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Durante reunião do Conselho de Representantes Regionais do COSEMS/SP, realizada em setembro, o Dr. Francisco de Assis Salomão Monteiro, Coordenador do Sistema Estadual de Transplantes de São Paulo, apresentou panorama dos transplantes de órgãos no estado de São Paulo, destacando os desafios para ampliar as doações e atender à crescente demanda por procedimentos.

São Paulo está entre os estados brasileiros com maior número absoluto de doadores e transplantes realizados. Em 2025, foram realizados 2.484 transplantes de órgãos sólidos, com 1.085 doadores efetivos. Os números refletem a dimensão da estrutura estadual e o trabalho das equipes e dos serviços de saúde envolvidos em todas as etapas do processo.
A organização, a coordenação e a regulação das atividades de doação e transplantes são atribuições do Sistema Estadual de Transplantes, que conta com duas Centrais Estaduais de Transplantes, na capital e outra localizada na cidade de Ribeirão Preto.
Entre as principais responsabilidades do sistema estão o gerenciamento do cadastro técnico de potenciais receptores de órgãos e tecidos, conhecido como lista de espera, o acompanhamento das notificações de casos de morte encefálica e a classificação dos receptores conforme critérios técnicos e legais.
O estado dispõe ainda de dez Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), sendo seis no interior, localizadas em Marília, São José do Rio Preto, Botucatu, Ribeirão Preto, Campinas e Sorocaba, e quatro na capital. Essas organizações atuam em conjunto com hospitais e Centrais de Transplantes para identificar potenciais doadores e viabilizar a doação de órgãos e tecidos.

Apesar dos esforços dos serviços de saúde e do número de transplantes realizados, a demanda continua elevada. O volume de pacientes que aguardam por um órgão ou tecido reforça a necessidade de ampliar as ações de incentivo à doação e garantir a estrutura assistencial necessária para atender quem espera pelo procedimento.
Um exemplo de crescimento exponencial está relacionado ao transplante de Rim. Em 2018 a fila de espera era de 11.620 pacientes, número que quase dobrou e atingiu 2.617 neste ano.
Segundo dados do Sistema Estadual de Transplantes, o número de pacientes na lista de espera é o seguinte:
No decorrer do encontro, Monteiro identificou diversas situações para a não viabilização dos casos e a necessidade de integrar municípios, regiões, hospitais, estado e o Sistema Nacional de Transplantes.
Para Monteiro, um dos principais desafios é ampliar o número de doadores, especialmente diante do crescimento da demanda. Uma das medidas apontadas é incentivar a implantação das Equipes Hospitalares de Doação para Transplante (e-DOT) nos estabelecimentos de saúde.
Estabelecimentos e equipes credenciadas para transplante
|
Modalidade |
Estabelecimentos |
Equipes |
|
Coração |
17 |
22 |
|
Pulmão |
6 |
6 |
|
Fígado |
28 |
50 |
|
Rim |
39 |
54 |
|
Pâncreas |
8 |
10 |
|
Medula |
56 |
61 |
|
Intestino/Multivisceral |
3 |
3 |
|
Córnea |
107 |
228 |
|
Banco de Ossos |
4 |
|
|
Banco Córnea |
10 |
“Um dos grandes desafios é aumentar o número de doadores de órgãos e tecidos, para atender o crescente número de pacientes que aguardam por um transplante. Nesse sentido, precisamos incentivar a criação das Equipes Hospitalares de Doação para Transplante (e-DOT) dentro de cada um dos estabelecimentos de saúde”, afirmou.
Segundo ele, essas equipes têm papel fundamental na identificação e notificação de potenciais doadores, no acolhimento dos familiares, na entrevista para solicitação da doação e na manutenção clínica do potencial doador. O trabalho contribui para qualificar o processo de doação e ampliar as possibilidades de realização de transplantes.