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A saúde mental das trabalhadoras e dos trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) esteve no centro das discussões da web transmitida pelo YouTube, reunindo especialistas para debater os desafios do cuidado a quem também cuida. O encontro contou com representante do Ministério da Saúde, da Faculdade de Saúde Pública da USP, do COSEMS/SP, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e reforçou que o sofrimento psíquico dos profissionais de saúde não pode ser tratado como uma questão individual, mas como resultado das condições de trabalho, da organização dos serviços e da necessidade de fortalecer políticas de valorização dos trabalhadores.
Acesse aqui a web na íntegra.
Durante a apresentação, a professora Andréia De Conto Garbin, da Faculdade de Saúde Pública da USP, destacou a evolução do conceito de Saúde do Trabalhador, que supera o modelo tradicional da saúde ocupacional ao considerar os determinantes sociais, a participação dos trabalhadores e a construção de ambientes laborais saudáveis. Andreia ressaltou que a maioria da força de trabalho em saúde é composta por mulheres e que fatores como sobrecarga, precarização dos vínculos, desigualdades e invisibilização do trabalho do cuidado contribuem para o adoecimento físico e mental.
Também foram apresentados dados que evidenciam a elevada frequência de transtornos mentais, estresse, hipertensão e outras morbidades entre profissionais da saúde. Estudos citados apontam que o apoio social no ambiente de trabalho funciona como fator de proteção, enquanto a intensificação do trabalho, a violência sofrida por trabalhadores, a falta de condições adequadas e o contato permanente com o sofrimento humano favorecem o esgotamento profissional e o desenvolvimento de quadros como a Síndrome de Burnout.
Entre os principais encaminhamentos debatidos estiveram a necessidade de reorganizar os processos de trabalho, garantir pausas, dimensionamento adequado das equipes, participação dos trabalhadores nas decisões, ambientes livres de discriminação e violência, além do fortalecimento da educação permanente e das ações intersetoriais de vigilância e promoção da saúde do trabalhador. A apresentação também destacou que intervenções efetivas devem envolver gestores, equipes, instituições e os próprios trabalhadores na construção coletiva de soluções.
Já Rodrigo Pressoto, do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, trouxe ações e aprofundamento do entendimento da problemática como algo que é necessário e seja investido concomitantemente ao processo de qualificação ampliação da rede assistencial quando se discute os processos de implantação dos serviços de Saúde Mental no SUS como um todo.
A web reforçou que cuidar da saúde mental dos profissionais da RAPS é condição indispensável para a qualidade da assistência prestada à população. Ao reconhecer que o trabalho em saúde pode gerar sofrimento, mas que esse adoecimento é prevenível por meio de políticas públicas, gestão qualificada e ambientes de trabalho mais saudáveis, o debate reafirmou o compromisso do SUS com a valorização de seus trabalhadores e com a promoção de um cuidado integral, tanto para usuários quanto para quem atua diariamente na rede de atenção psicossocial.