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Uma campanha do Ministério da Saúde (MS) de orientação sobre os riscos relacionados às apostas reúne depoimentos e um tutorial para auxiliar a população a identificar possíveis sinais de comportamento problemático. A iniciativa disponibiliza um autoteste, cujas respostas são anônimas e não ficam armazenadas, permitindo que o usuário avalie sua relação com os jogos e apostas. O COSEMS/SP realizou web-conferência sobre o tema em março deste ano. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=Y-k_wHvsXFg
Acesse o site da Campanha do MS https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/2026/apostas-online.
A partir do resultado, são apresentadas alternativas de orientação e cuidado, entre elas o teleatendimento disponível no Meu SUS Digital, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda, e os serviços presenciais do Sistema Único de Saúde (SUS).
O transtorno do jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Entre os principais sinais de alerta estão esconder ou mentir sobre o tempo e o dinheiro gastos com apostas, tentar recuperar perdas apostando novamente, comprometer contas, salário ou economias e apresentar mudanças no sono, no humor ou na rotina.
Também são indicativos de atenção o abandono de atividades importantes e a ocorrência de conflitos familiares relacionados às apostas.
Teleatendimento pelo Meu SUS Digital
Desde março, o SUS oferece atendimento remoto para pessoas que apresentam problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço também está disponível para familiares e integrantes da rede de apoio.
O atendimento é gratuito e sigiloso e pode ser acessado pelo aplicativo ou pela versão web do Meu SUS Digital, mediante login pela conta gov.br. Na página inicial, o usuário deve acessar a opção “Miniapps”, selecionar “Problemas com jogos de apostas?” e responder ao autoteste.
A ferramenta está disponível para toda a população e permite avaliar a relação com os jogos e identificar possíveis situações de risco. Nos casos classificados como de risco moderado ou elevado, o usuário pode ser encaminhado para o teleatendimento.
A oferta, que inicialmente era de 600 atendimentos mensais, foi ampliada em agosto para até 100 mil teleatendimentos por mês. O atendimento é realizado por videochamada, com profissionais capacitados para realizar a avaliação e orientar cada situação.
Após o atendimento, a pessoa pode permanecer em acompanhamento remoto ou, quando necessário, ser encaminhada para atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Até o momento, foram registrados mais de 170 mil acessos à ferramenta.
Na rede presencial, a Unidade Básica de Saúde (UBS) é uma das principais portas de entrada para acolhimento e avaliação inicial. De acordo com a necessidade identificada, o usuário pode ser encaminhado para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou para outros serviços da RAPS.
Orientações para prevenção
A campanha também apresenta orientações para reduzir a exposição a conteúdos relacionados às apostas nas redes sociais. Entre as recomendações estão deixar de seguir perfis que divulgam esse tipo de conteúdo, evitar clicar ou compartilhar publicações sobre apostas e utilizar os próprios recursos das plataformas para indicar que não há interesse nesse tipo de material.
Outra alternativa de proteção é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda. A ferramenta permite que o cidadão solicite voluntariamente o bloqueio de seu CPF nas plataformas de apostas autorizadas.
Fiscalização e combate às apostas ilegais
O enfrentamento aos impactos das apostas também envolve ações de fiscalização e repressão às atividades ilegais, além de medidas voltadas à proteção dos usuários.
A fiscalização é realizada de forma articulada por diferentes órgãos federais. Um comitê interinstitucional, coordenado pela Casa Civil, reúne representantes de instituições como Ministério da Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal (PF), Banco Central (BC), Ministério da Fazenda, Advocacia-Geral da União (AGU), Receita Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Até terça-feira (29), foram solicitados o bloqueio de 5.209 domínios relacionados à exploração irregular de apostas. Também foram removidas 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram, enquanto 186 aplicativos foram notificados para retirada das lojas da Apple e do Google.
O governo federal também realiza ações de comunicação direta com usuários para orientar sobre procedimentos relacionados à retirada de valores mantidos em contas de empresas de apostas. As mensagens, enviadas por WhatsApp, apresentam informações sobre prazos e procedimentos para retirada ou devolução de recursos.
Denúncias relacionadas à oferta ilegal de apostas também podem ser registradas pelo Fala.BR.
Por Ministério da Saúde