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Por Dirce Marques, assessora técnica do COSEMS/SP
Situações de falta de energia elétrica, cada vez mais frequentes em razão de eventos climáticos extremos, podem representar um risco importante para a conservação de medicamentos utilizados de forma contínua pela população. Muitos desses produtos exigem condições específicas de armazenamento para manter sua eficácia, segurança e qualidade, e o rompimento dessas condições pode comprometer tratamentos e colocar a saúde dos usuários em risco.
Medicamentos sensíveis à temperatura, como insulinas, vacinas, hormônios, alguns antibióticos, colírios e imunobiológicos, precisam de atenção redobrada quando ocorre interrupção no fornecimento de energia. De modo geral, esses produtos devem ser mantidos sob refrigeração, em temperatura controlada, conforme orientação do fabricante e das autoridades sanitárias.

O que acontece quando o medicamento não é armazenado corretamente?
A exposição ao calor excessivo, ao congelamento ou à luz solar direta pode provocar alterações químicas nos medicamentos, reduzindo sua eficácia ou até tornando seu uso inseguro. Em muitos casos, essas alterações não são visíveis a olho nu, o que aumenta o risco de uso inadvertido de um produto que já perdeu suas propriedades terapêuticas.
Por isso, é fundamental que usuários, cuidadores e profissionais de saúde saibam como agir diante de situações emergenciais, como quedas de energia, para minimizar perdas e garantir a continuidade do tratamento.
Orientações gerais em caso de falta de energia
Algumas recomendações são válidas para a maioria dos medicamentos que exigem refrigeração:
– Evite expor os medicamentos ao calor e à luz solar direta.
– Nunca congele medicamentos, a menos que haja orientação expressa do fabricante ou do profissional de saúde.
– De regra geral quando ocorre falta de energia os medicamentos refrigerados podem ser mantidos em bolsa térmica com gelo e controlados para a manutenção da temperatura. Claro que isso é possível fazer por alguns dias somente.
– Se a falta de energia se prolongar o usuário deve se dirigir ao serviço que forneceu o medicamento ou entrar em contato com o SAC da empresa produtora que sempre está indicado na caixa e/ou bula do medicamento, para que esta avalie as condições e forneça as orientações necessárias.
No caso das insulinas humanas, NPH e regular, sejam na forma de frasco ou caneta aplicadora a orientação geral é :
– frascos ou carpules de canetas fechados: armazenar de 2 a 8 graus C em geladeira (locais que onde não ocorre o risco de congelar); caso congele o produto não pode ser mais utilizado;
-frascos ou carpules depois de abertos, em uso, devem ficar em temperatura ambiente até no máximo 30 dias, para que a aplicação seja confortável ao paciente;
– em caso de falta de energia elétrica os frascos ou carpules fechados devem ser colocados em bolsa térmica com gelo ou gelo artificial, sempre tomando cuidado para não congelar;
– para transportar o frasco ou carpule em uso não há necessidade de refrigeração, porém deve-se evitar exposição ao sol.
Em caso de dúvida sobre a segurança do medicamento, procure orientação de um(a) farmacêutico(a) ou da equipe de saúde da unidade de referência.
O papel da Atenção Primária à Saúde
As equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) têm papel estratégico na orientação da população sobre o uso correto e o armazenamento adequado de medicamentos, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e ambiental. A educação em saúde, aliada ao acompanhamento farmacêutico, contribui para reduzir desperdícios, evitar agravamentos clínicos e garantir maior segurança terapêutica.
Em situações de emergência, os municípios devem reforçar a comunicação com os usuários, orientar sobre locais com energia elétrica disponíveis e assegurar que informações confiáveis cheguem à população de forma clara e acessível.
Cuidar corretamente dos medicamentos é parte fundamental do cuidado em saúde — e a informação adequada pode fazer toda a diferença na proteção da vida e na continuidade dos tratamentos.