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Em encontro no Instituto Dante Pazzanese, Adriana Martins destaca condições de moradia para o tratamento domiciliar e capacitação da atenção primária para identificar e acompanhar a doença renal crônica
A ampliação da diálise peritoneal no Sistema Único de Saúde (SUS) exige articulação entre a assistência especializada, a atenção primária e as políticas sociais. Essa foi a posição defendida pela presidente do COSEMS/SP, Adriana Martins, no encontro “Ampliação da Diálise Peritoneal no SUS do Estado de São Paulo”, realizado nesta quinta-feira (29), no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, na capital paulista.
O evento reuniu gestores públicos, representantes de serviços de saúde e especialistas para discutir o cenário da doença renal crônica e as possibilidades de ampliar o acesso à terapia renal substitutiva no SUS. Na avaliação de Adriana, esse avanço deve considerar tanto os critérios clínicos quanto as condições de vida dos pacientes.
A presidente afirmou que o COSEMS/SP apoia o movimento conduzido pela Secretaria de Estado da Saúde para identificar pacientes elegíveis à diálise peritoneal e ampliar o acesso à modalidade. Ressaltou, porém, que a indicação do tratamento precisa ser acompanhada de medidas que viabilizem sua realização no domicílio.
“Quando a gente fala da diálise peritoneal, tem que olhar, primeiro, para um critério de elegibilidade clínica, porque tem pacientes que não são elegíveis, mas também tem que olhar do ponto de vista social”, afirmou.
Entre os aspectos que precisam ser avaliados estão as condições da residência, o espaço para armazenar os insumos e o ambiente para realizar o procedimento. Para Adriana, a vulnerabilidade social deve mobilizar uma resposta integrada do poder público.
Como exemplo, ela defendeu que pacientes com indicação clínica para a diálise peritoneal, mas sem condições adequadas de moradia, tenham prioridade em programas habitacionais. A proposta busca enfrentar uma barreira que ultrapassa a atuação dos serviços de saúde e pode limitar o acesso ao tratamento.
“Um paciente que é elegível para diálise peritoneal, porém não tem a ambiência adequada por uma questão social, pela estrutura da casa, deveria estar prioritariamente inserido nos programas de habitação”, declarou.
Segundo a presidente, essa construção demanda diálogo entre Ministério da Saúde, Estado, municípios, representados pelo COSEMS/SP, e instituições como o Dante Pazzanese, que atuam na assistência e na pesquisa.
Atenção primária e identificação precoce
Adriana também destacou a necessidade de qualificar as equipes da atenção primária para identificar, classificar e acompanhar os pacientes com doença renal crônica antes da necessidade de diálise. O objetivo, afirmou, é atuar para conter a progressão da doença e organizar o cuidado conforme a condição de cada pessoa.
Nesse processo, chamou a atenção para a interpretação de exames já realizados na rede, como a dosagem de creatinina e a avaliação da taxa de filtração glomerular. Para ela, a disponibilidade do exame precisa ser acompanhada da capacidade das equipes de utilizar seus resultados na estratificação e no acompanhamento dos pacientes.
“Muitos fazem e não olham para essa estratificação”, observou. “A gente precisa de capacitação de médico, de enfermeiro e de outros profissionais”.
A presidente defendeu uma organização da assistência que contemple todo o percurso do paciente. Da identificação da doença renal na atenção primária ao atendimento especializado, às modalidades de diálise e ao transplante. Também ressaltou a importância do acompanhamento das pessoas com hipertensão e diabetes nessa linha de cuidado.

FOTO: Adriana Martinha, presidente do COSEMS/SP, e Dr. Farid Samaan, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Nefrologia e representante da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Experiências e organização do cuidado
A programação do encontro contemplou o cenário da doença renal crônica em São Paulo, no Brasil e no mundo, além de debates sobre desospitalização, políticas públicas e experiências em diálise peritoneal.
Também foram debatidos temas como mitos e verdades sobre a modalidade, o protagonismo da enfermagem e a experiência do paciente. As discussões buscaram contribuir para a organização dos serviços e a ampliação do acesso ao tratamento na rede pública.

FOTO: Adriana Martins, presidente do COSEMS/SP, participou do encontro “Ampliação da Diálise Peritoneal no Estado de São Paulo”, em 29 de outubro, no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Na foto, ela está com Farid Samaan, nefrologista da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e do Instituto Dante Pazzanese, Carmen Moura, coordenadora-geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Patrícia Ferreira Abreu, representante da Sociedade Brasileira de Nefrologia, e José Osmar Medina Pestana, diretor do Hospital do Rim.