Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Por Aline Fiori dos Santos Feltrin – Apoiadora COSEMS/SP – Regiões de Jales e Santa Fé do Sul
O contexto que exigiu movimento…
Com a publicação da Portaria GM/MS nº 3.493/2024, o novo modelo de financiamento da Atenção Primária à Saúde (APS) passou a demandar novos arranjos e maior compreensão técnica por parte das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF). Um dos componentes de maior impacto é o Vínculo e Acompanhamento Territorial, que reforça a centralidade da atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) nos territórios.
Nas Regiões de Saúde de Jales e Santa Fé do Sul, com coberturas de APS superiores a 90%, gestores relataram, nas reuniões da Câmara Técnica (CT) e da Comissão Intergestores Regionais (CIR), dificuldades no entendimento do novo componente e na utilização do aplicativo MeuSUS Digital. Como resposta, foi pactuada, junto à apoiadora do COSEMS/SP, uma ação de Educação Permanente, envolvendo ACS e enfermeiros.
Estratégia articulada com os gestores…
A construção da ação teve como ponto de partida a escuta qualificada nos espaços regionais de governança. A partir da nota técnica do Ministério da Saúde sobre o novo componente, a apoiadora apresentou, nas reuniões técnicas, as implicações para os processos de trabalho.
Dessa escuta nasceu a proposta de realização de oficinas regionais com ACS e enfermeiros, com a metodologia da Educação Permanente em Saúde (EPS). A ação foi pensada para estimular reflexões críticas e construção coletiva do conhecimento, alinhando os princípios do SUS com as ferramentas tecnológicas mais recentes.
Como foi feita a ação…
Em Santa Fé do Sul, a atividade foi presencial, reunindo 100% dos profissionais dos 6 municípios da região. Em Jales, a capacitação ocorreu de forma remota, com adesão de 85% dos profissionais e presença de 100% dos municípios. Durante as oficinas, foram abordados:
– O papel do ACS no novo modelo de financiamento;
– A ficha de marcador de consumo alimentar;
– Estratégias para uso e divulgação do MeuSUS Digital;
– A importância do cadastro qualificado e da territorialização.
Ao final das oficinas, foi pactuado que os gestores fariam o monitoramento dos desdobramentos das ações, trazendo os resultados para as reuniões mensais prévias à CIR, mantendo a apoiadora como mediadora e articuladora dos processos.
Sinais de mudança no território…
Nas reuniões seguintes da CIR e nos momentos de apoio, os gestores relataram avanços concretos, como:
✅ Fortalecimento da articulação entre ACS e enfermeiros para atualização cadastral;
✅ Ampliação do uso do MeuSUS Digital como ferramenta de cuidado;
✅ Campanhas locais de criação de contas gov.br para a população;
✅ Reorganização de territórios e retomada da escuta ativa nas unidades de saúde;
✅ Solicitação de apoio técnico contínuo, inclusive com produção de vídeos e visitas presenciais da apoiadora.
A CIR e a CT como espaços pedagógicos…
Um dos principais aprendizados da experiência foi o reconhecimento da CT e da CIR como espaços pedagógicos. Ao estimular a reflexão coletiva e a pactuação de soluções regionais, esses espaços se tornaram instrumentos estratégicos de qualificação das práticas em saúde.
“O apoio se faz a partir dos vínculos. Reconhecer a EPS como dispositivo de escuta, aproximação e transformação foi fundamental para fortalecer o trabalho no território.”
Apoio que constrói pontes…
A ação reforça a importância do apoio do COSEMS/SP como estratégia de articulação entre política, gestão e prática. A partir da Educação Permanente, os desafios do financiamento e da saúde digital foram ressignificados como oportunidades de fortalecimento do SUS nos territórios. Essa experiência reafirma o papel do apoio como ferramenta viva de construção do cuidado, baseada na escuta, no vínculo e no compromisso com a equidade.