Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Com o avanço da tecnologia, alguns médicos passaram a depender das tecnologias e dos exames complementares como estratégia de atendimento. Para esses, as tecnologias desempenham papel mais importante do que a atuação do médico. Entretanto, o bom diagnóstico pode ser feito apenas pela anamnese e por meio de uma boa relação entre o médico e o paciente. Alguns autores afirmam que acima de qualquer atitude, o médico precisa focar menos na doença e mais no doente, que é a razão da sua existência profissional. Empatia, para D’andrea (1980) apud Boemer (1984), é a compreensão do outro dentro do seu próprio esquema, apreciação de como ele se sente internamente, como as coisas são para ele, não querendo isto dizer que os sentimentos e dificuldades do indivíduo passem a pertencer a quem deseja compreendê-los. É o reconhecimento, pelo médico, dos sentimentos, emoções, desejos, conflitos e ansiedades existentes por trás dos sintomas do doente, como se fossem seus, embora sem tê-los experimentados pessoalmente. Desse modo, a empatia pode ser considerada como uma identificação intelectual, em contraposição a uma identificação afetiva. O desenvolvimento de empatia na graduação médica pode ajudar ao futuro profissional a estabelecer uma boa relação médico paciente.
a.Promover o desenvolvimento de habilidades técnicas de observação ativa e de entrevista aos estudantes de medicina, assim como o manejo dos aspectos subjetivos que atividade clínica pode desencadear. b.Dimensões da observação: cobrir impressões obtidas através das observações dos acadêmicos nas necessidades de saúde do usuário SUS durante a visita domiciliar. c.Estratégias para observação de campo: desenvolver habilidades de observação e atenção, ver o que há para ver e ouvir o que há para ouvir. Atenção ao separar detalhes do trivial para alcançar seus objetivos. d.Estratégias de entrevista e escuta: possibilitar a prática da escuta ativa, bem como do manejo na busca por informações que são relevantes para o quadro clínico do paciente. e.Identificar a presença de sentimentos como o da empatia e o impacto desses sentimentos na construção da relação médico-paciente.
Visitas domiciliares com estudantes do 2º período do curso de graduação em medicina. Roteiro de observação: a)Conhecendo prévio do paciente a ser visitado. Leitura do prontuário e identificação com a equipe de saúde que já acompanha o paciente. b)Caracterização da residência do usuário. c)Durante a visita: situação atual de vida. Como o paciente está hoje, frente ao seu quadro clínico/enfermidade. Tipo de repercussão sobre sua vida, de seus familiares, social e profissionalmente. d)Antecedentes. Perguntar sobre infância, adolescência, fase adulta, suas características evolutivas, aspectos de maior importância no desenvolvimento, de acordo com a visão e o sentir do paciente. Procurar correlações sociais, familiares, profissionais que possam contribuir para o atual estado do paciente. e)Atendimento ao paciente. Relatar a participação do paciente no seu tratamento. Como esperava e como recebe o atendimento, forma como colabora, crédito nas medidas terapêuticas, envolvimento com a equipe que o atende, sentimentos e emoções diante das orientações. f)Interação relacional aluno-paciente – avaliação crítica final. Descrever como se sentiu diante da recepção por parte do paciente em sua residência, seu próprio sentimento diante da doença, da personalidade e do jeito de ser do paciente. É importante para o aluno, descrever o processo empático vivenciado na relação, fluidez da(s) entrevista(s), o envolvimento afetivo que aconteceu durante todo o atendimento.
A maioria dos estudantes que participou da atividade manifestou o sentimento de empatia pela condição do paciente durante a visita domiciliar. Alguns incluíram a necessidade de conversar sobre esse sentimento com o preceptor e com colegas, como forma de elaborar o que estavam sentido. O interessante é que a maioria declarou que a atividade colaborou para a identificação da empatia, que resultou em uma vontade de ajudar o paciente e com isso, a relação boa médico-paciente foi estabelecida e evidenciada.
Atividades práticas que possibilitem aos estudantes de medicina o contato com os pacientes da Atenção Básica podem ajudar a construir uma boa relação médico-paciente, que é um tema tão importante na futura atuação profissional, por meio de identificação e aplicação do sentimento de empatia. Nesse contexto de aprendizagem, o estudante conta com uma equipe de professores e preceptores que o auxiliam na reflexão crítica d conteúdos teóricos e no manejo das emoções que aparecem na prática, considerando que essa reflexão e o manejo são importantes componentes da prática médica.
Empatia, visita domiciliar, atenção básica, aluno
ALINE CACOZZI, YASMIN DUARTE