Em defesa do SUS




O impacto da violência no trânsito no município de Campinas

O impacto da violência no trânsito no município de Campinas

Confira a entrevista com a médica do Núcleo de Prevenção, da secretaria municipal de Saúde de Campinas, Naoko Silveira, sobre as ações de prevenção, rede de atendimento e impactos financeiros relacionados aos acidentes de trânsito na cidade do interior paulista.

Considerados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como forma de violência, os acidentes de trânsito ocorrem, em sua maioria, por desrespeito às normas atuais, como abuso no consumo de álcool combinado com direção de veículos, principalmente na estrada, e desobediência às regras de trânsito.

Dados do MS apontam que o Brasil registra, em média, 42 mil mortes por acidentes de trânsito todos os anos. Essa incidência gera um gasto em torno de R$ 230 milhões para o SUS e R$ 30 bilhões de prejuízos para o Produto Interno Bruto (PIB). Esse prejuízo econômico é contabilizado, pois a maioria das vítimas são homens jovens em plena capacidade produtiva e, quando incapacitados, passam a depender da Previdência Social.

COSEMS/SP – Qual o impacto financeiro de acidentes e atendimentos e tratamentos relacionados?
Naoko: Temos como dimensionar o montante financeiro de internações em Campinas no SUS, ou seja, apenas dos casos graves ou internados há mais de 24 horas. A média de custo anual por internação hospitalar no SUS, no período de 2010 a 2015 foi de R$ 1.807.664,00 (Fonte: Tabnet DATASUS)

COSEMS/SP – Qual a média de atendimento?
Naoko: A média de hospitalizações por lesões no trânsito em Campinas foi de 793,5 internações/ano (período de 2010 a 2015 – fonte: Tabnet DATASUS)

COSEMS/SP – Como funciona a rede de assistência ao acidentado?
Naoko: Pessoas que sofrem lesões no trânsito em Campinas procuram espontaneamente os serviços de saúde de urgência e emergência ou ligam para SAMU (192) ou Corpo de Bombeiros (190). O SAMU faz a regulação médica e dependendo da gravidade, encaminha para os Pronto Atendimentos ou para os hospitais secundários ou terciários da Rede de Urgência e Emergência próprios ou conveniados do SUS ou, em alguns casos, para hospitais conveniados dos planos de saúde privados. Temos o GRAU que realiza o atendimento pré-hospitalar em casos gravíssimos que necessitam de transporte aéreo para o hospital de referência.

Nas rodovias sob concessão, temos os veículos de resgate que fazem este atendimento pré-hospitalar e transporte aos hospitais.

Além disso, em inquérito amostral de violências e acidentes, realizado em 2009, em Campinas, onde foram coletadas informações na rede de urgência e emergência: públicos e privados por meio de entrevista, foi feito um estudo para verificar diferenças de atendimento entre públicos e privados. Um dos resultados é que a rede pública absorveu 70 % dos atendimentos de traumas, e os serviços privados, cerca de 30%.

COSEMS/SP – Quais equipamentos de Saúde estão preparados para as emergências e para a reabilitação?
Naoko: Os serviços públicos da Rede de Urgência e Emergência: Pronto Atendimentos (PA Anchieta, PA São José e PA Campo Grande) e os Pronto Socorros dos Hospitais próprios e conveniados do SUS (Hospital Mário Gatti, HC Unicamp, Hospital e Maternidade PPUC Campinas e Complexo Hospitalar Pref. Edivaldo Orsi)

Temos serviços de urgência e emergência na rede privada para portadores de planos de saúde privados e o Centro de Referência em Reabilitação de Sousas Jorge Rafful Kanawaty, e mais recentemente, o Centro de Reabilitação Lucy Montouro.

COSEMS/SP – Quais ações de prevenção são realizadas no município?
Noako: A EMDEC/Secretaria de Transportes do município de Campinas faz atividades permanentes e ações pontuais de educação, nas datas habituais: “Maio Amarelo” e “Semana Municipal do Trânsito”, em setembro.
Coordenamos em conjunto com a UNICAMP e a EMDEC, um programa de prevenção de traumas em jovens envolvendo álcool, o “Party”, para conscientização dos jovens aos riscos no trânsito e a escolha segura. Este programa ocorre há 8 anos e foi considerado política pública exitosa e sustentável, ganhando para Campinas em 2016, o prêmio de cidade sustentável no quesito Saúde.

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