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A violência contra a pessoa idosa constitui grave problema social e de saúde pública, relacionado às desigualdades estruturais e à negação de direitos humanos. No Brasil, o envelhecimento populacional impõe desafios crescentes aos serviços do SUS, especialmente no que se refere à identificação e ao enfrentamento das violências, que ocorrem, em sua maioria, no ambiente domiciliar e de forma silenciosa. Essa realidade impacta diretamente a autonomia, a dignidade e a qualidade de vida das pessoas idosas, exigindo respostas qualificadas e intersetoriais. A experiência foi desenvolvida na Unidade de Referência à Saúde do Idoso (URSI) Santana/Jaçanã, tendo como público-alvo pessoas idosas em acompanhamento e seus familiares/cuidadores. A iniciativa reforça a importância do Serviço Social na identificação precoce das situações de violência, no fortalecimento de vínculos e na garantia de direitos no âmbito do SUS.
Implementar estratégias de identificação e enfrentamento da violência contra a pessoa idosa no âmbito da URSI, por meio da atuação do Serviço Social. Buscou-se identificar precocemente situações de violência, qualificar o atendimento às pessoas idosas, fortalecer vínculos familiares e comunitários, sensibilizar cuidadores e articular a rede de proteção social para garantia de direitos e promoção da dignidade da pessoa idosa.
A experiência caracteriza-se como um relato de prática profissional desenvolvido pelo Serviço Social da URSI Santana/Jaçanã. As ações envolveram atendimento social individual e familiar, escuta qualificada e articulação com a equipe multiprofissional. Foi elaborado e aplicado um Protocolo de Rastreio Social, composto por instrumentos de avaliação das relações familiares, funcionalidade, sobrecarga do cuidador e identificação de sinais de violência. O processo incluiu análise dos casos, orientação às pessoas idosas e familiares, encaminhamentos à rede de proteção e acompanhamento contínuo, garantindo abordagem acessível, ética e humanizada.
A aplicação do Protocolo de Rastreio Social possibilitou a identificação precoce de situações de violência, muitas vezes não verbalizadas pelas pessoas idosas. Observou-se maior conscientização sobre direitos, fortalecimento do vínculo entre usuários e serviço e ampliação da adesão ao acompanhamento social. Os atendimentos favoreceram a redução de situações de negligência e abuso, qualificação das intervenções intersetoriais e maior articulação com a rede socioassistencial e de saúde. A abordagem lúdica e acessível contribuiu para o empoderamento das pessoas idosas, promovendo reconhecimento das violências e busca ativa por proteção.
A experiência evidencia que a violência contra a pessoa idosa é um fenômeno complexo, que exige ações contínuas, integradas e interdisciplinares. A atuação do Serviço Social, aliada ao uso de instrumentos de rastreio social, mostrou-se fundamental para a identificação das violências, fortalecimento de vínculos e garantia de direitos. A expectativa é ampliar e qualificar a utilização do protocolo, fortalecer a articulação com a rede de proteção e consolidar práticas que contribuam para a prevenção da violência e a promoção da dignidade da pessoa idosa no SUS.
Violência; idoso; saúde pública; SUS; Serv Social
HELLEN GOULART ORLANDI, THABATA CRUZ BARROS ZUQUI