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O envelhecimento populacional brasileiro impõe novos desafios ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no cuidado às pessoas com transtornos mentais crônicos e persistentes. Nesse contexto, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) emergem como importantes estratégias de cuidado ampliado, favorecendo autonomia, funcionalidade e qualidade de vida. A experiência ocorre em um Centro de Atenção Psicossocial Adulto (CAPS), com início em janeiro de 2025, sendo destinada a pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), esquizofrenia, depressão e ansiedade generalizada. O grupo é conduzido por profissional habilitado em yoga, integrando práticas corporais, respiratórias, meditativas e estudos introdutórios da filosofia do yoga, adaptados às singularidades do público atendido. A iniciativa contribui para a promoção do envelhecimento ativo, redução do sofrimento psíquico e ampliação das ofertas terapêuticas no SUS municipal, alinhando-se à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.
Promover saúde mental e apoiar o processo de envelhecimento saudável por meio da prática de yoga como recurso terapêutico complementar no CAPS. Busca-se reduzir sintomas ansiosos e depressivos, estimular consciência corporal, melhorar equilíbrio, flexibilidade e respiração, além de favorecer regulação emocional e socialização. Pretende-se também ampliar o repertório terapêutico do serviço, incentivar o autocuidado e fortalecer estratégias não medicamentosas no manejo do sofrimento psíquico. Outro objetivo é consolidar as PICS como parte do cuidado longitudinal em saúde mental, contribuindo para uma abordagem integral centrada na pessoa.
Trata-se de um grupo terapêutico contínuo, com encontros semanais de aproximadamente 60 minutos, realizados no CAPS Adulto de Cotia. As práticas incluem posturas adaptadas (ásanas), exercícios respiratórios (pranayamas), técnicas de relaxamento, meditação guiada e breves reflexões sobre princípios da filosofia do yoga, traduzidos para uma linguagem acessível. As atividades são planejadas considerando limitações físicas, cognitivas e emocionais dos participantes, garantindo segurança e inclusão. Usuários com diferentes níveis de autonomia participam conforme avaliação da equipe de referência. O grupo é articulado ao Projeto Terapêutico Singular (PTS), sendo discutido em reuniões de equipe para acompanhamento da evolução dos participantes. Também há incentivo à regularidade e ao protagonismo dos usuários no próprio cuidado. A experiência envolve equipe multiprofissional, fortalecendo a clínica ampliada e o cuidado interdisciplinar.
Observou-se melhora na adesão às atividades terapêuticas, maior vínculo dos usuários com o serviço e redução de sinais de ansiedade e agitação em parte dos participantes. Relatos espontâneos indicam melhora do sono, sensação de bem-estar e maior capacidade de lidar com situações estressoras. Também foram percebidos avanços na socialização, aumento da participação em grupos e maior abertura para práticas de autocuidado. Para usuários em processo de envelhecimento, destacam-se benefícios relacionados à mobilidade, consciência corporal e prevenção do isolamento social. O yoga pode ser visto como um recurso potente no cuidado em saúde mental, contribuindo para uma abordagem menos centrada na medicalização e mais voltada à integralidade. Embora os resultados sejam majoritariamente qualitativos, a experiência demonstra impacto positivo na rotina do serviço e na qualidade de vida dos participantes.
A inserção do yoga como PICS no CAPS mostrou-se uma estratégia viável, de baixo custo e com relevante potencial terapêutico. A experiência reforça a importância de práticas que considerem o sujeito em sua totalidade — corpo, mente e contexto social — especialmente diante do envelhecimento. Destaca-se que iniciativas como essa ampliam o cuidado humanizado no SUS e fortalecem modelos assistenciais mais preventivos e promotores de saúde. Como perspectiva futura, pretende-se expandir a oferta, qualificar o monitoramento dos resultados e incentivar a replicabilidade da experiência em outros serviços da rede municipal, consolidando as PICS como componente estruturante do cuidado em saúde mental.
Yoga, Práticas Integrativas, Envelhecimento
ISABEL CRISTINA DA SILVA, THAMIRES VIEIRA