemiológica em prática cidadã.
Educação em saúde - criança - arboviroses
CAROLINA PALOPOLI PEREZ, CARLOS ROBERTO DE MORAES JUNIOR