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A violência contra a mulher pode ser definida como qualquer ação que provoque morte ou dano físico, psicológico e sexual à vítima, e é considerada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) um problema de saúde pública e uma grave violação aos direitos humanos. Os profissionais de saúde têm um papel importante na identificação e condução das pacientes vítimas de violência, pois o serviço de saúde é comumente o primeiro ambiente no qual a mulher recorre. Desta maneira, o Hospital e Maternidade Amador Aguiar, que atua no atendimento às mulheres e gestantes em Osasco, é uma das referências dentro do município para o atendimento à essas mulheres. A abordagem no âmbito hospitalar oferecida à essa mulher deve ser voltada para promover o acolhimento, segurança, respeito, reduzindo ou eliminando a vulnerabilidade à violência e promovendo a saúde e os direitos de cidadania. A instituição, preocupada com os impactos causados na saúde física e mental dessas mulheres, e em busca de uma assistência qualificada e humanizada, visando o controle e o tratamento dos agravos decorrentes de violência sexual, e com o objetivo de oferecer uma atenção integral e multiprofissional a estas pacientes, instituiu um protocolo às vítimas de violência para o atendimento à essa população.
Descrever o processo de construção e implantação do protocolo de atendimento às mulheres e crianças do sexo feminino vítimas de violência sexual, com organização e humanização do atendimento.
O desenvolvimento e implantação do protocolo para atendimento às mulheres e crianças vítimas de violência sexual contou com os esforços da equipe multiprofissional da instituição. Para a elaboração e implantação do protocolo, foram desenvolvidos fluxos de atendimento, reorganização do setor de pronto atendimento e capacitação da equipe multiprofissional. Para o atendimento às pacientes vítimas de violência, elencou-se a sala 2 de Classificação de Risco do Pronto Socorro, a fim de garantir um atendimento humanizado, acolhedor e respeitoso, em ambiente reservado. O atendimento é realizado pelo médico e enfermeiro simultaneamente a fim de evitar que a paciente repita o relato nas várias fases necessárias de atendimento. A sala foi estruturada com mesa ginecológica, poltrona, cadeira para acompanhante, evitando o deslocamento da mesma dentro do pronto socorro. No caso de solicitação de cardiotocografia e ultrassom, a equipe é acionada para que este seja realizado na mesma sala. A paciente permanece nesta sala até a alta médica ou internação, se necessário. A presença de acompanhante é facultativa, de acordo com a solicitação da paciente ou percepção da equipe que está prestando atendimento, que deve estar atenta aos sinais de presença do possível agressor. Alguns procedimentos são obrigatórios, e estão descritos no protocolo, como a notificação compulsória, solicitação de exames laboratoriais, e profilaxia de doenças sexualmente transmissíveis, entre outros.
Após a implantação do protocolo, podemos observar que a equipe de enfermagem apresentou maior adesão aos fluxos estabelecidos, colaborou com a organização da sala e na vigência de paciente vítima de violência, realiza os possíveis remanejamentos necessários para a disponibilização da sala 2. Em contrapartida, a equipe médica ainda apresenta dificuldade no atendimento compartilhado e seguimento dos fluxos. A sensibilização da equipe para um atendimento humanizado, livre de quaisquer julgamentos está sendo reforçado e trabalhado em toda equipe multiprofissional. Procedimentos como notificação compulsória, solicitação de exames e prescrição de medicamentos profiláticos estão sendo realizados.
A elaboração e implantação do protocolo de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual, mostra a preocupação da diretoria da instituição em oferecer um atendimento adequado à essas pacientes, de maneira organizada, rápida, segura e respeitosa, com um acolhimento diferenciado. É necessário ainda, trabalhar o empoderamento do enfermeiro do Pronto Socorro em relação à abordagem com a equipe médica para seguimento dos fluxos estabelecidos. Já em relação aos médicos, é importante e prioritário conscientizar que o atendimento compartilhado em sala específica é fundamental para a agilidade no processo e o ponto inicial para um atendimento humanizado. A implantação do protocolo foi o primeiro passo com um olhar voltado ao atendimento à essa população. Vale ressaltar que o seguimento dos fluxos, acolhida, a capacidade de escuta, a garantia de sigilo e o respeito às escolhas são condutas que precisam ser rotineiramente trabalhadas com a equipe multiprofissional.
Violência contra mulher, Acolhimento, Humanização
MAYLA PEREIRA DONON, VANESSA SANTOS, NILVÂNIA CARZOLA IECKS DOS ANJOS