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Por Nielse Fattori, apoiadora do COSEMS/SP
A Região de Saúde de Itapeva, na Macrorregião de Sorocaba, com 15 municípios e 281.362 habitantes, enfrenta graves desafios na Mortalidade Materno-Infantil (MM e MI), com índices persistentemente acima das médias estadual e da RRAS. Os indicadores de MI oscilaram entre 10,7 e 16,22 óbitos por mil nascidos vivos – NV (2018-2024), enquanto a MM apresentou variações extremas, chegando a 325,6 óbitos por 100 mil NV em 2021.
Os principais problemas incluem alta rotatividade de profissionais, falta de capacitação das equipes, protocolos desatualizados e fragilidade na Atenção Básica para acompanhamento do binômio puérpera/recém-nascido.
Como estratégias, destacam-se a análise dos óbitos pelo Comitê de MI, que identificou as infecções urinárias (ITU) no pré-natal como principal causa evitável, capacitação das equipes em protocolos atualizados e manejo de ITU, fortalecimento da Atenção Básica para acompanhamento pós-parto e redução da rotatividade através de valorização profissional.
Essas ações visam melhorar a qualidade do pré-natal e reduzir os óbitos, exigindo monitoramento contínuo e engajamento dos gestores para resultados sustentáveis, alinhados às diretrizes regionais e estaduais. A situação demanda urgência, pois os indicadores mostram flutuações preocupantes sem tendência clara de melhora, exigindo intervenções estruturais no sistema de saúde local para garantir assistência adequada às gestantes e recém-nascidos.
O objetivo é implantar monitoramento das gestantes com Infecção do Trato Urinário (ITU), com vistas a implementar um protocolo de acompanhamento das ITU em gestantes na RS de Itapeva, para que as equipes possam trabalhar de forma mais alinhada, evitando condutas que possam levar a desfechos fatais para a mãe e o bebe, bem como identificar ações necessárias a serem desencadeadas na Região de Saúde de Itapeva.
Na metodologia utilizada o gestor/coordenador da AB do município de Buri, mobilizado pelos altos índices de MM/MI na Região, desencadeou estudo piloto em relação ao tratamento à ITU nas gestantes e apresentou na CIR de Itapeva (fevereiro 2024).
Foram selecionados três prontuários de gestantes com ITU em cada UBS e levantaram o diagnóstico, tratamento, controle da ITU e os resultados foram discutidos com as equipes.
Após a apresentação de Buri, os gestores decidiram desencadear esse levantamento em todas as UBS da Região, com seleção aleatória de três prontuários de gestantes com ITU em cada uma delas; levantamento das condições de diagnóstico da ITU, tratamento proposto e controle adequado; reunião mensal com as equipes para discussão dos casos selecionados, omitindo a origem do caso.
Marcou-se reuniões com as equipes das unidades e nestas deveriam analisar e responder:
O objetivo era que, a partir das discussões, as equipes verificassem se o protocolo de acompanhamento de pré-natal estava sendo seguido pelas equipes de AB. Após a realização destas reuniões, os “achados” foram compartilhados e discutidos com o Grupo de Regionalização.
Resultados
A ação teve início com a participação de 04 dos 15 municípios, e no processo se agregaram outros 10. Na 1ª analise observou-se que 30% das gestantes apresentaram ITU e somente 07% procuraram o Serviço de Saúde no 1º trimestre de gestação. Deste universo, somente 10% tiveram tratamento adequado e desfecho satisfatório (sem recidiva) e 30%, mesmo em tratamento, apresentaram recidiva da infecção e sem proposta terapêutica adequada. O restante, 60% das gestantes, ficaram sem tratamento.
Na 2ª analise dos prontuários, 16,67% das gestantes apresentaram ITU; 56,7% com diagnóstico e tratamento adequado de ITU; 43,3% de gestantes tratadas e não acompanhadas (ausência de exames de controle ou tratamento profilático).
Além das ações de EP, com discussão dos casos, outras ações foram implantadas nos municípios: o uso de Fosfomicina; Fita de Proteínuria; Diminuição de tempo de resposta dos resultados de Exames Laboratoriais; criação de Grupos de Whatssap com as gestantes com ITU.
Ações regionais em andamento: Ampliação da oferta de vagas e exames (eco fetal e US morfológico) para gestantes de alto risco no Ambulatório Médico de Especialidades, referência para 14 municípios; Realização de capacitação das equipes de AB para o acompanhamento das gestantes com ITU, focando em propostas terapêuticas qualificadas e eficazes, parceria SES/FIOCRUZ; Monitoramento dos Serviços de Apoio Diagnostico Laboratorial, seguindo os padrões de eficiência e eficácia definidos como aceitáveis pela VISA.
Conclusão
Com o envolvimento das equipes e as mudanças que qualificaram o atendimento à gestante até o momento, os gestores e técnicos municipais que compõem essa Região de Saúde, definiram e homologaram na Comissão Intergestores Regionais (CIR) que as ações de monitoramento serão continuas.
Necessidade da capacitação continua das equipes, pois a rotatividade de profissionais é bastante intensa na RS e que a responsabilidade dos gestores é de fomentar essa participação.
Nesse processo, o apoiador contribui para ampliar a capacidade técnica e política das equipes municipais, organizando oficinas de educação permanente e estimulando o uso de práticas baseadas em evidências para reduzir riscos à saúde materno-infantil. Ao atuar como elo de comunicação entre os municípios, o COSEMS e demais instâncias regionais, favorece a construção coletiva de soluções, fortalecendo a governança local e regional. Assim, sua presença não apenas facilita a implementação do protocolo de acompanhamento das ITU, mas também garante que a experiência da região seja incorporada às estratégias estaduais, ampliando o impacto das ações de saúde no cuidado às gestantes e recém-nascidos
Com estas ações, os gestores entendem que, no primeiro ano desse monitoramento, já será possível observar a evolução dos acompanhamentos das gestantes e a ITU poderá deixar de ser um fator de Morte Infantil e Materna nessa Região.