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Guarulhos é uma cidade localizada no estado de São Paulo. Segundo o Censo demográfico de 2022, há 1.693.535 indígenas no país e 1.649 estão localizados no município. A presença de povos indígenas no território remonta a milhares de anos antes da chegada dos colonizadores europeus ao Brasil. O nome Guarulhos é derivado da língua Tupi-Guarani, cuja combinação de palavras pode ser interpretada como índio barrigudo”. A vinda dos colonizadores europeus trouxe profundas mudanças para a vida dos indígenas, levando a conflitos e deslocamentos. No município, há uma diversidade de populações indígenas, com mais de 17 etnias. Eles enfrentam desafios sociais, como violência, desemprego, moradia precária, acesso limitado à educação de qualidade, deficiências no saneamento básico, falta de assistência médica, escassez de alimentos, invisibilidade perante a sociedade, questionamentos sobre suas identidades étnicas, preconceito e ausência de espaços coletivos para expressões culturais. A aldeia “Filhos desta terra” e Wassu Cocal tem 130 mil m² e é dividida com o Rodoanel Mário Covas. Em 2017, ocorreu a retomada da terra prometida pelos indígenas, em Guarulhos. Vivem no local, aproximadamente, 114 indivíduos de 9 etnias diferentes. Desde agosto de 2019, os atendimentos de saúde prestados a essa população são referenciados à Unidade Básica de Saúde (UBS) Cabuçu. Essa UBS também é um dos campos de estágio dos residentes de Medicina de Família e Comunidade (MFC) da Prefeitura de Guarulhos
Esse trabalho tem como objetivo, resgatar e registrar através de grupos focais, trabalhado pela médica responsável pelo atendimento da População Indígena, as histórias das 9 etnias que vivem na aldeia, a partir de múltiplas perspectivas da sua sobrevivência; propiciar uma conexão dos leitores a essas histórias; resgatar a cultura ancestral; ser uma reafirmação étnica; ser uma denúncia de inúmeras violências já sofridas por esse povo no Brasil, mas também, uma celebração da trajetória resiliente dos povos originários e dessa aldeia.
O trabalho foi elaborado a partir de relatos de 14 indígenas, representantes de 5 etnias (Guajajara, Pankararu, Pankararé, Tupi-Guarani e Wassu Cocal), localizados em 2 aldeias diferentes (Filhos dessa Terra e Wassu Cocal). Os áudios foram gravados utilizando celulares, com a participação da médica de família e comunidade responsável pela saúde indígena do município de Guarulhos, e das residentes do programa de MFC. Os áudios foram transcritos pelo site Pinpoint e editados posteriormente, para certificação de ajustes técnicos, evitando cortes de falas, permitindo a coesão textual, sem correções ortográficas, mantendo o idioma falado, com suas variantes linguísticas. Não houve delimitação de tema para nortear as entrevistas, de modo a garantir maior diversidade de assuntos compartilhados. Nas falas trouxeram histórias pessoais, contos sagrados, memórias sobre as aldeias e experiências de resistência. Foi priorizada a citação direta da fala de cada entrevistado para que a especificidade de sua cultura fosse mantida.
Os relatos indígenas forneceram material em pdf pronto para distribuição, além de material em formato de livro que foi enviado para uma das editoras que manifestaram interesse na publicação, revertendo qualquer recurso arrecadado integralmente para a aldeia. Relembrar o passado e escrever as vivências dos povos indígenas é ainda mais primordial, pois estamos falando da origem da Humanidade. Em outras palavras, da história de quem somos e de onde viemos. Manter a fogueira acesa dos povos indígenas é, antes de tudo, garantir a existência e a sobrevivência não só dos povos originários, mas de todos os seres humanos. Ouvindo as histórias contadas foi notado como a organização em comunidade, a preservação dos costumes e tradições, a memória de mitos e contos passados de geração em geração são fundamentais para promover a saúde física e mental. Trazem uma ideia de pertencimento de algo maior, promovem maior contato entre as pessoas e a natureza, com um grande senso de propósito, contribuindo para sua sobrevivência até os dias de hoje. Contar e registrar essas histórias em um livro é um presente que a comunidade indígena deixa pro legado da Humanidade. Todas as histórias foram contadas por indígenas, mantendo suas tradições culturais variações linguísticas e a apresentação de quem são os indígenas que vivem hoje em Guarulhos. Tornou-se um material de apoio de educação que pode ser utilizado por diversos profissionais de saúde e para a divulgação da cultura dentro e fora do município
O reconhecimento e a valorização da presença indígena em Guarulhos são essenciais para a promoção da diversidade, garantia de direitos e elaboração de políticas públicas. É um lembrete constante da importância de respeitar e honrar a cultura e identidades indígenas como parte integrante do patrimônio cultural de Guarulhos e do Brasil como um todo. A história dos indígenas na cidade de Guarulhos é um relato marcante de resiliência, adaptação e manutenção de identidade em face a desafios históricos e transformações significativas no território. A construção desse livro em conjunto com os residentes MFC contribuiu para suas formações.
saúde indígena, grupo focal, atenção primária.
Carla Rafaela Donegá, Amanda Prado Mascari, Rafael Nunes da Silva, Victória Abreu Gatto, Mayara Rosangela Pedroso Silva, Rosamaria Rodrigues Garcia