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O nascimento prematuro pode ser visto como um evento estressante para todos os membros da família do bebê, gerando impactos tanto para os genitores como para os irmãos. A hospitalização em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é considerada uma experiência desafiadora, que gera repercussões variadas sobre o recém-nascido e sua família, causando mudanças na dinâmica familiar. Para os irmãos, tal vivência pode afetar na construção e/ou fortalecimento do vínculo afetivo com o recém-nascido (RN), visto que eles são privados parcialmente ou totalmente de ver, tocar, falar e interagir com o bebê durante esse período. Neste contexto, o Método Canguru surge como uma política nacional de promoção à atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso. Dentre as diversas ações propostas no método, destaca-se o acolhimento aos pais e demais familiares do bebê, incluindo os irmãos. No caso de irmãos, a visitação do RN em Unidade Neonatal pode ser uma alternativa que proporciona o contato com o bebê, além de gerar outros benefícios, como um maior entendimento sobre a hospitalização, fortalecer o vínculo e garantir maior adaptação emocional à situação. Este relato descreve a experiência da equipe de psicologia do Hospital Municipal e Maternidade Amador Aguiar nas UTIN e Unidade de Cuidados Intermediários (UCINCo), com a retomada das visitas de irmãos, após a pandemia de COVID-19. Tal prática tem como base a PORTARIA Nº 1.683, DE 12 DE JULHO DE 2007.
A visita monitorada de irmãos em Unidade Neonatal tem como objetivo promover a atenção humanizada ao recém-nascido internado e à sua família, favorecendo o fortalecimento do vínculo afetivo e o processo de adaptação à situação hospitalar. A proposta busca assegurar o direito da criança ao convívio familiar, minimizando o impacto emocional da separação e promovendo o acolhimento de todos os membros da família. A visitação de irmãos pode ser uma estratégia utilizada pela equipe multiprofissional para facilitar a compreensão da dinâmica hospitalar, apoiar o processo de ressignificação da experiência e reduzir sentimentos de exclusão e ansiedade nos demais membros da família. Essa abordagem contribui para a saúde emocional e o bem-estar tanto do recém-nascido quanto dos familiares, garantindo um atendimento integral e humanizado.
Trata-se de relato de experiência sobre visitas de irmãos às UTIN e UCINCo, após a pandemia de COVID-19, nos anos de 2023 a 2024. As informações foram levantadas do livro de registro de atendimentos do serviço de psicologia do HMAA. Com a sensibilização da equipe sobre a importância das visitas para o desenvolvimento emocional e vínculo familiar, juntamente com a diminuição dos casos de COVID-19, retomou-se a visitação de irmãos em 2023. Decidiu-se divulgar às mães de UTIN e UCINCo a possibilidade de visita monitorada de irmãos. Tal ação poderia ocorrer mediante prévio agendamento com o setor de psicologia. No dia da visita, as crianças eram avaliadas, observando a compreensão do contexto em que o RN estava inserido, desejo de conhecer o irmão e crenças sobre o ambiente hospitalar. Após as dúvidas serem sanadas, eram acordadas as regras da unidade. Em seguida, crianças e seus responsáveis eram orientados a higienizar adequadamente as mãos e utilizar máscara facial fornecida. Durante a visita, as crianças e seus pais eram incentivados a interagir com o bebê, respeitando às limitações impostas pelo quadro clínico. A psicóloga permanecia próxima à família, observando o desenrolar da visita, acolhendo dúvidas, fornecendo informações e mediando o contato. Ao final, os visitantes eram questionados sobre suas impressões e emoções, ofertado acolhimento aos conteúdos apresentados e posto o serviço de psicologia à disposição.
Durante os anos de 2023 e 2024 foram realizadas 89 visitas à 57 bebês, sendo que, alguns foram visitados mais de uma vez. O máximo de visitas recebidas por RN foi quatro vezes. A frequência pode estar relacionada ao tempo de permanência em UTIN/UCINCo, assim como, a organização da família para comparecimento dos irmãos. Os visitantes foram irmãos de ambos os sexos, com idades entre 01 e 22 anos. Cada RN recebeu entre 01 e 4 irmãos. De modo geral, foram trazidos pelos pais, porém eventualmente vinham acompanhados pelos avós paternos ou maternos. Apesar de informados sobre a possibilidade de visita, as demandas eram espontâneas, partindo em seu maior número das genitoras. Percebeu-se que a visitação de irmãos teve um impacto positivo para todos os envolvidos. No caso do irmão, esta interação, na maioria das vezes, tratou-se do primeiro contato realizado com o RN. Além do estreitamento do vínculo entre os irmãos, percebeu-se também que a visitação contribuiu para um maior entendimento da situação de internação do bebê, da ausência da mãe e da mudança na rotina da família, diminuindo sentimento de ansiedade e dúvidas, que era apresentada pelos irmãos. Também como resultado positivo, foi percebido que os genitores demonstraram satisfação ao presenciar o encontro dos filhos, muitas vezes muito aguardado por toda família. Como efeito secundário, foi percebido que os pais demonstraram maior tolerância ao prolongamento da internação e uma melhora no relacionamento com a equipe.
O nascimento de um bebê prematuro, que necessita de internação prolongada em Unidade Neonatal, é um evento que pode gerar impactos negativo na rotina do núcleo familiar. A humanização do ambiente hospitalar, prevista pelo Método Canguru, preconiza o acolhimento a todos membros da família, buscando preservar os vínculos durante a internação do RN. Neste caso, a visitação de irmãos em Unidade Neonatal pode ser vista como uma atitude benéfica para os bebês e familiares. No caso desta experiência, acredita-se que a retomada da visitação dos irmãos, no Hospital e Maternidade Amador Aguiar, após a pandemia, proporcionou ganhos significativos para família de bebês prematuros. Assim como, maior satisfação dos pais e melhora no relacionamento com a equipe. Acredita-se que tal experiência deve ser incentivada nas unidades de neonatologia, levando em consideração os pressupostos do método canguru e humanização em saúde.
Fortalecimento de Vínculos, Cuidado Humanizado
ARIANE FUCCILLI, GABRIELA PAGANO VIEIRA, JULIANA OLIVEIRA DE SOUZA, MARINA PRADO SASAO, RITA DE FÁTIMA LEME