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O Instituto Butantan alcançou um marco histórico para a ciência e a saúde pública brasileira com a aprovação, pela Anvisa, da Butantan-DV, vacina contra a dengue desenvolvida integralmente no Brasil.
Indicada para pessoas de 12 a 59 anos, a Butantan-DV é uma vacina de dose única, com vírus vivo atenuado, capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos envolveram mais de 16 mil voluntários.
O avanço representa uma importante ferramenta para reduzir a pressão sobre os serviços de saúde, especialmente em períodos de alta circulação do vírus. O Ministério da Saúde avalia a incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), com expectativa de oferta pelo Sistema Único de Saúde, após a definição de critérios e prioridades.
Para aprofundar o tema, o COSEMS/SP conversou com exclusividade com o Diretor do Instituto Butantan, Esper Georges Kallás, sobre os resultados da vacina Butantan-DV, a previsão de distribuição e as orientações aos municípios:
COSEMS/SP – A vacina contra a dengue em dose única é uma conquista da ciência brasileira. Pode explicar como ela funciona em termos de proteção?
Esper Georges Kallás – A Butantan-DV é uma vacina tetravalente, ou seja, induz resposta de defesa contra os quatro vírus causadores da doença. São quatro componentes de vírus enfraquecidos que “ensinam” o sistema imunológico a combater o vírus transmitido pelo mosquito. O princípio é semelhante ao de vacinas já conhecidas, como as contra o sarampo ou a febre amarela. Os resultados mostraram que ela é capaz de proteger cerca de 75% das infecções e aproximadamente 92% das formas graves da dengue.
COSEMS/SP – Qual a previsão de disponibilização da vacina aos municípios em 2026 e qual será a faixa etária priorizada?
Esper Georges Kallás – O Instituto Butantan já está realizando entregas de lotes da Butantan-DV ao Ministério da Saúde, que é o responsável pelas políticas de distribuição. Temos a previsão de produzir 25 milhões de doses até o fim de 2026 e mais 35 milhões de doses em 2027, totalizando 60 milhões de doses em dois anos. A definição de prioridades, incluindo faixas etárias e estratégias de distribuição, caberá ao Ministério da Saúde no âmbito do PNI.
COSEMS/SP – O Instituto Butantan é uma importante referência para São Paulo. Que orientações e mensagens o senhor deixa para os municípios paulistas?
Esper Georges Kallás – Algumas mensagens são fundamentais. A principal é não deixar de combater o vetor transmissor, o mosquito Aedes aegypti, já que ele também transmite outras arboviroses. As medidas gerais de enfrentamento da dengue precisam continuar sendo adotadas até que a quantidade de vacinas disponível seja suficiente para induzir uma imunidade coletiva ampla. A vacina é um avanço enorme, mas ela precisa caminhar junto com as ações de vigilância, prevenção e controle ambiental nos municípios.
FOTO: Instituto Butantan/Divulgação
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