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A Doença de Parkinson (DP) é uma condição neurodegenerativa progressiva que provoca tremor em repouso, rigidez muscular, bradicinesia, instabilidade postural, alterações na marcha, disfagia e disartria, impactando diretamente a funcionalidade e a qualidade de vida. Além dos sintomas motores, a doença repercute nos aspectos emocionais e sociais, favorecendo isolamento e redução da participação social. No Centro de Referência à Saúde do Idoso de Guarulhos (CERESI – Centro), observava-se fila de espera para fisioterapia e fonoaudiologia, demora no início do tratamento e dificuldade de conciliar atendimentos no mesmo dia, o que prejudicava a adesão e o acompanhamento longitudinal. Diante desse cenário, estruturou-se o grupo “Viver! Independente do Parkinson” (VIP), com proposta de intervenção interdisciplinar voltada a pessoas idosas com DP em estágios iniciais, visando ampliar o acesso ao cuidado, otimizar recursos assistenciais e promover acompanhamento contínuo, integrando reabilitação física, comunicação e participação social.
Relatar a experiência da intervenção interdisciplinar no grupo “Viver! Independente do Parkinson” e analisar seus benefícios e desafios. Especificamente, busca-se: Otimizar o acesso à fisioterapia/educação física e à fonoaudiologia; Promover melhora da mobilidade, comunicação, deglutição e funcionalidade nas atividades básicas de vida diária; Favorecer a participação social e o protagonismo da pessoa idosa com Doença de Parkinson; Identificar fatores relacionados à adesão e continuidade do cuidado.
Trata-se de relato de experiência desenvolvido no CERESI – Centro, no município de Guarulhos. O primeiro grupo foi implantado em maio de 2023 e, diante da boa adesão, um segundo grupo foi criado em 2025. Atualmente, são dois grupos com 10 participantes cada, com encontros semanais de 1h30. A equipe é composta por fonoaudióloga, fisioterapeuta/educador físico e auxiliar de enfermagem. As sessões incluem exercícios de mobilidade, marcha e fortalecimento global; exercícios respiratórios e vocais; estimulação cognitiva e comunicativa; e orientações sobre deglutição. Recursos artísticos como canto, dança e artes visuais são utilizados como estratégias terapêuticas. Familiares são incentivados a participar e apoiar a prática domiciliar. Casos com queixas específicas, como disfagia, recebem acompanhamento individual complementar.
A maioria dos participantes não possuía acompanhamento prévio em fisioterapia ou fonoaudiologia, iniciando as intervenções a partir do grupo. Observou-se boa adesão aos encontros semanais, sendo relatado como benefício a realização das terapias no mesmo dia. Tentou-se ampliar a frequência para duas vezes por semana, porém houve baixa adesão devido a dificuldades de transporte. Parte dos participantes relatou realizar os exercícios em domicílio, ainda que de forma irregular. Nas reavaliações, foram observadas e relatadas melhorias na fala, deglutição, marcha e funcionalidade nas atividades básicas de vida diária. Houve evolução na execução dos exercícios, com aumento progressivo da complexidade. Também foram referidos melhor compreensão da doença, melhora do humor e valorização da convivência grupal como espaço de apoio e troca de experiências.
A intervenção interdisciplinar em grupo mostrou-se estratégia eficaz para ampliar o acesso ao cuidado, reduzir filas de espera e possibilitar acompanhamento longitudinal de pessoas idosas com Doença de Parkinson. Além da melhora nos aspectos físicos e comunicativos, o grupo favoreceu benefícios emocionais, fortalecimento do protagonismo e ampliação da participação social. A experiência evidenciou que a abordagem coletiva otimiza recursos, promove apoio mútuo e contribui para maior compreensão da doença. Recomenda-se reforçar a orientação quanto à prática diária de exercícios em domicílio e manter reavaliações periódicas para identificação precoce de complicações, com encaminhamento para atendimento individual quando necessário.
Parkinson, intervenção interdisciplinar
KÁTIA CRISTINA FREITAS GIMENEZ