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A ampliação do acesso ao diagnóstico oportuno do câncer é um dos grandes desafios enfrentados pelo SUS. Com o objetivo de reduzir filas, acelerar a emissão de laudos anatomopatológicos e qualificar a assistência oncológica, o Ministério da Saúde, em parceria com o A.C. Camargo Câncer Center, instituiu o Projeto Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).
A iniciativa tem como propósito ampliar a capacidade diagnóstica do SUS em anatomia patológica, apoiando a tomada de decisão clínica e promovendo maior equidade no acesso aos serviços especializados. O projeto utiliza estratégias inovadoras, como a patologia digital e a telepatologia, para agilizar o processamento e a análise de biópsias oncológicas em todo o país.
Por meio do programa, os serviços de saúde realizam a coleta das amostras e o A.C. Camargo assume integralmente a logística de transporte, o processamento do material e a emissão dos laudos anatomopatológicos. A expectativa é que os resultados sejam disponibilizados em até cinco dias úteis após o recebimento das amostras, contribuindo para a redução do tempo entre a suspeita diagnóstica e o início do tratamento.
O projeto conta com dois eixos de atuação. O primeiro contempla o envio de amostras físicas para processamento e análise no A.C. Camargo, com toda a logística custeada pela instituição. O segundo envolve a utilização de amostras digitalizadas, permitindo a realização de telelaudos e a emissão de segunda opinião especializada, fortalecendo o apoio diagnóstico às equipes assistenciais e qualificando a tomada de decisão terapêutica.
Além da emissão de laudos, a iniciativa prevê a qualificação dos fluxos assistenciais, apoio técnico às equipes locais e a implantação de uma estrutura nacional de compartilhamento de informações diagnósticas. O A.C. Camargo estima capacidade progressiva de produção de até 1.000 laudos por dia, alcançando aproximadamente 30 mil laudos mensais, de acordo com as demandas pactuadas pelos estados participantes.
No estado de São Paulo, a adesão ao projeto foi aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB/SP), por meio da Deliberação CIB nº 13 (acesse aqui a Deliberação), de 2 de março de 2026, considerando o déficit existente na oferta de exames anatomopatológicos e os elevados tempos de espera observados em diversas regiões paulistas. A deliberação destaca ainda que o transporte das amostras será realizado sem custos para os municípios e serviços participantes, observando rigorosos padrões de segurança e qualidade.


A definição das regiões prioritárias para participação será realizada pelo Grupo Condutor Bipartite de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, podendo haver ampliação gradual da oferta conforme a necessidade dos territórios e a articulação entre os gestores estaduais e municipais.
O COSEMS/SP orienta os gestores municipais e regionais a avaliarem a necessidade de ampliação da oferta de exames anatomopatológicos em seus territórios. As regiões que identificarem demanda reprimida ou necessidade de fortalecimento do diagnóstico do câncer poderão manifestar interesse em participar do programa, recebendo orientações sobre os procedimentos necessários para adesão e inclusão dos serviços de saúde na iniciativa.