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O Grupo Condutor da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) promoveu web-conferência voltada à prevenção do suicídio e à qualificação do cuidado humanizado às pessoas em situação de sofrimento psíquico e crise suicida. A atividade reuniu profissionais da saúde para discutir aspectos relacionados à prevenção, ao acolhimento e à organização da rede de atenção, além de apresentar dados sobre o cenário epidemiológico do suicídio no Brasil e no mundo.
Assista à web na íntegra – https://www.youtube.com/watch?v=8HklMRUkUbo
A apresentação sobre o marco legal e o panorama epidemiológico do suicídio foi conduzida por Eduardo Tischer, da Área Técnica de Saúde Mental. Entre os temas abordados esteve a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, instituída pela Lei nº 13.819/2019, que estabelece ações de promoção da saúde mental, atenção psicossocial, vigilância, educação permanente e articulação intersetorial.
Tischer também apresentou a Política Estadual de Prevenção ao Suicídio, instituída em São Paulo pela Lei nº 18.395, de 7 de fevereiro de 2026. A legislação estabelece princípios como integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade, além de diretrizes para a prevenção e o acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico e de familiares enlutados.
Acesse a apresentação de Eduardo Tischer – https://www.cosemssp.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Marco-legal-panorama-epidemiologico-suicidio-Eduardo-Tischer.pdf
Dados reforçam necessidade de prevenção
O panorama apresentado durante o encontro mostrou a dimensão do problema. De acordo com os dados apresentados, cerca de 727 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, foram registrados 16,8 mil óbitos por suicídio em 2023, uma média de 46 mortes por dia.
Os dados também evidenciam diferenças relacionadas a sexo e faixa etária. Os homens representam aproximadamente 79% dos óbitos registrados no país, enquanto as mulheres apresentam maior número de notificações de lesões autoprovocadas. Entre os grupos que demandam atenção estão pessoas idosas, especialmente homens com 80 anos ou mais, além de jovens adultos de 20 a 29 anos, faixa que apresentou crescimento proporcional mais acentuado na última década.
Acolhimento, parte fundamental do cuidado
O convidado Elson Asevedo, diretor técnico do Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental (CAISM) da Vila Mariana, compartilhou experiências e estratégias para a atuação dos profissionais diante de situações de crise suicida.
Asevedo destacou que o acolhimento deve estar no centro da resposta dos serviços de saúde. Para ele, a abordagem precisa considerar a complexidade do momento vivido pelo paciente e estabelecer uma relação de parceria entre profissional e usuário.
Segundo o diretor técnico, a pessoa em crise suicida pode apresentar ambivalência, com pensamentos relacionados à morte e, ao mesmo tempo, possibilidades de vida. Essa característica exige uma abordagem cuidadosa, que não se limite a apresentar razões para que a pessoa continue vivendo.
Nesse contexto, a construção de uma relação de confiança e corresponsabilização entre profissional e paciente ganha importância.
Asevedo também ressaltou o papel da autoeficácia, ou seja, a capacidade da própria pessoa de participar do enfrentamento da situação e das decisões relacionadas ao seu cuidado.
Outro princípio destacado foi a aceitação. O profissional precisa reconhecer o sofrimento apresentado pelo paciente e compreender o momento vivido sem permitir que preconceitos ou julgamentos interfiram na assistência. “O importante é o acolhimento, e tem que ser radical pelos serviços de Saúde. É fundamental que o profissional utilize seus conhecimentos e habilidades para compreender a experiência daquele paciente e oferecer uma abordagem compatível com suas necessidades. O empoderamento também foi apontado como elemento importante nesse processo”.
A discussão reforçou que a prevenção do suicídio não depende de uma única ação ou de um serviço isolado. O enfrentamento passa pela articulação da RAPS, pela qualificação permanente dos profissionais, pela utilização das informações epidemiológicas e, principalmente, pela capacidade dos serviços de acolher as pessoas em sofrimento e construir, junto com elas, possibilidades de cuidado.