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O cuidado em urgência e emergência é, por natureza, multidimensional e requer integração entre diferentes categorias profissionais para garantir a continuidade e a segurança do paciente. A visita multiprofissional tem se mostrado uma estratégia eficaz para alinhar condutas, promover comunicação horizontal e evitar fragmentação assistencial. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2024), a colaboração entre diferentes categorias profissionais melhora a comunicação, reduz eventos adversos e promove a segurança do paciente. (OLIVEIRA et al., 2024) enfatiza que a articulação entre equipes médicas, de enfermagem, farmácia e gestão é essencial para a execução de protocolos clínicos e para a continuidade do cuidado, especialmente nos casos de alta complexidade, como sepse, acidente vascular encefálico (AVE) e síndrome coronariana aguda (SCA). Na UPA Jaçanã, unidade de porte III da zona norte de São Paulo, a visita multiprofissional diária foi instituída em agosto de 2023 como prática sistemática para fortalecer a comunicação clínica, o alinhamento de condutas e a integração entre as equipes assistenciais. Essa rotina consolidou-se como um eixo de sustentabilidade do cuidado, ao equilibrar eficiência, segurança e corresponsabilidade entre os profissionais.
Descrever a implantação e os resultados qualitativos da visita multiprofissional diária na UPA Jaçanã, destacando seu impacto na adesão aos protocolos clínicos e na sustentabilidade do cuidado centrado no paciente.
Relato de experiência qualitativa, realizado na UPA Jaçanã entre agosto de 2023 a outubro de 2025. A intervenção consistiu na implantação de visitas multiprofissionais diárias nos setores de observação adulto, observação pediátrica e sala de emergência, com participação de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, assistente social e equipe administrativa. O processo foi coordenado pela gestão assistencial e estruturado com metodologia de melhoria contínua, incluindo checklists de segurança, análise de protocolos ativos (SCA, AVE, Sepse) e discussão de casos clínicos. As reuniões ocorreram em horário fixo e diário, com registro das decisões e acompanhamento semanal dos indicadores de adesão aos protocolos, tempos de permanência e desfechos clínicos. Os resultados qualitativos foram analisados com base na melhoria dos fluxos de comunicação, continuidade do cuidado e adesão das equipes.
A implantação da visita multiprofissional proporcionou melhor comunicação intersetorial e tomada de decisão compartilhada. Houve aumento da completude dos registros em prontuário, melhoria na identificação de riscos clínicos e maior adesão aos protocolos clínicos. A dinâmica das visitas também promoveu um ambiente de aprendizado contínuo, estimulando o protagonismo da equipe de enfermagem e o envolvimento de todos os profissionais na gestão do cuidado. A experiência mostrou que o trabalho colaborativo reduz retrabalho, melhora a resolutividade, aumenta giro leitos, fortalece articulação com a rede e contribui diretamente para a sustentabilidade assistencial e emocional das equipes.
A experiência da UPA Jaçanã demonstra que a sustentabilidade em saúde vai além de recursos financeiros, envolve também relações de trabalho colaborativas, comunicação efetiva e corresponsabilidade multiprofissional. A visita multiprofissional diária consolidou-se como uma prática de gestão clínica, fortalecendo a integração entre áreas, promovendo segurança do paciente, fortalecendo a articulação em rede e otimizando o uso de recursos. Trata-se de uma estratégia replicável e sustentável, capaz de inspirar outras unidades de urgência a adotar modelos de cuidado centrados na equipe e no paciente.
Trabalho em equipe; segurança; integração; UPA
EMERSON SANTOS DA SILVA