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Trabalho apresentando na 21ª Mostra “Brasil, Aqui tem SUS” – edição 2026, durante o XXXIX Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde
Por Sheila Carmanhanes Moreira, Apoiadora – Estratégia Apoiadores COSEMS/SP
Apresentação
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o eixo estruturante do SUS, sendo responsável pela coordenação do cuidado e pelo enfrentamento das desigualdades em saúde. Em regiões compostas majoritariamente por municípios de pequeno porte, como a Região de Saúde do Circuito da Fé e Vale Histórico (SP), a APS assume papel central na garantia do direito à saúde, exigindo processos formativos contínuos e contextualizados ao território.
Os profissionais da APS enfrentam desafios relacionados ao subfinanciamento do SUS, às mudanças nos modelos de financiamento e avaliação, à complexificação das demandas assistenciais e às fragilidades da rede de atenção. Nesse cenário, em 2025, a Apoiadora do COSEMS/SP identificou demanda crescente por formação técnica entre profissionais e gestores da APS da região. A experiência relatada descreve a organização de um processo regional de Educação Permanente em Saúde (EPS), articulando municípios, coordenadores de APS e o COSEMS/SP em torno da qualificação do cuidado, do alinhamento conceitual e do fortalecimento da integração regional como estratégia de defesa do SUS.
Objetivos
Objetivo Geral: Relatar a experiência de organização e desenvolvimento de uma jornada regional de Educação Permanente em Saúde voltada à qualificação da Atenção Primária à Saúde, ao fortalecimento da integração entre municípios e à melhoria dos processos de trabalho no SUS.
Objetivos Específicos: qualificar profissionais e gestores da APS por meio de encontros formativos mensais fundamentados na PNEPS; fortalecer a Estratégia Saúde da Família como modelo prioritário de atenção territorial; promover alinhamento conceitual entre os municípios da região sobre financiamento, indicadores e organização do cuidado; e consolidar a EPS como prática institucional permanente, com governança compartilhada entre o COSEMS/SP e os coordenadores de APS.
Metodologia
Trata-se de relato de experiência desenvolvido na Região de Saúde Circuito da Fé e Vale Histórico (SP), com 17 municípios, fundamentado na Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. A experiência teve início em agosto de 2025, de forma microrregional, a partir de demanda do município de Aparecida (SP), ampliando-se progressivamente para os demais municípios. Em janeiro de 2026, após reunião com Secretários Municipais de Saúde e Coordenadores de APS, com participação de 15 dos 17 municípios, foi constituído o Núcleo Regional de Educação Permanente (NEP), assumindo a governança do processo.
Os encontros mensais ocorrem em turnos de manhã ou tarde, com duração média de 3h30, no Auditório Municipal de Aparecida (SP), com capacidade para 300 pessoas. A metodologia utiliza aprendizagem ativa, baseada em evidências e em espiral, partindo de situações reais do cotidiano da APS. Os participantes são organizados em grupos heterogêneos, compostos por diferentes categorias profissionais e municípios, identificados por cores. Cada encontro inicia com estudos de caso elaborados no período de dispersão, seguidos de debate ampliado com convidados especialistas. Os temas são pactuados coletivamente e ajustados conforme necessidades emergentes. O último encontro anual é destinado à apresentação das experiências dos profissionais a partir do processo formativo.
Resultados e discussões
A experiência tem contado com participação efetiva de mais de 50% dos municípios da região, com média aproximada de 150 profissionais por mês. A coordenação, inicialmente conduzida pela Apoiadora do COSEMS/SP, passou a ser compartilhada com cinco Coordenadores de APS, fortalecendo a governança regional. Observa-se fortalecimento da integração regional, constituição de redes interpessoais entre trabalhadores e gestores, maior aproximação entre equipes da APS e ampliação do diálogo sobre processos de trabalho, indicadores, planejamento e cuidado em rede.
As avaliações realizadas ao final de cada encontro demonstram adesão positiva, aplicabilidade dos conteúdos à prática e demanda pela continuidade do projeto, com inclusão de novos temas. O processo gerou mudanças incipientes nos modos de organizar o cuidado nos territórios, evidenciando a potência da EPS como estratégia de cooperação regional. Embora a participação de 100% dos municípios ainda não tenha sido alcançada, permanece como meta estratégica da iniciativa.
Conclusão
A experiência evidencia que processos de Educação Permanente em Saúde requerem continuidade, resiliência e perseverança para produzir efeitos sustentáveis no cotidiano dos serviços. A avaliação sistemática dos encontros tem permitido escuta qualificada dos participantes, correção de rotas e incorporação de novas demandas formativas. O projeto vem fortalecendo profissionais, valorizando talentos regionais, promovendo trocas de experiências e ampliando os olhares sobre a atenção à saúde.
A implementação do SUS exige investimento permanente em tecnologias leves, trabalho colaborativo e espaços coletivos de reflexão, especialmente diante de desafios que ultrapassam os limites de um único saber. A EPS em movimento reafirma que fortalecer a gestão do cuidado é construção coletiva, a partir das necessidades reais dos territórios.